Cael Sterling
Porra, eu não sei em que abismo mental eu estava para me prestar a um papel tão ridículo. Patético, na verdade. O desespero faz a gente tomar decisões que a razão nunca assinaria em sã consciência, mas... o que caralhos eu acabei de fazer?
Abordar uma desconhecida no estacionamento do trabalho dela, no meio da noite, para propor que ela seja a babá do meu filho. Se alguém me contasse uma merda dessas, eu diria que era um roteiro péssimo de comédia romântica barata.
E, ainda assim, essa não foi a pior parte do meu dia.
A forma como aquela garota me encarou, me desafiando sem piscar, não lembrava em nada a mulher de poucas horas atrás. A mesma que se abaixou para falar com o Theo na altura dos olhos, que teve paciência para ouvir as histórias desconexas dele e que, em cinco minutos, arrancou do meu filho um sorriso que eu não via há dias.
Que inferno.
Ela foi insolente, afiada, quase agressiva comigo. Mas tinha sido doce com o Theo. Duas versões completamente diferentes da mesma pessoa dando um nó na minha cabeça.
Só que o fato é um só, curto e grosso: ela fez o Theo sorrir.
E só isso já colocava a garota acima de qualquer critério ou lista de exigências que eu pudesse inventar para quem vai conviver com o meu filho.
Passei a mão pelo cabelo, respirando fundo para tentar aliviar o peso nos ombros. Olhei para o celular que ainda estava na minha mão, desbloqueei a tela e disquei o número do Axel. Agi no impulso, algo que eu costumo detestar.
No terceiro toque, ele atendeu.
— Axel Stone.
— Axel, preciso que você descubra o nome de todo mundo que trabalha na lanchonete Captain Burger, aquela perto da escola primária no centro — ordenei, usando o mesmo tom de voz que uso para fechar contratos de milhões. — Todo mundo, sem exceção. Quero essa lista no meu e-mail ainda hoje.
Parei por um segundo, não para dar espaço para ele questionar, mas para deixar claro que não era um pedido.
— Não me importa como você vai conseguir isso. Só dá o seu jeito e faz.
Desliguei antes que ele pudesse ensaiar qualquer desculpa. Não é por maldade, é só que eu não tenho tempo a perder.
Caminhei até o meu carro, estacionado do outro lado da rua. Atrás e na frente dele, os outros dois veículos com os meus seguranças já estavam de prontidão. Eu nunca pisaria em um bairro como esse, a essa hora da noite, sem proteção.
Entrei no banco de trás e o Simon deu a partida sem dar um pio, tirando o carro daquele estacionamento de luzes baratas.
Próxima parada: a casa do Sebastian. Eu ainda precisava pegar o Theo. Tinha deixado ele com a Ayla mais cedo, antes de inventar de voltar àquela lanchonete com a esperança quase infantil de que uma desconhecida pudesse resolver o caos em que a minha rotina se transformou.
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Mia Sterling.
Eu amo meus irmãos… amo o suficiente para ser capaz de fazer qualquer coisa por eles.
E quando digo qualquer coisa, não é força de expressão. Não é bonito, não é heroico — é real. É bruto. É aquele tipo de lealdade que não pede licença antes de atravessar uma linha.
Eu faria. Sem hesitar.
E talvez esse seja exatamente o meu problema.
Eu compreendo cada um deles, até mesmo nos piores dias. Principalmente Cael. Não é fácil criar uma criança sozinho — nunca foi, nunca vai ser. Theo é um amor de garoto, desses que desmontam qualquer adulto só com um sorriso torto… e ainda assim, meu irmão — o mesmo homem que sempre disse que nasceu pra ser pai — às vezes parece um estranho dentro do próprio papel.
Como se estivesse sempre um passo atrás da própria vida.
O divórcio com aquela vadia, anos atrás, quase acabou com ele. Não só com o casamento — com tudo. Com a confiança, com a estabilidade, com aquela versão dele que acreditava nas coisas sem precisar desconfiar primeiro.
E eu vi. Eu vi ele cair.
E eu vi ele levantar também.


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