Cael Sterling.
Ela está magnífica.
Na verdade, essa mera palavra não chega nem aos pés do impacto que senti ao vê-la sair daquele closet mais cedo, usando o vestido que eu mesmo havia escolhido e comprado.
A expressão "serviu como uma luva" nunca fez tanto sentido quanto agora, moldada perfeitamente às curvas dela.
É claro que eu ainda não lhe entreguei o que preparei para esta tarde.
Ainda não. Pretendo presenteá-la com a joia apenas ao fim da noite. Mas, sendo honesto comigo mesmo, não é um presente de fato... está mais para um contrato que beneficiará a ambos.
Eu só espero que ela também consiga enxergar dessa forma.
A confiança dela vacila visivelmente quando estacionamos aos pés de um dos arranha-céus mais altos e imponentes da cidade. Ela está tensa; posso sentir a rigidez em sua postura.
Seus olhos verdes intensos me encaram com um brilho que beira a súplica, como quem queima por dentro para me dizer algo.
Eu sei exatamente o que ela quer dizer. Quer dizer que isso é uma loucura, que ainda dá tempo de voltarmos atrás, de fugirmos para a falsa segurança que a minha casa proporciona.
Seus dedos brincam nervosamente com o adereço em seu pulso, girando o objeto de prata como se ele guardasse o poder de aliviar toda a sua ansiedade.
- Não confia em mim? - minhas palavras ecoam baixas, íntimas, preenchendo o espaço confinado do carro enquanto pouso a mão de leve sobre sua perna, sentindo o calor da sua pele através do tecido.
- Eu não confio em mim - ela responde, desviando a atenção do pulso para fixar o olhar em mim.
Aqueles olhos verdes brilhantes são tão profundos e intensos quanto o brilho das safiras que adornam a joia que pretendo lhe dar mais tarde.
- Senhor Sterling, eu... - ela começa, a hesitação travando sua língua por um instante. - Tem certeza de que isso é uma boa ideia? Quero dizer... eu, você... bem, é só que eu não sei o que...
- Cael - interrompo, mantendo a voz calma, mas firme. - Apenas Cael esta noite. Esqueça as cordialidades, senhorita Brooks... esta noite somos apenas duas pessoas jantando e aproveitando a companhia uma da outra.
Ela parece ponderar minhas palavras por alguns segundos, absorvendo o peso do que aquilo significava, antes de finalmente quebrar o silêncio.
- Farei isso, se você fizer o mesmo - ela rebate, esforçando-se para manter o tom de voz controlado, embora o desafio brilhe em seu olhar. - Nada de "senhorita Brooks", "garota" ou "pirralha irritante". Eu sei que você me chama por esse último toda vez que o tiro do sério.
Esboço um meio sorriso, divertido com a audácia.
- Eu nunca...
- Não vale mentir, Cael - ela diz, e então sorri. É aquele tipo de sorriso que alcança os olhos, desarmado e genuíno.
Um sorriso verdadeiro.

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