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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 84

Semanas depois...

Hannah Brooks.

- Você vai realmente fingir que é a coisa mais normal do mundo o seu chefe te ligar às duas da madrugada perguntando onde você está? - A voz de Jane ecoa ao meu lado, afiada e carregada de ironia, enquanto ela gira o canudo plástico dentro do copo de refrigerante, fazendo as pedras de gelo estalarem. - Amiga, você realmente insulta a minha inteligência se acha que eu vou me contentar com essa desculpa esfarrapada.

Ela para de mexer na bebida e me encara. No canto dos lábios, surge aquele maldito sorriso de lado - o sinal universal de que ela sabe que tem mais coisa nessa historia e que não vai descansar até arrancar a verdade de mim, pedaço por pedaço.

- Eu não tenho culpa se você é paranoica e não acredita em mim - dou de ombros, forçando uma expression de tédio absoluto.

Dou um gole demorado no meu milk-shake, usando o canudo como escudo para desviar o olhar do escrutínio dela. Meus olhos vagam pela multidão que caminha sem pressa pelos corredores do shopping.

- O Theo estava febril, com o corpo mole. O Cael não é exatamente o pai mais presente ou habilidoso do mundo quando o assunto é o bem-estar do filho, e...

- Cael? - Jane me interrompe, agarrando a deixa no ar. O riso contido em seus lábios se alarga de orelha a orelha. - Interessante saber que vocês já abandonaram os pronomes de tratamento e agora são tão íntimos assim... Senhorita Brooks.

- Íntimos é o meu... deixa quieto - resmungo, sentindo minhas bochechas esquentarem contra a minha vontade.

Reviro os olhos com força, tentando espantar a imagem do rosto dele que imediatamente invade minha mente.

- Sinceramente, Jane, é sábado. Eu finalmente estou de folga e tudo o que eu menos quero nas minhas poucas horas de liberdade é falar sobre o trabalho. Ou sobre ele.

- Tá bom, tudo bem, não está mais aqui quem falou... - Ela ergue as manos em sinal de rendição dramática, mas o brilho divertido nos olhos não diminui. - Vamos mudar de assunto enquanto você finge, lindamente, que não está pegando o seu chefe gostoso...

- JANE! - Meu grito ecoa mais alto do que eu pretendo.

Algumas pessoas nas mesas vizinhas se viram para nos olhar. Sinto o sangue subir para o rosto enquanto o eco das minhas próprias palavras se mistura ao meu desespero interno e à agitação barulhenta da praça de alimentação.

O som de talheres batendo em pratos e o burburinho geral parecem sufocar o meu protesto.

Sinceramente, quem precisa de inimigos quando se tem uma melhor amiga que reconstrói cenários criminosos melhor do que qualquer detetive da polícia?

O pior de toda essa situação - e o que eu jamais admitiria para Jane - é que a culpa é quase inteiramente do meu querido chefe ranzinza.

Nas últimas semanas, as barreiras profissionais entre nós não apenas balançaram, elas pareceram desmoronar sob o peso de uma intensidade que eu não sabia como controlar.

Cael tem se tornado cada vez mais... possessivo.

Sim, essa é a palavra exata, por mais que tente suavizá-la na minha cabeça.

E o pior é a sua tática: ele vem usando o Theo de escudo em alguns de seus surtos velados, arranjando desculpas milimetricamente calculadas sobre a rotina do menino só para tentar me manter dentro daquela mansão durante todas as noites.

Pelo amor de Deus, eu amo o meu trabalho e, sendo honesta com meu próprio ego, também amo ser mimada por ele, mesmo quando ele está com aquela cara de poucos amigos que parece esculpida em mármore.

Mas eu não posso simplesmente pausar a minha vida, congelar meus vinte e poucos anos e viver trancada dentro daquelas quatro paredes douradas.

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