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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 53

A primeira sensação foi o frio.

Não o frio comum da pele, mas um frio que vinha de dentro, como se algo tivesse passado por ela e levado um pedaço da sua essência junto. Liana abriu os olhos devagar e, por um instante confuso, achou que ainda estava desmaiada, presa naquele vazio sem forma. Mas então o cheiro chegou, terra úmida, folhas esmagadas. Ela respirou fundo, o peito subindo com dificuldade, e sentiu o coração disparar quando percebeu que estava deitada no chão de uma floresta que não reconhecia.

O céu acima dela era escuro, mas não era noite, era um tipo estranho de penumbra permanente, como se a lua estivesse sempre escondida atrás de nuvens grossas, observando sem nunca se mostrar. Liana tentou se mexer, mas o corpo parecia pesado, lento, tudo doía, e qualquer movimento lhe arrancava um gemido rouco dos lábios. Quando conseguiu apoiar os cotovelos no chão e se erguer um pouco, foi aí que viu.

Ele estava ali.

De pé, a poucos metros dela, como se estivesse esperando desde sempre.

O monstro era alto demais para ser um homem comum. A postura lembrava a de um lobisomem, mas algo estava errado, muito errado. Ele se sustentava sobre duas patas traseiras fortes, o tronco largo coberto por uma pelagem escura e irregular, e os braços longos terminavam em garras que pareciam capazes de rasgar aço. O focinho era alongado, a boca cheia de presas grandes demais, mas os olhos… os olhos eram o que prendiam. Azuis, intensamente azuis. Brilhavam na escuridão como lâminas de gelo, inteligentes demais, conscientes demais.

Liana sentiu o estômago revirar.

E, de alguma forma ela soube que aquela coisa era maior do que Anton, do que Dante que os irmãos não eram o verdadeiro problema… Na verdade eles dois poderiam ser a única coisa que a separava daquele monstro.

O monstro inclinou a cabeça lentamente, como se estivesse estudando cada detalhe dela, e então estendeu uma das mãos enormes. O gesto, estranhamente, não era agressivo, era quase… convidativo, elegante.

“Venha comigo”, a voz ecoou dentro da cabeça dela. Era grossa, profunda, como se mais de uma criatura falasse ao mesmo tempo. “Está na hora de você assumir seu lugar ao meu lado. Me ajude a ser coroado… rei dos lobos.”

Liana sentiu um calafrio atravessar sua espinha e seu coração bateu tão forte que parecia querer sair pela garganta. Ela recuou instintivamente, arrastando o corpo para trás sobre as folhas úmidas, balançando a cabeça com força.

— Não — respondeu, a voz saindo trêmula, mas firme. — Eu não vou com você, não sou sua!

Os olhos azuis se estreitaram por um segundo, e o ar ao redor deles pareceu vibrar. O monstro endireitou o corpo, ficando ainda maior, ainda mais ameaçador, e um rosnado profundo escapou do peito dele antes de se transformar em um uivo que fez a floresta inteira estremecer. As árvores tremeram, o chão vibrou sob ela, e Liana sentiu uma pressão absurda no peito, como se o som quisesse esmagá-la por dentro.

“Você vai ser minha” a voz voltou, agora carregada de algo cruel, paciente. “Se não vier por vontade própria… vou matar todos que você ama. Um por um. Até você não ter mais escolha além de se unir a mim.”

Imagens atravessaram a mente dela como facas. Kian sendo despedaçado. Dante com aquele olhar azul escuro, feroz e protetor, sendo encurralado por vários monstros. Babi sendo perseguida pela floresta. O rosto de todos sendo engolido por sangue e sombra.

Liana gritou, um som rasgado que saiu da garganta junto com o desespero, e tentou se levantar, mas o chão pareceu puxá-la de volta. O monstro deu um passo à frente, as garras afundando na terra, e o sorriso que surgiu no focinho dele foi a coisa mais assustadora que ela já tinha visto.

***

Liana acordou de repente, puxando o ar com tanta força que o peito doeu. O corpo inteiro estava suado, os cabelos grudados na testa, e o coração parecia querer atravessar as costelas. Por um segundo longo e confuso, ela não entendeu onde estava. O cheiro de floresta foi substituído pelo cheiro familiar da mansão, madeira, ervas, algo levemente amargo no ar. A luz era baixa, quente, e quando os olhos finalmente focaram, ela viu o teto do quarto de Dante acima dela.

Estava na cama dele.

Ao redor, várias mulheres estavam espalhadas pelo quarto, algumas em pé, outras sentadas, todas com roupas simples e colares de pedras pendurados no pescoço. Curandeiras.

Dante estava sentado na beirada da cama, inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, os olhos fixos nela com uma intensidade que fez o peito dela apertar.

— Você voltou — disse, a voz baixa, carregada de alívio, e também preocupação.

Antes que Liana pudesse responder, sentiu um peso pequeno e quente contra a mão. Virou o rosto e encontrou Kian sentado ao lado dela na cama, o pijama amarrotado, os olhos grandes demais para o rostinho pequeno, cheios de confusão e medo. Ele segurava a mão dela com força, como se tivesse medo de que ela desaparecesse se soltasse.

— Titia… — murmurou. — Por que você tava brilhando?

Liana piscou, confusa.

— Brilhando?

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