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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 88

Hannah Brooks

Era surreal estar ali.

Sentada à mesa de um restaurante cujo luxo beirava o intimidador, eu me via vestida de uma forma que nunca julguei possível.

As joias em meu pescoço e pulsos claramente valiam mais do que um ano inteiro do meu salário, e o vestido que eu usava parecia ter sido esculpido diretamente no meu corpo.

Porque sim, Cael Sterling não estava mentindo quando quase em tom de suplica, disse que havia planejado cada detalhe.

Ele de fato o fez.

E isso incluía a armadura de sedução que eu vestia agora: um modelo na cor bordô, de caimento fluido e impecável, que demarcava minhas curvas de modo absurdamente elegante, sem inclinar um milímetro sequer para o vulgar. Havia também os saltos - que eu secretamente odiava com todas as minhas forças, mas que sustentavam minha postura - e um conjunto de quatro peças em prata reluzente. Tudo cortesia da meticulosidade dele.

O que mais me assustava era a sua capacidade de dobrar o tempo. Quando ele me avisou que estava "tudo pronto", não era força de expressão.

Nos míseros trinta minutos em que me tranquei no banheiro para um banho rápido, Cael conseguiu conjurar, talvez de Nárnia ou de algum submundo exclusivo para bilionários, uma equipe inteira de profissionais para cuidar do meu cabelo, das minhas unhas e da maquiagem.

Por um momento, confesso que me senti uma boneca de testes nas mãos daquele esquadrão. Mas quem era eu para reclamar? Só quem não gosta de ser tratada como uma rainha se incomodaria com o caos magnânimo que aquele homem era capaz de causar quando colocava uma ideia fixa na cabeça.

Desviei os olhos da vista magnífica da cidade iluminada que se estendia bem abaixo de nós, através das imensas paredes de vidro, apenas para focar no homem sentado à minha frente. Aquele par de olhos azuis intensos e cortantes me encarava de volta, fixo, carregando um misto de curiosidade velada e algo mais... algo denso, que quase me tirou do eixo.

- Você tem um milhão de perguntas estampadas na testa... e parece estar selecionando milimetricamente qual delas vai fazer primeiro - comentei, deixando um riso fácil e descontraído escapar pelos meus lábios. - O gato comeu sua língua, chefinho?

- O que aconteceu com o "sem formalidades" que você mesma havia proposto minutos atrás? - ele rebateu, as linhas tensas de seu rosto se suavizando quando um meio sorriso provocativo brincou em seus lábios.

- Eu posso quebrar as regras, você não - respondi, sustentando o olhar e sorrindo de volta. - Mas então, Cael Sterling... quem é o homem por baixo da máscara?

Soltei a pergunta com uma lentidão calculada, medindo cada palavra para tentar não parecer curiosa demais, muito embora meu peito estivesse queimando de interesse.

Porque, sejamos sinceros, Cael era um enigma vivo. Apesar dos surtos possessivos que ele vinha demonstrando nos últimos meses em relação a todo esse circo que criamos - e que eu sequer sabia como nomear -, ele continuava sendo uma incógnita.

Não tínhamos um relacionamento, não tínhamos rótulos, mas ele sentia ciúmes e agia como se eu fosse sua propriedade exclusiva.

A audácia dele passava de qualquer limite aceitável. O homem praticamente dormia no meu quarto todas as noites. Até mesmo quando Mia estava em casa, perdi as contas de quantas vezes ouvi o clique suave da fechadura de madrugada, seguido pela silhueta esguia de Cael se esgueirando na escuridão para se deitar ao meu lado.

E agora, para completar, ele havia decidido rastrear cada passo meu. A justificativa? "Segurança nunca é demais, senhorita Brooks."

Poupe-me. Segurança é uma coisa, perseguição obsessiva é outra totalmente diferente.

- Um empresário de sucesso, dono de muitas posses e com uma conta bancária extremamente...

Cortei a frase dele antes que ele continuasse a se gabar daquela lista de futilidades corporativas e cifras astronômicas.

- A quantidade de milhões na sua conta não me impressiona, chefinho - interrompi, arqueando uma sobrancelha com um meio sorriso cínico. - Eu quero saber o que você esconde, Cael. Por trás dessa máscara de homem intocável e poderoso, quem é o Cael Sterling que se camufla atrás desses ternos sob medida e carros de luxo?

Faço uma pausa dramática, deixando a pergunta pairar no ar como um desafio. Levei a taça de vinho aos lábios devagar, saboreando o líquido encorpado e deixando o silêncio se estender o máximo possível antes de voltar a falar.

- Eu quero saber quem é o Cael que me usa de cura para a insônia. O homem que me abraça todas as noites... aquele que murmura coisas sem sentido no meu ouvido enquanto dorme.

Fixei meus olhos nos dele, sustentando o olhar sem recuar um milímetro. Pude sentir a mudança sutil na postura dele, a forma como ele me encarava de volta, quase analítico, claramente ponderando o quanto podia revelar sem entregar o controle do jogo.

- Quero saber quem é o Cael que faz todas as minhas vontades, mesmo quando parecem ir contra a sua própria natureza... - completei, deixando o desafio flutuar no espaço entre nós.

Cael girou a própria taça de vinho entre os dedos compridos, observando o movimento do líquido escuro antes de voltar a me encarar. Aquele ar familiar de superioridade e controle brincava nos cantos de sua expressão.

- É um pedido ousado, garota... - ele disse, a voz descendo para um tom mais grave, perigosamente enigmático. - O que eu ganho em troca se decidir me abrir com você? Se eu aceitar ultrapassar a linha puramente carnal que já temos e permitir que você conheça os meus demônios?

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