Entrar Via

A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 61

A floresta ao redor da alcateia parecia viva naquela noite, e ainda mais perigosa.

Os batedores haviam se espalhado como sombras silenciosas entre as árvores altas, corpos grandes deslizando entre troncos, raízes e pedras com uma facilidade que só lobos treinados possuíam. A lua cheia iluminava o caminho, refletindo nos olhos atentos que observavam cada movimento suspeito, cada galho quebrado, cada cheiro estranho trazido pelo vento.

A comunicação entre eles era constante, mental, precisa.

“Setor leste limpo.”

“Nada ao sul.”

“Apenas cheiros antigos. Nenhuma presença recente.”

Os lobos avançavam cada vez mais para longe da alcateia, formando um grande círculo invisível de proteção. Vasculhavam clareiras, margens de rios, trilhas quase apagadas pelo tempo, cavernas abandonadas. Nenhum deles queria ser o responsável por deixar passar algo que pudesse colocar o alfa em risco, ou pior, colocar a companheira do alfa em perigo.

O cheiro da floresta era familiar demais, terra úmida, folhas esmagadas, animais noturnos. Nada fora do lugar, tudo como sempre esteve.

Um a um, os batedores começaram a retornar.

A comunicação mental mudou de alerta para frustração.

“Nada encontrado.”

“Nenhum rastro novo.”

“A área está limpa.”

Quando o penúltimo deles cruzou os limites da alcateia e voltou à forma humana perto dos portões, o clima já estava pesado. Dante aguardava no pátio central, o corpo imóvel, os braços cruzados sobre o peito largo, os olhos vermelhos brilhando de irritação contida. Mason estava ao seu lado, não sabia se torcia para encontrarem algo para aplacar a fúria do alfa ou para não encontrarem nada em qualquer um dos dois casos aquilo acabaria muito mal.

— E então? — perguntou, a voz fria como gelo quebrando.

Mason deu um passo à frente, o rosto sério, ansioso demais.

— Vasculhamos tudo — respondeu o líder dos batedores, Elorion, um lobo mais velho, mas alto e muito em forma. — Não há sinais de criatura alguma, nenhum rastro recente. Nenhum cheiro estranho além dos que já conhecemos.

O silêncio que se seguiu foi perigoso.

Dante fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, tentando conter o rugido que crescia dentro do peito. O lobo estava furioso, arranhando por dentro, exigindo ação, sangue, controle.

“Ele mente…”, Hades rosnou, agitado.

— Eu sabia — rosnou, abrindo os olhos de repente. — Sabia que ele estava mentindo.

Os punhos se fecharam com tanta força que os músculos dos braços se retesaram.

— Anton só queria plantar dúvida — continuou, a voz carregada de desprezo. — Sempre foi assim. Sempre jogando com a cabeça dos outros.

Mason não respondeu, conhecia aquele tom. Qualquer tentativa de ponderar agora seria inútil.

Dante virou-se sem dizer mais nada e começou a caminhar em direção ao hospital da alcateia, os passos pesados ecoando pelo chão de pedra. Cada passada parecia carregar anos de ódio acumulado, anos de feridas mal fechadas, anos de culpa que ele se recusava a encarar.

Se o irmão estivesse mentindo… então tudo aquilo não passava de mais uma tentativa de manipulação.

E isso ele não perdoaria.

Em meio ao seu ódio, Dante não percebeu… Mas ainda faltava um batedor.

***

Dentro do quarto do hospital, o clima era completamente diferente.

Anton estava recostado na cama, o tronco parcialmente erguido graças aos travesseiros, o corpo ainda dolorido, mas a expressão mais calma do que estivera horas antes. Liana permanecia ao lado dele, sentada na beira da cama, os braços envolvendo o corpo do lobo ruivo num abraço que nasceu quase sem que ela percebesse.

Era estranho.

Abraçar alguém que, por tanto tempo, fora descrito como um monstro. Abraçar alguém que carregava tanta culpa nos olhos.

— Sinto muito… — Liana murmurou, a voz baixa, sincera, apertando o abraço com cuidado para não machucá-lo. — Por tudo o que você perdeu.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá sequestrada pelo alfa