Cael Sterling.
Os olhos dela brilham no exato momento em que o carro corta o asfalto em direção à cabeceira da pista de decolagem.
Há um misto muito claro de excitação genuína e receio contido estampado em suas feições, e assistir a esse conflito interno me diverte de um modo que eu mal consigo disfarçar.
A verdade é que passamos bons minutos dentro daquele maldito carro, nos devorando como dois adolescentes dominados por hormônios à flor da pele. Pelos deuses, a cada segundo com a boca na dela, eu realmente quis mandar o mundo para o inferno, rasgar as regras e simplesmente ceder ao desejo avassalador de tê-la por completo ali mesmo, no banco de trás.
Em uma rua deserta, sob o manto protetor da noite, enquanto o plano original era apenas conversarmos.
Mas eu não faria isso.
Não porque me faltasse vontade - a porra da minha sanidade estava clamando por ela -, mas pelo simples fato de que esta noite foi desenhada por ela e para ela. Tinha que ser perfeita. E eu tenho a plena intenção de tornar cada maldito segundo inesquecível para a minha garota.
- Você só pode estar de brincadeira... - A voz dela ecoa pelo espaço, carregando uma mistura deliciosa de incredulidade e uma expectativa que ela tenta em vão camuflar. - Deixa eu ver se entendi direito: a sua grande ideia é me raptar no seu jato particular, senhor Sterling? Para onde exatamente estamos indo? Para um covil privado ou...
- É uma surpresa, querida - sussurro, permitindo que minha voz ecoe baixa, quase como um segredo, rente ao desenho do seu ouvido. Dou um passo à frente, me posicionando logo atrás dela. Sinto a textura do seu corpo se moldando perfeitamente ao meu, sem espaços vazios. - Eu já te disse uma vez, garota, eu costumo cuidar muito bem do que me pertence... E esta noite? Esta noite você é estritamente minha. Apenas esqueça o resto do mundo lá fora e aproveite o que eu tenho a lhe oferecer.
Meus lábios pressionam a pele macia da sua nuca em um toque deliberado, e a recompensa vem imediatamente: um suspiro manhoso e sutil escapa por entre seus lábios, fazendo meu sangue ferver.
- Você não faz a menor ideia do que eu preparei para nós - continuo, deslizando a boca de leve por sua nuca em direção à curva da orelha, deixando que meu hálito quente a arrepie por inteiro. - Eu esperei tempo demais por isso. Por este momento exato de ter você somente para mim, longe de qualquer interferência.
- Cael, eu...
- Shh, amor... - Minha voz raspa rouca contra a pele dela, ditando o tom do meu comando. - Vamos apenas aproveitar a noite. Não pense.
Dito isso, seguro sua cintura com firmeza e a guio em direção à escada do jato. Para o meu total deleite, os passos dela não vacilam; pelo contrário, mantêm-se firmes e decididos ao meu lado. Eu sei exatamente o que ela está fazendo.
Hannah está atuando, vestindo sua armadura favorita para manter a indiferença, tentando a todo custo me convencer - e convencer a si mesma - de que a minha presença e o peso do meu dinheiro não a afetam.


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