Vivienne observa, intrigada, aquela metamorfose no comportamento de Dominic. Ele parece uma pessoa completamente diferente do homem intimidador de minutos atrás, agora mais atento, mais cuidadoso, como se a tensão tivesse dado lugar a um interesse genuíno pelo seu bem-estar. Essa mudança a desconcerta, e ela sente um conflito interno surgir, enquanto tenta entender o que está acontecendo.
A suavidade com que ele a trata provoca reações físicas distintas, um tipo de vulnerabilidade que ela não está acostumada a sentir. Não é o desejo ardente que suas provocações costumam despertar, mas uma sensação mais profunda, mais intimista, que a faz questionar a linha tênue entre o controle e a entrega.
— Bem, cogito ficar mais um tempo aqui. — Vivienne responde, notando como um sorriso contraditório surge nos lábios dele, não combinando com a decepção mal disfarçada em seu olhar.
— Tudo bem. — Dominic comenta, recompondo sua postura, numa tentativa visível de recuperar sua indiferença característica. — Nos próximos dias, providenciarei uma consulta. — Afirma, seu instinto controlador, reassumindo o comando. — Sua hipotensão pode ser apenas uma resposta ao estresse, mas precisamos investigar outras possíveis causas. — Acrescenta, observando atentamente como ela reage às suas determinações.
— Mais alguma ordem, senhor? — Questiona, dividida entre gratidão pela preocupação e irritação com seu controle excessivo.
— Por que não está no trabalho? — Indaga, subitamente, como se acabasse de notar esse detalhe.
— Pelo mesmo motivo que o senhor não está. — Responde, com um sarcasmo afiado, um sorriso desafiador nos lábios. Ela sabe que suas palavras são um convite à provocação, mas evita mencionar sua demissão, pois não quer prolongar ainda mais a conversa e muito menos a presença dele. — Senhor Muller, lembre-se das regras estabelecidas. — Adverte, a firmeza em sua voz, deixando claro que não está disposta a recuar. Seus limites estão traçados, e ela não permitirá que ele ultrapasse mais nenhum deles. — Já respondi sobre meu passado, e embora esteja ciente de que continuará suas investigações, garanto que desperdiçará apenas recursos e tempo. — Assegura, com a confiança de quem já conhece bem os limites do próprio enigma.
— Veremos. — Comenta, decidindo não insistir mais no assunto, ao menos por enquanto, considerando o mal-estar dela. — Transmita meus agradecimentos à sua amiga. — Solicita, lançando um olhar rápido em direção à cozinha, antes de desviar para Vivienne novamente. — Bem, possui meu contato, caso necessite de algo. — Declara, sua voz se suaviza um pouco, talvez tentando manter algum nível de cordialidade entre eles, embora ainda estivesse claro o conflito entre suas intenções e os limites dela. — Cuide-se, senhorita Bettendorf. — Aconselha, com um sorriso surpreendentemente gentil, um gesto que destoa de sua postura normalmente rígida e impositiva. — Até breve. — Conclui, dando-lhe um último olhar antes de se dirigir à porta. Quando a porta se fecha atrás dele, ele solta um resmungo frustrado. — Porra! — Murmura para si, sentindo-se desconcertado com seu próprio comportamento, enquanto caminha pelo corredor.
— O que foi isso? — Vivienne murmura para si mesma, encarando a porta como se ela pudesse fornecer alguma resposta. — Será que ele é bipolar? Num momento está todo cuidadoso, no outro parece que irá matar alguém. — Resmunga, ainda tentando processar a mudança radical no comportamento dele. Suspirando pesadamente, levanta-se e arrasta-se até a cozinha, onde encontra a amiga afogando praticamente os pratos em espuma. — Ei, deixa que assumo essa batalha contra a gordura. — Declara, forçando um sorriso que não alcança seus olhos.

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