3 anos depois.
Hannah Brooks.
Se alguém me dissesse anos atrás que a minha melhor amiga seria a irmã do homem por quem me apaixonaria perdidamente, eu teria achado um roteiro improvável.
Mas a vida tem uma forma bonita de reorganizar o caos. Nos últimos três anos, enquanto nos desdobrávamos entre fraldas, madrugadas acordadas, a criação dos gêmeos Mateo e Maya, e os primeiros anos da minha pequena Luna, a Mia deixou de ser apenas a minha cunhada para se tornar a minha metade.
Compartilhamos medos, desabafos, xícaras de café frio de madrugada e a certeza absoluta de que tínhamos encontrado os homens das nossas vidas.
A ideia do casamento duplo nasceu em uma tarde de domingo qualquer na varanda da mansão. Estávamos nós duas observando o Theo, agora com sete anos, liderar uma "operação resgate" no jardim com o Henry, os gêmeos de três anos e a nossa pequena Luna de três aninhos correndo atrás. Mia me olhou sobre a borda da xícara de chá e disse:
"Por que diabos vamos planejar duas festas separadas se a nossa família é uma só? Vamos casar juntas. E a nossa ninhada entra na frente."
E foi exatamente assim que viemos parar aqui, no ateliê mais exclusivo de Toronto, sob a supervisão das mulheres mais intensas e protetoras que conheço.
- Hannah, se você não parar de se mexer, eu mesma vou espetar esse alfinete no seu bumbum! - Kiara avisa, segurando uma taça de espumante em uma mão e analisando a barra do meu vestido com o olhar crítico de quem entende de moda e não aceita nada menos que a perfeição.
- Kiara, deixa a garota respirar! - Adelaide ralha amorosamente, enxugando o canto dos olhos com um lenço de renda pela décima vez só nesta manhã. Minha mãe está sentada no sofá de veludo ao lado de Lilian Sterling, as duas de mãos dadas, divididas entre o orgulho e a emoção pura.
- Eu só acho que o véu da Mia precisa de mais dois metros de cauda - Lilian declara com aquela postura impecável de matriarca Sterling, embora o olhar marejado entregue a sua coragem desmoronando ao ver a filha e a nora vestidas de noiva. - Para combinar com a imponência do altar.
No centro do provador, diante dos espelhos de moldura dourada, Mia e eu nos encaramos.
Mia está radiante num modelo sereia de renda delicada com ombros à mostra, exalando uma elegância clássica. Eu visto um modelo evasê de tulles fluidos, corpete estruturado com bordados sutis em pedraria e um decote de ombro a ombro que desenha perfeitamente o meu pescoço. O tecido cai suavemente pelos meus quadris, leve e impecável.
- Olhem para vocês duas... - Adelaide suspira, a voz embargada enquanto se levanta e vem até nós, segurando uma mão minha e uma da Mia. - Minhas meninas... vocês estão absolutamente deslumbrantes.
- Não chora, mãe, senão você vai me fazer borrar a maquiagem antes do teste - brinco, engolindo em seco com o nó de emoção que se forma na minha própria garganta.
De repente, o som de risadinhas e passos rápidos contra o piso de taco atrai a atenção de todas nós. A pequena Luna surge de trás das cortinas aveludadas, usando um vestidinho branco de cetim com uma faixa rosa-queimado na cintura.
Com três aninhos, minha filha é a mistura mais fascinante e magnética da família. Ela herdou os cabelos escuros e a boca desenhada do pai, mas a sua marca registrada nos paralisa a todos: os olhinhos de heterocromia brilhando com uma curiosidade viva - o esquerdo em um azul-oceano profundo idêntico ao de Cael, e o direito em um verde-esmeralda vibrante e marcante, exatamente como os olhos da minha falecida avó.
- Mamãe! Titia Mia! Vocês parecem duas princesas do meu livro! - Luna exclama, correndo com suas perninhas curtas e se abraçando às saias de tule do meu vestido.
- E você é a daminha mais linda desse mundo inteiro - Mia se agacha com cuidado, apesar da estrutura do vestido, e enche o rosto da minha filha de beijos, fazendo a garotinha dar uma gargalhada gostosa que ecoa pelo ateliê.


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