Hannah Brooks
Ele pragueja baixinho antes de finalmente se apoiar nos cotovelos, elevando o tronco para fixar os olhos em mim, buscando respostas na penumbra do quarto.
- O que houve? - ele pergunta, a voz falhando de leve. - Por que se afastou?
- Não estou a fim, Cael. Não quero intimidade hoje. Estou nos meus piores dias do mês, com uma cólica maldita, e simplesmente não quero...
- Não era isso que eu queria, garota - ele me interrompe, e as palavras saem pesadas, ecoando um cansaço que vai muito além do físico. Ele solta um suspiro longo. - Eu só queria...
- Queria o que, Cael? - pergunto, perdendo de vez a paciência. Deixo o celular de lado na mesa de cabeceira e viro o corpo na cama, ficando de frente para encará-lo nos olhos.
- Eu não sei... - ele desvia o olhar por um segundo, os dedos passando pelo cabelo bagunçado. - Foi um dia difícil. Um daqueles dias que drenam tudo de você. Eu só queria descansar, Hannah. Relaxar um pouco nos seus braços... e, quem sabe, roubar um pouco da sua atenção para mim.
A vulnerabilidade repentina dele me atinge, mas a irritação fala mais alto.
- Eu tentei fazer você relaxar! - digo, sentindo o tom da minha voz subir junto com a indignação. - Eu preparei a porra de um banho quente com sais para você no seu banheiro! E ao invés de simplesmente agradecer como uma pessoa normal, você agiu como um paranoico, achando que eu queria te envenenar, ou te passar a perna, ou sei lá o que passa nessa sua cabeça cheia de teorias!
O desabafo sai em um fluxo contínuo, alimentado por um misto de raiva crônica, hormônios à flor da pele por causa da TPM e um maldito sentimento estranho que aperta o meu peito e cria um nó incômodo na garganta.
- Eu até tinha planejado fazer uma massagem nas suas costas, seu brutamontes idiota... Mas não! Você tinha que ser um imbecil arrogante e estragar tudo.
Descarrego toda a minha frustração nele, a respiração curta. Cael me encara em silêncio por alguns segundos, processando o meu surto e a menção à massagem e aos sais.
A expressão dele muda da defensiva para uma compreensão quase resignada.
Sem dizer uma única palavra de tréplica, ele simplesmente j**a a coberta para o lado e se levanta da cama.
- Tudo bem. Eu vou buscar os chocolates - ele diz, a voz incrivelmente calma.
Ele caminha até a porta, destranca o ferrolho e sai do quarto em seguida, fechando a porta atrás de si e me deixando ali, sentada na cama, flutuando na minha própria indignação e falando sozinha.
Olho para a porta fechada, piscando atordoada. É pecado mortal matar o próprio chefe e depois jurar de pé junto para o delegado que ele tropeçou sozinho e caiu da escada? Porque, honestamente, eu estou muito tentada a realizar tal experimento.
》☆☆☆☆☆☆《
Cael Sterling.
Abro a porta do maldito frigobar no canto do meu quarto, o som magnético da borracha se soltando ecoando no silêncio do cômodo. Lá dentro, encontro as duas barras de chocolate que eu mesmo havia comprado e deixado estrategicamente ali essa tarde, antecipando o humor dela.
Pego os doces, bato a porta com um pouco mais de força do que o necessário e paro por um segundo, estático no meio do quarto escuro. Passo as duas mãos pelo rosto e puxo os cabelos para trás, sentindo a frustração crescer dentro do meu peito como um incêndio difícil de controlar.
Como diabos eu poderia prever que ela estava tentando ser carinhosa?
Merda.
Hannah Brooks é tudo na vida, menos uma mulher carinhosa.

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