● Hannah Brooks ●
A noite passou rápido demais — rápido num nível quase ofensivo, como se tivesse escorrido pelos meus dedos sem pedir licença. E, em teoria, eu deveria estar bem agora. Descansada. Leve. Com a mente limpa, como alguém que saiu, distraiu a cabeça e ainda teve o luxo de acordar tarde por não ter aula na faculdade.
Era o plano perfeito.
Mas meu corpo claramente não recebeu esse memorando.
Porque, em vez disso, eu me sinto como se tivesse sido atropelada por um caminhão… enquanto corria uma maratona depois de encher a cara em um bar qualquer.
E tudo isso graças aquele maluco.
O que me parou no estacionamento da lanchonete ontem a noite. Sim é culpa dele, eu ter passado a noite inteira em uma maldita vigília não planejada, por que aquele maniaco estava parado, como um maldito espírito obsessor em frente ao prédio onde Jane mora.
Ela não o viu, claro que não, estava bêbada demais para se lembrar de algo. Mas eu o vi, e por conta disso, passei a noite inteira acordada observando pela janela, com a cabeça a mil.
Enquanto mil e uma teorias surgiam em minha mente e... espi
—... Teremos uma equipe voltada para servir nossos clientes usando os patins, com o intuito de tornar o atendimento mais rápido...
As palavras do senhor Lincon me trazem de volta a realidade. Eu nem deveria estar tão distraída, mas esse é sem duvidas um dos efeitos por não dormir bem a noite.
O senhor Lincon continua falando, provavelmente explicando o plano de dominar o mundo sobre duas rodas, enquanto eu só consigo imaginar alguém caindo no meio do salão e levando três milk-shakes junto.
Quando a reunião finalmente termina, ele nos libera para dar lugar à próxima equipe. Coloco a touca, ajusto o avental e sigo direto para as mesas, já entrando no ritmo automático de sempre.
É horário de pico. As escolas próximas acabaram de liberar os alunos, e o lugar rapidamente se enche de vozes, risadas, choros e pedidos sendo feitos ao mesmo tempo.
Eu me ocupo anotando pedidos e servindo clientes — alguns simpáticos, outros mal-humorados, e aqueles clássicos que só querem um minuto de silêncio longe dos próprios filhos.
Mesa após mesa, pedido após pedido… até que me distraio observando uma mãe discutindo com uma garotinha de uns cinco anos, que claramente decidiu que hoje não ia comer nada que não fosse doce. Uma batalha perdida, na minha humilde opinião.
E então, do nada—
Um pequeno furacão de cachos dourados e olhos azuis brilhantes corre na minha direção.
— NANAAA! — ele grita, como se estivesse me anunciando para o mundo inteiro, antes de se agarrar às minhas pernas como se eu fosse um bote salva-vidas em alto-mar.
— Anjinho… — me abaixo até ficar na altura dele, recebendo um abraço apertado que eu retribuo na mesma intensidade.
— Nanaaa… Theo sentiu sua falta. — ele diz assim que nos soltamos, fazendo um beicinho dramático enquanto seus olhos enormes ficam levemente marejados.
Meu Deus… como é possível alguém ser tão perfeito? E ainda se referir a si mesmo na terceira pessoa. Eu não tenho estrutura pra isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo