Entrar Via

A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 12

O hospital da alcateia estava silencioso demais.

As luzes suaves refletiam nas paredes claras, o cheiro de ervas medicinais misturado ao de sangue antigo ainda pairando no ar. Dante permanecia desacordado na cama, o corpo coberto por faixas e curativos que já começavam a se fechar sozinhos, a pele se regenerando num ritmo impossível para qualquer humano.

O peito subia e descia de forma lenta, forte.

O alfa estava vivo, mesmo machucado.

Sandra não saía de perto dele. Estava sentada ao lado da cama desde que o trouxeram da floresta, segurando a mão dele com força, como se pudesse impedir que ele acordasse e descobrisse algo que ela não queria que fosse descoberto. Seus olhos estavam vermelhos, o rosto abatido, parte daquilo era real. Ver Dante naquele estado havia mexido com ela de verdade.

Mas outra parte… Era puro cálculo.

Queria ser a primeira pessoa que ele visse quando acordasse.

“Assim, quem sabe ele entenda que eu sou melhor do que aquela maldita humana…”, pensava, olhando para o homem desacordado na cama.

A porta do quarto se abriu silenciosamente.

Mason entrou.

— Já dei um jeito na humana — ele disse, em voz baixa.

Sandra ergueu o rosto imediatamente.

— Ela foi embora? — perguntou, com um fio de ansiedade mal disfarçada.

— Sim — Mason respondeu. — Pegou o dinheiro e saiu, um carro chegou para pegá-la há alguns minutos.

Sandra fechou os olhos por um instante e um suspiro de alívio escapou de seus lábios.

— Melhor assim — murmurou. — Assim ele esquece essa ideia idiota de ter uma humana como companheira.

Mason olhou para Dante, inconsciente.

— Quando ele acordar… não pode saber a verdade, tem que achar que ela o abandonou depois dele salvar sua bvida.

— Ele não vai — Sandra respondeu, apertando a mão de Dante com mais força. — Diremos que ela fugiu. Que escolheu ir embora.

Mason assentiu, mas algo em sua expressão denunciava desconforto.

— O menino… — ele começou.

— Kian vai esquecer — Sandra cortou, ríspida. — Crianças esquecem.

Mas nem ela acreditava totalmente nisso.

***

Do outro lado dos portões da mansão, Liana entrava em um táxi com as mãos trêmulas.

O motorista lançou um olhar rápido para o rosto machucado dela pelo retrovisor, mas não disse nada. Apenas deu partida, seguindo pela estrada que levava à cidade.

Liana abriu a mão devagar.

O dinheiro que Mason havia jogado nela estava ali, muito mais do que ela esperava, muito mesmo.

Notas suficientes para recomeçar do zero.

O orgulho gritou dentro dela, queria ter jogado aquilo de volta na cara dele, queria ter ficado, ter gritado, resistido.

Mas o medo falou mais alto.

E Kian…

Pensar no menino fez seu peito apertar com força.

“Para de ser idiota Liana…”, reclamou consigo mesma, mordendo o lábio com força. “Você nem conhecia aquele menino direito e o pai dele te sequestrou.”

Conforme o carro se afastava da floresta, algo começou a incomodá-la por dentro. Uma pressão estranha no peito, como se um fio invisível estivesse sendo esticado até o limite. Não era dor exatamente, era vazio, um incômodo profundo, difícil de nomear.

Ela levou a mão ao coração, respirando fundo.

— Não é o meu lugar — murmurou para si mesma. — Eu nem sei o que eles são…

A ruiva encostou a cabeça no vidro e fechou os olhos por alguns segundos. As imagens vieram sem pedir permissão: Dante ensanguentado no chão, o olhar dele implorando para que ela não fugisse, Kian chorando, agarrado às pernas dela.

Quando o táxi parou na rodoviária, Liana pagou e desceu, o cheiro de óleo, concreto e gente demais a envolveu. Um contraste brutal com a floresta, com o ar fresco da mansão.

Ela caminhou até o guichê e perguntou pelo próximo ônibus para sua cidade, mas, quando ouviu o nome do destino, algo dentro dela travou.

Justin.

Amélia.

A traição.

O riso cruel da própria irmã.

Não.

Ela não podia voltar.

Não queria voltar.

Não depois de tudo.

— Obrigada — disse ao atendente, afastando-se. — Não vai ser hoje.

Liana saiu da rodoviária sem olhar para trás.

Decidiu ficar.

Decidiu esquecer.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá sequestrada pelo alfa