Hannah Brooks
A suíte de parto da ala VIP do hospital da família Voss está imersa em um caos controlado. As luzes amareladas e suaves tentam suavizar a intensidade da cena, mas nada consegue diminuir a força visceral do que está acontecendo dentro desta sala.
Mais uma contração atinge o meu corpo com a violência de uma tempestade. O grito que arranho da minha garganta ecoa pelas paredes, um som cru, doloroso e rasgado da força feminina no seu limite extremo. Minhas costas se arqueiam sobre a maca, as mãos cravadas com uma força desesperada na camisa social do Cael, que está completamente amassada e aberta nos primeiros botões.
- Isso, Hannah! Força, garota. Mais uma vez! - a voz da doutora ressoa no final da maca, firme e encorajadora. - Eu já consigo ver a cabeça! Você tá quase lá!
- Eu não consigo... Cael, dói muito... eu não aguento mais! - choro abertamente, a suor frio colando os fios do meu cabelo na testa, a exaustão me consumindo por inteiro.
- Você consegue, garota! Olha pra mim, Hannah! Olha nos meus olhos! - a voz do Cael sai rasgada, trêmula, irreconhecível.
O homem imponente e dominador desaparece por completo. Cael está ajoelhado ao lado da minha cama, o rosto banhado de suor e de lágrimas pesadas que ele nem tenta esconder ou enxugar.
Ele segura a minha mão direita entre as duas dele com uma força que quase esmaga meus dedos, mas que é a única âncora que me impede de afundar na dor. Com a outra mão, ele acaricia o meu rosto com uma delicadeza extrema, colando a testa dele na minha.
- Olha pra mim, minha vida... você é a mulher mais forte desse mundo - ele sussurra desesperado contra o meu rosto, a voz embargada pelo choro rasgado de um homem de joelhos. - Você superou tudo, Hannah. Você me deu uma família, você me salvou. Falta pouco... só mais um pouco, por favor. Eu tô aqui. Eu nunca vou soltar a sua mão.
A devoção crua no olhar dele, o amor avassalador que transborda dos seus olhos azuis marejados me atinge direto na alma, acendendo a última faísca de força que resta no meu corpo.
Aperto os dedos dele com o resto da minha vida. Respiro o ar rarefeito da sala, fecho os olhos e coloco toda a minha existência, todo o meu amor e a minha dor no impulso final.
Um grito longo e libertador rasga o meu peito.
E então... o mundo para.
O som agudo, forte e cristalino de um choro novo invade o silêncio da sala de parto.
O pranto do nosso filho corta o ar como a melodia mais abençoada que já ouvi. Minha cabeça cai contra o travesseiro, o meu peito subindo e descendo numa respiração desgovernada.
- Nasceu! Uma menina, linda e forte! - tio Andrew anuncia com uma gargalhada emocionada, ao lado da doutora que fez o parto, cortando o cordão umbilical e limpando o bebê rapidamente antes de trazê-lo diretamente para o meu peito.
A pele quente, úmida e pequena da minha filha toca a minha. O choro dela se acalma no mesmo segundo em que sente o meu calor. Envolvo meus braços ao redor do corpinho minúsculo, o choro de alívio e amor transbordando dos meus olhos sem controle.
- Meu amor... minha menininha... - murmuro entre soluços profundos, beijando o topo do cabeçote dele cheio de fios escuros.
Ao meu lado, o Cael desmorona.
O CEO inflexível da Sterling Corp encosta a testa na borda da cama e chora como uma criança, soltando soluços pesados e abafados enquanto cobre a minha mão e o corpo da nossa bebê com as suas mãos grandes. Ele se ergue devagar, os olhos azuis vermelhos do choro, encarando o nossa filha com uma adoração sagrada.
Ele se inclina, selando meus lábios num beijo longo, molhado de lágrimas e carregado de uma gratidão eterna, antes de levar o polegar trêmulo até a bochecha da bebê.
- Ela é perfeita, amor... - Cael sussurra com a voz totalmente rasgada, encostando o nariz no meu pescoço. - Vocês duas são a minha vida inteira.
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A luz suave do final de tarde entra pelas persianas da suíte do hospital, criando reflexos dourados no berço acoplado ao lado da minha cama. O silêncio do quarto é um contraste abençoado depois do furacão da madrugada.
A porta do quarto é empurrada com extrema delicadeza. A cabeça beleira loira do Theo surge na fresta, os olhos azuis arregalados em uma mistura de curiosidade adorável e respeito absoluto. Mia vem logo atrás, segurando os ombrinhos dele e sorrindo radiante para mim.

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