O coração de Liana deu um salto.
— O que ele fez? — perguntou, quase num sussurro.
Anton fechou os olhos por um segundo, como se precisasse reunir forças para dizer aquilo em voz alta. Quando voltou a encará-la, o brilho nos olhos não era mais de provocação, era rancor puro antigo, uma ferida ainda aberta.
— Dante roubou a minha companheira — disse, de uma vez.
Liana sentiu o chão sumir sob seus pés.
— Como assim… roubou?
Anton soltou uma risada sem humor algum.
— Eu ia me casar com Celeste — explicou, cada palavra carregada de veneno e dor. — Estava tudo pronto, ela era minha destinada, tinha esperando ela por anos, sonhado com aquela merda, eu a amava. A futura Luna dessa alcateia, eu seria o alfa, como sempre foi esperado, eu era o verdadeiro regente da Blackstone. Era o meu lugar. A minha vida.
A ruiva engoliu em seco, sentindo um aperto estranho no peito ao ouvir aquele nome. Celeste. A mãe de Kian. A mulher que Dante amou, que ele disse que Anton matou.
— Mas Dante não só tomou o posto de alfa de mim — Anton continuou, a voz ficando mais dura a cada frase — como tomou a mulher que eu amava. Ele a marcou antes de mim. Ele a escolheu. E ela… escolheu ele, depois ele fez a porra de um filho nela e esfregou ssa merda na mnha cara como se fosse um joguinho.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
Liana sentiu o ar faltar, tudo se encaixava de uma forma cruel demais para ser coincidência. O ódio. A guerra. A morte de Celeste. O medo obsessivo de Dante de perder alguém de novo.
— Então… — ela começou, mas a voz falhou. — Então tudo isso… começou ali?
Anton assentiu lentamente.
— Aquele foi o dia em que eu perdi tudo — afirmou. — E o dia em que Dante se tornou o que é hoje. Então não me peça para facilitar as coisas para ele, bruxinha, porque eu não vou fazer isso, nunca.
***
Do lado de fora do hospital, o ar da noite parecia mais pesado do que nunca. A lua pairava alta no céu, iluminando a floresta ao redor da alcateia com um brilho pálido e silencioso. Dante andava de um lado para o outro perto dos degraus, os passos firmes, mas a mente em caos.
O lobo dentro dele rosnava, inquieto, irritado, exigindo ação. Exigindo controle. Exigindo sangue.
“Eu disse que isso ia voltar para você!”, Hades rosnou, furioso. “Disse que suas ações teriam consequências!”
Mas Dante não respondeu, sabia que seu lobo estava certo, que o que ele fez no passado estava voltando para assombrá-lo e eliminar Anton não resolveria nada, não mais.
Mason se aproximou com cuidado, sentindo a tensão que irradiava do alfa como uma tempestade prestes a explodir.
— Você me chamou — o beta disse, mantendo a postura respeitosa, mas alerta.
Dante parou de andar e se virou de uma vez, os olhos vermelhos fixos no amigo.
— Quero batedores na floresta — ordenou, sem rodeios. — Agora. Quero cada centímetro vasculhado. Segundo Anton, uma criatura está nos rondando e pretende atacar.

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