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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 58

Fora do quarto do hospital, o corredor parecia mais estreito do que nunca. Sandra permanecia encostada à parede fria, parcialmente escondida pela coluna de pedra, o corpo relaxado demais para alguém que deveria estar apenas de passagem. Seus olhos amarelados acompanhavam cada som que escapava pela porta entreaberta, cada palavra fragmentada que chegava até ela como um presente cuidadosamente embrulhado. Bruxa. Profecia. Poderes adormecidos. A boca de Sandra se curvou lentamente num sorriso satisfeito, quase reverente, enquanto absorvia tudo em silêncio.

“Então é isso”, pensou, sentindo o coração bater mais rápido, não de medo, mas de excitação pura. “Não é só uma humana inconveniente, é uma bruxa.”

Durante tanto tempo, Liana tinha sido apenas um erro no caminho, um tropeço irritante que insistia em não desaparecer e atrapalhava seu plano de se tornar a grande luna da Blackstone. Agora, fazia sentido, aquele brilho estranho, a forma como Dante orbitava ao redor dela como um animal faminto. O modo como Anton… maldito Anton… tinha mudado por causa dela.

Tudo se encaixava.

“Viu só?” murmurou em pensamento, sentindo a presença conhecida se mexer dentro de si. “Eu te disse que tinha algo errado com ela desde o começo.”

Dentro de sua mente, Nyx se remexeu, inquieta. A loba não respondeu de imediato, e o silêncio dela era sempre mais perigoso do que qualquer rosnado.

“Isso não cheira bem”, a voz de Nyx ecoou por fim, grave, carregada de reprovação. “Bruxas nunca trazem nada além de destruição. Você está brincando com algo maior do que entende, a profecia é real.”

Sandra franziu o cenho, incomodada, mas não surpresa. Nyx nunca gostara daquele caminho, nunca aprovara as intrigas, as mentiras, os jogos de empurrar as pessoas umas contra as outras.

“Eu sei exatamente o que estou fazendo”, rebateu mentalmente, afastando-se da parede e ajeitando a postura. “Nos seremos a luna desse lugar quando eu acabar.”

“Uma luna nunca…”, Nyx murmurou, com desprezo contido. “Nunca faria o que você faz.”

Sandra ignorou, não era hora para culpa. Caminhou pelo corredor com passos leves, misturando-se aos outros membros da alcateia, o rosto já recomposto em sua máscara habitual de neutralidade. Por dentro, no entanto, sua mente trabalhava rápido, calculando possibilidades, caminhos, riscos. Se aquela humana realmente fosse a chave de uma profecia antiga… então despertá-la poderia ser tanto uma ameaça quanto uma solução.

“No final”, pensou, “só preciso de uma bruxa com poderes acordados para resolver um problema.”

Quando alcançou a saída dos fundos, o cheiro da floresta a envolveu como um abraço. Sandra verificou ao redor, certificando-se de que ninguém a observava, antes de desaparecer entre as árvores. Assim que seus pés tocaram o solo úmido, a transformação veio fácil, quase automática. Ossos se rearranjaram, músculos se expandiram, e Nyx assumiu a forma física com um rosnado baixo, sacudindo o corpo claro antes de disparar mata adentro.

A corrida era libertadora, a floresta passava rápida demais para pensamentos longos, mas mesmo assim, a mente de Sandra não parava.

“Você está indo longe demais”, Nyx insistiu enquanto desviavam de galhos baixos e raízes expostas. “Se isso der errado…”

“Não vai dar”, Sandra respondeu, acelerando ainda mais.

“Se der”, a loba interrompeu, agora com a voz mais dura, “eu vou embora.”

O impacto daquelas palavras foi quase físico.

“O quê?” Sandra sentiu o passo falhar por um microssegundo, mas continuou correndo.

“Eu não vou te acompanhar nessa loucura até o fim”, Nyx declarou. “Se você cruzar essa linha, se isso nos destruir… eu sumo. Nunca mais vou responder ao seu chamado, nunca mais vou me transformar.”

Sandra rangeu os dentes, o coração batendo descompassado agora por outro motivo. A ligação entre elas sempre fora turbulenta, mas aquela era uma ameaça real. Perder Nyx significava perder metade de si, significava ficar presa num corpo humano frágil, sem força, sem instinto.

“Você não faria isso”, rosnou mentalmente.

“Então continue e verá”, Nyx respondeu friamente.

A estrada surgiu à frente como uma cicatriz cortando o território. Sandra reduziu apenas o suficiente para calcular o salto, ignorando o peso da conversa que ecoava em sua mente. Com um impulso forte, lançou-se do barranco…

***

Naquele mesmo instante, a poucos quilômetros dali, um carro preto avançava rápido demais pela estrada sinuosa que cortava a mata fechada. Amelia mantinha as mãos firmes no volante, os olhos grudados na tela do GPS iluminando o painel com uma luz azulada. Condomínio Blackstone, indicava a rota, o nome elegante que os humanos davam àquele lugar cercado de muros altos e seguranças discretos, sem imaginar o que realmente se escondia ali dentro. O coração dela batia acelerado, não por medo, mas por antecipação. Estava perto. Muito perto.

— Só preciso entrar fingindo ser ela e ver o que rola lá dentro ai doou um jeito de trocar de lugar mais vezes quando minha irmãzinha estiver no trabalho… — falou para si mesma com um sorrisinho. — E depois eu dou um fim nela e fico no lugar simples.

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