Vivienne checa o horário pela décima vez, levantando-se num pulo ao constatar o óbvio, será impossível chegar no horário que o “senhor pontualidade” determinou. Corre para o banheiro, optando por um banho rápido e deixando os cachos intocados, uma batalha que definitivamente não tem tempo para travar naquele momento. Após sua higiene apressada, invade o pequeno closet, escolhendo um conjunto preto social que grita “profissional competente mesmo atrasada”. Arruma os cabelos num coque estrategicamente bagunçado, deixando alguns fios soltos para suavizar o visual, e aplica uma maquiagem básica.
— É o que temos para hoje. — Resmunga para seu reflexo, checando mais uma vez o horário como se isso pudesse magicamente fazer o tempo parar. — Ai, Senhor! Aceita uma alma desesperada no céu? Porque depois do sermão que o senhor controlador irá me dar, com certeza cometerei um crime. — Murmura, visualizando o sorriso irônico que Dominic certamente exibirá ao notar seu atraso.
Atravessa a sala como um furacão, agarrando sua bolsa e praticamente voando para fora do apartamento, com o celular em mãos para chamar seu salvador sobre rodas via aplicativo.
No elevador, evita olhar propositalmente a previsão de chegada no aplicativo, há coisas que é melhor não saber. O pequeno espaço parece se mover com a mesma urgência de uma lesma aposentada. Assim que as portas se abrem, atravessa o corredor num passo que faria atletas olímpicos sentirem inveja. Ao alcançar a rua, seu carro já espera, uma pequena misericórdia em meio ao caos.
— Bom dia. — Vivienne cumprimenta, ao entrar no veículo, acomodando-se no banco traseiro.
— Bom dia, senhora. — Responde o motorista, dando início à corrida.
Após quase uma hora de viagem, marcada pelo trânsito intenso e pela longa distância, o carro finalmente estaciona diante de um luxuoso condomínio. Vivienne observa a arquitetura imponente do edifício, arqueando uma sobrancelha ao perceber que se trata de um prédio residencial.
— Por que isso não me surpreende? — Murmura, descendo do carro com um aceno de cabeça rápido para o motorista. Caminha em direção à recepção, seus saltos ecoando no saguão impecavelmente decorado. — Claro que o senhor perfeição mora no prédio mais luxuoso da cidade. — Resmunga, com desdém, ajustando a bolsa no ombro enquanto se aproxima da recepcionista. — Bom dia, sou Vivienne Bettendorf, estou aqui para encontrar o senhor Muller. — Identifica-se, mantendo um tom formal.
A recepcionista sorri educadamente, digitando algo no computador antes de dar instruções precisas sobre como chegar à cobertura. Liberada, Vivienne segue para o elevador, seu olhar percorrendo os detalhes extravagantes do ambiente enquanto tenta ignorar o nervosismo que começa a surgir.
— Típico! — Comenta, com um meio sorriso. — Por que usar o mesmo elevador que os mortais? Seria demais para o ego dele.
Quando as portas do elevador se abrem na cobertura, Vivienne se surpreende com o ambiente à sua frente, que exala um luxo inegável, com cada detalhe refletindo opulência. O apartamento dele é maior do que os quatro do andar onde ela mora, é a própria definição de excesso.
— Sorria, Vivienne. — Sussurra, ajustando os ombros e respirando fundo. — Você não sobreviveria nem um dia na prisão. — Suspira novamente, encarando a porta à sua frente. — Apenas quarenta minutos de atraso. Talvez ele nem perceba! — Murmura, com uma pitada de esperança, enquanto toca a campainha.
— Está atrasada, senhorita Bettendorf. — Dominic comenta, encostando-se na porta com um sorriso que é pura tentação.
O olhar de Vivienne, contra sua própria vontade, desliza pelo corpo dele, parando no roupão preguiçosamente mal amarrado que deixa à mostra o peitoral impecavelmente esculpido.

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