Cael Sterling
O som do riso dela, de alguma forma, parece muito mais harmônico do que o quarteto de cordas que se apresenta logo ali fora essa noite. Felizmente, estamos em um salão privativo, o que dá a ela a total liberdade de ser ela mesma, sem as amarras da etiqueta.
E, sinceramente, eu acho que estou enlouquecendo... pois chego à conclusão de que poderia ouvir essa risada pela minha vida inteira.
Mesmo quando ela está zombando abertamente de mim por causa de um trauma antigo.
- Como assim você tem medo de palhaços? - ela pergunta, a incredulidade transbordando de sua voz e se misturando deliciosamente com o som de seu riso. - Mas... aquele vídeo de você no playground que o David me mandou no mês passado... você estava...
Ela não completa as palavras.
Na verdade, a vontade de rir da minha desgraça é muito maior, fazendo-a perder completamente a linha de raciocínio enquanto se inclina para trás na cadeira.
- Não fui eu... - digo quase em desespero, tentando a todo custo salvar o resto de dignidade da minha imagem e desassociá-la de um homem que persegue palhaços em festas infantis.
- Quer dizer, era eu sim, mas eu não estava perseguindo o infeliz... eu estava me defendendo
Faço uma pausa dramática, coço a nuca e a observo com o canto do olho enquanto ela morde o lábio inferior, tentando sem sucesso prender o riso.
- Por favor, continue... - ela pede, os olhos brilhando de pura diversão.
- Você definitivamente não precisa de inimigos quando se tem o David por perto... O imbecil atraiu aquela... coisa pintada para cima de nós. Eu travei por dois segundos antes de ter aquela reação, admito, foi puramente um instinto de sobrevivência. - Faço uma pausa para ouvir a mim mesmo e percebo, com um gosto amargo, o quão ridículo isso está soando. - Eu só peguei a primeira coisa que vi na minha frente e resolvi revidar.
- Um macarrão de piscina... - ela diz, e a menção ao objeto é o estopim para ela cair na gargalhada de novo, cobrindo o rosto com uma das mãos. - Você me proporcionou um dos melhores vídeos do meu ano, Cael.
Ela continua a rir da minha desgraça, mas quem sou eu para reclamar? Como eu disse, o som do riso dela é como música para os meus ouvidos.
Hannah pega o celular na mesa, desbloqueia o aparelho e vasculha a galeria por alguns segundos antes de me estender a tela.
Dou o play e lá está o maldito registro histórico. Eu, um CEO de trinta e poucos anos, correndo atrás de um palhaço no meio de um playground, golpeando o ar com um pedaço de espuma azul enquanto todos ao redor riem da minha cara, como se eu fosse a atração principal daquele lugar.
- Obrigado, David - murmuro sarcasticamente, trocando um olhar cúmplice com ela antes de continuar a assistir ao vídeo.
Quando o arquivo acaba, meu polegar desliza pela tela sem querer ao tentar devolver o aparelho.
O movimento revela a foto seguinte do rolo da câmera e me faz paralisar por dois segundos inteiros. O ar gela nos meus pulmões.
Há uma foto minha ali. Eu pareço estar em um sono profundo, dormindo com o rosto aninhado entre os seios dela. As curvas do corpo dela claramente não aparecem na imagem, mantendo a foto sutil, mas o meu rosto está completamente visível.
Eu pareço leve. Pareço estar em paz, uma expressão que eu mesmo mal reconheço no espelho. Encaro a imagem por mais alguns segundos, absorvendo aquele vislumbre de intimidade, antes de finalmente entregar o celular de volta a ela.
- Quando tirou isso? - pergunto, a voz descendo um tom, genuinamente curioso pela resposta dela.
- Foi naquela mesma noite... - ela diz, pegando o celular com pressa e guardando-o na bolsa, desviando os olhos dos meus imediatamente enquanto as bochechas ganham um tom sutil de rosa. - Você estava tão sereno, parecia estar tão em paz e eu pensei... sei lá, foi meio que um impulso. Desculpe. Se você quiser, eu posso apagar e...
- Não - interrompo de imediato, estendendo minha mão sobre a mesa e pousando-a firmemente sobre a dela, impedindo que ela se afaste. - Não precisa apagar. Na verdade... eu gostaria que você me enviasse essa foto, se for possível.
Meus dedos acariciam a pele macia das costas da mão dela, um toque lento, reconfortante. Foco meus olhos nos dela, capturando seu olhar fugitivo, e um sorriso lindo e tímido aparece em seus lábios.
Pelos deuses, eu tenho certeza absoluta de que estou enlouquecendo por essa mulher.
Hannah Brooks
O sommelier traz a conta assim que terminamos o jantar.


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