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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 54

O rosnado de Dante ecoou pelos limites da alcateia como um trovão, fazendo os guardas recuarem instintivamente e a floresta responder com um silêncio pesado. O grande lobo negro avançou um passo, o corpo tenso, os músculos rígidos sob a pelagem escura, os olhos vermelhos fixos no irmão como um carrasco prestes a executar a pena de morte no condenado.

Aquela não era uma ameaça vazia.

Era um aviso final, carregado de tudo o que Dante vinha segurando desde a morte de Celeste, desde a traição, desde o dia em que Anton deixou de ser apenas seu irmão e se tornou seu maior inimigo.

“Dá meia-volta e some da minha alcateia”, a voz de Dante soou dentro da mente de Anton, grave, afiada, cheia de ódio. “Se você cruzar esses limites mais uma vez, eu te mato. E dessa vez não vai ter misericórdia.”

Anton manteve-se de pé, mesmo claramente ferido. O lobo ruivo estava claramente exausto, o pêlo opaco em alguns pontos, manchado de sangue seco e sujeira, a respiração irregular denunciando o esforço absurdo que fazia só para se manter ali. Ainda assim, o olhar dele não vacilou, pelo contrário, havia algo duro, quase resignado, misturado com uma fúria que não tinha limites. Ele também rosnou, mas o som saiu mais baixo, controlado à força.

“Acha mesmo que eu quero estar aqui?” Anton respondeu, a voz mental carregada de desprezo. “A última coisa que eu queria era olhar pra sua cara de novo, ladrão. Mas eu não vim por você, vim apesar de você.”

Dante inclinou o corpo levemente para frente, as garras cravando o chão, abrindo sulcos na terra úmida.

“Então some.” Ele rosnou. “Porque tudo o que você traz é morte.”

Anton soltou uma risada curta, amarga, que soou quase como um engasgo.

“Como se você fosse diferente…” Os olhos dele brilharam com algo perigoso. “Só estou aqui porque preciso proteger a minha companheira de segunda chance.”

Aquelas palavras atingiram Dante como uma lâmina direta no peito.

O lobo negro explodiu num rosnado furioso, avançando mais um passo, o ar ao redor deles vibrando com a força do alfa.

“Não ouse falar dela”, Dante respondeu, cada sílaba carregada de ameaça. “Liana não é sua. Nunca foi. Nunca será.”

Anton ergueu o focinho, o olhar ficando mais frio.

“Celeste também não era sua”, ele devolveu, sem piedade. “E isso não te impediu, por que me impediria? Principalmente porque eu tenho direito.”

O impacto da frase foi imediato.

Os guardas da alcateia se moveram inquietos, alguns baixando o olhar, outros segurando as armas com mais força. Todos sabiam que se havia vinculo, havia direito, se não existia não havia e aquela era a mancha na reputação do grande alfa Blackstone.

Dante perdeu o pouco controle que ainda mantinha, o corpo dele se enrijeceu completamente, o rosnado se transformando em algo mais profundo, mais animalesco, pronto para se tornar ataque. Por um segundo, parecia que nada no mundo seria capaz de impedi-lo de avançar e dilacerar o irmão ali mesmo.

Anton também se preparou, mesmo machucado. Elariel rugia dentro dele, exausto, ferido, mas ainda feroz, lembrando-o de que aquele confronto podia ser o último. Ainda assim, Anton não recuou, se fosse morrer, morreria ali, mas não abaixaria a cabeça para o homem que lhe tirou tudo.

Dentro da mansão, Liana sentia o pânico crescer como um nó impossível de desfazer. O ar parecia pesado demais para respirar, o coração batendo tão forte que doía. Kian estava sentado na cama, abraçando um travesseiro, os olhos arregalados, atentos demais para alguém tão pequeno. Ele olhou para ela com aquela expressão confusa e sincera que sempre a desmontava.

— Titia… — ele murmurou. — O lobo mau não pode entrar aqui, né? Ele não vai te pegar…

Liana engoliu em seco, então ajoelhou-se na frente dele, segurando o rostinho do menino com cuidado, tentando sorrir, mesmo com o medo gritando dentro dela.

— Não, meu amor… — respondeu, a voz baixa. — Aqui você tá seguro e eu também.

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