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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 90

Vejo em tempo real sua postura, que até poucos segundos estava completamente relaxada e entregue ao nosso momento, mudar drasticamente para aquela linha fria, calculista e implacável que ele costumava usar quando nos conhecemos no escritório.

Seus olhos azuis se fixam nos meus por dois segundos inteiros. É um vislumbre rápido, mas a mensagem ali é cristalina, quase como se ele me dissesse: Não importa o que aconteça agora, não deixe que te diminuam.

Pisco algumas vezes, tentando processar a mudança abrupta de atmosfera, e quando finalmente dou por mim, ele já está posicionado ao meu lado. A mão dele desce da minha lombar e aperta minha cintura de forma possessiva, um aviso silencioso de que estamos juntos nisso.

Respiro fundo, engolindo o nó de desconforto que começa a se formar na minha garganta, e assumo o meu melhor sorriso profissional, encarando a figura que vem em nossa direção.

A mulher em questão não me parece totalmente estranha.

Quero dizer, eu nunca a vi pessoalmente, mas a julgar pelo círculo social restrito e absurdamente elitizado que Cael frequenta, não duvido que seja uma dessas madames herdeiras da alta sociedade de Toronto.

Ela é obviamente bonita. Alta, magra, com aquele tipo de corpo esguio que parece ter sido desenhado para estampar capas de revistas de moda. Os cabelos loiros são perfeitamente alinhados e parecem brilhar sob as luzes da entrada do restaurante.

Ela traz no rosto um sorriso afiado, os olhos semicerrados com o brilho de quem sabe que está prestes a descobrir a fofoca do século.

- Hailey Donovan - a voz de Cael ecoa no ar. O tom é formal, extremamente cordial, mas há uma camada de gelo e distância por trás de cada sílaba pronunciada. - Já faz algum tempo.

Ele faz uma pausa de um segundo. Minha mente parece ter resolvido travar logo agora, no pior momento possível. Eu me sinto deslocada dentro daquele blazer gigante dele, segurando a minha bolsinha enquanto aquela mulher nos avalia de cima a baixo como se fôssemos uma exposição de arte moderna.

- Esta é Hannah Brooks... minha namorada.

Aquela afirmação cai sobre mim como uma bomba magnitudo dez para a qual eu não tinha o menor preparo psicológico.

Namorada ? Oi? Como assim ?

Desde quando eu me escrevi para atuar no papel da namorada de fachada do meu chefe ? Eu não lembro dessa parte inclusa no contrato de trabalho que assinei não.

Sinto meu estômago dar uma volta completa.

Pisco algumas vezes, sentindo o sangue subir para as minhas bochechas, e ergo os olhos para encarar o perfil de Cael. A cara dele nem treme. Nenhum músculo de seu rosto vacila enquanto ele sustenta a mentira com uma naturalidade que chega a ser assustadora.

- Amor, esta é Hailey Donovan, uma velha amiga e antiga parceira de negócios - ele diz, virando o rosto para mim com a cara mais lavada do mundo, usando um tom brando como se estivéssemos apenas conversando sobre o clima.

Eu respiro fundo, o ar frio da noite queimando meus pulmões, e decido apenas entrar na farsa. Porque, por mais que a minha vontade genuína neste exato milésimo de segundo seja esganar o homem que está ao meu lado, não seria nada prudente ou higiênico cometer um assassinato a céu aberto na calçada de um restaurante cinco estrelas.

- Senhorita Donovan, é um prazer conhecê-la - digo, forçando a voz a sair firme e estendendo a mão direita para a mulher à nossa frente.

Os olhos dela se estreitam por dois segundos, faiscando em uma análise rápida e milimétrica das minhas joias, do meu vestido e, principalmente, do meu rosto, antes de finalmente aceitar o cumprimento, tocando meus dedos com uma frieza quase protocolar.

- Igualmente, senhorita... Brooklyn? - Ela erra o meu sobrenome de propósito, mantendo - ou apenas tentando manter - um sorriso amigável e plástico nos lábios perfeitamente pintados, antes de voltar toda a sua atenção magnética para Cael.

- Não sabia que estava namorando... e com alguém tão... jovem. A mídia não tem noticiado absolutamente nada a seu respeito nos últimos meses. Achei que estivesse focado apenas nas ações da Sterling Corp

O comentário dela sobre a minha idade e a minha presença carrega uma condescendência que me faz apertar os dentes por trás do sorriso. O incômodo começa a arranhar a minha pele; eu odeio ser usada como escudo ou jogada no meio de dinâmicas sociais que eu não compreendo.

- A mídia vinha especulando coisas demais a meu respeito, então preferi me afastar dos holofotes por um tempo. - Cael responde com um riso leve, mas o aperto de sua mão na minha cintura se intensifica, um suporte físico que me impede de recuar. - Hannah também é bastante reservada com a vida pessoal dela. Eu não queria submetê-la ao estresse de ter a vida exposta como a minha.

Seus olhos se voltam para mim, e há um toque de ternura ali, e por alguns segundos eu me perco naquela imensidão azul intensa que são os olhos dele.

Um sorriso surge em meus lábios, e em um ato impensado levo minha mão direita ao seu rosto, acariciando sua bochecha com delicadeza, antes de voltar a encarar a mulher à nossa frente.

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