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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 79

Cael Sterling.

Eu tenho quase certeza de que, se existisse um prêmio mundial para o pior pai do ano, eu ganharia o primeiro lugar sem precisar fazer o menor esforço.

E o pior de tudo? O que realmente me incomoda de uma forma genuína e preocupante não é o título em si, mas o fato de que eu provavelmente mereço cada grama dele.

Em uma quarta-feira normal, uma tarde perfeitamente comum, eu estaria exatamente onde deveria: no topo do meu império.

Estaria trancado na minha sala na Sterling Corp, revisando relatórios mensais meticulosos, aprovando novos projetos multimilionários ou, na maioria das vezes, recusando propostas absurdas que alguns dos meus sócios insistem em empurrar goela abaixo.

Ou, quem sabe, eu estaria no comando de uma sala de reuniões lotada até a tampa de acionistas, diretores e todo tipo de sanguessuga corporativo que você possa imaginar.

Eu estaria sentado lá, em silêncio, observando-os discutir entre si sobre mudanças estruturais que jamais seriam feitas, pelo simples motivo de serem ridículas o suficiente para fazer a minha empresa queimar rios de dinheiro sem qualquer garantia de retorno.

Em suma: eu estaria fazendo, ou pelo menos tentando fazer, algo que eu considerasse minimamente útil e importante.

Mas não. Ao invés de estar no controle do meu mundo, eu me encontro neste exato momento confinado em um enorme, barulhento e claustrofóbico espaço infantil. Há brinquedos de cores berrantes e plásticos vagabundos para absolutamente todos os lados que olho, e uma horda de crianças correndo e berrando a plenos pulmões, como se a porcaria de suas vidas dependesse daquele nível de decibéis.

Dois mascotes ridiculamente fantasiados passam correndo à minha frente, sufocando no calor daquelas cabeças de espuma barata, enquanto um grupo de umas dez crianças os persegue implacavelmente com macarrões de piscina em punho.

Sinceramente, um ser humano precisa estar muito desesperado por um salário para aceitar um emprego em um lugar como este.

A comida é simplesmente horrível - gordurosa, fria e com gosto de arrependimento.

A música de fundo é uma tortura psicológica em looping, irritante o suficiente para quebrar o espírito de qualquer homem.

As crianças não parecem humanas; parecem miniaturas de criaturas demoníacas, correndo e gritando sem qualquer vestígio de controle de um lado para o outro.

E os pais presentes? Bem, eles parecem ter desistido da vida e da própria dignidade há muito tempo, exibindo olhares vazios enquanto encaram o nada.

Para melhorar a situação, eu tenho a certeza absoluta de que irei pelejar de forma homérica para conseguir encontrar o Theo quando for a hora de ir embora. Afinal, em um momento de pura negligência, eu simplesmente o soltei no meio da multidão e o deixei ir brincar.

Como eu disse, eu poderia estar fazendo coisas infinitamente mais importantes do que perder o meu precioso tempo neste verdadeiro purgatório na Terra. Mas então, a pergunta que martela a minha mente é: por que diabos eu estou aqui, se claramente não foi por livre e espontânea vontade?

A resposta é dolorosamente simples: porque o meu desespero absoluto por uma noite de sono decente me fez prometer algo que eu não tinha a menor intenção de cumprir.

Tudo porque eu dei liberdade demais para a nova babá do meu filho. Aquela garota conseguiu virar a minha vida perfeitamente organizada de ponta-cabeça em menos de dois meses. E onde ela está agora, enquanto eu suporto este inferno? A essa hora, ela está confortavelmente enrolada nos lençóis da minha cama, apagada, depois de ter devorado uma caixa inteira de chocolates caros e ter se dopado com comprimidos para cólica ou seja lá o que for.

E eu estou aqui. Sentado no meio do caos, repensando cada uma das minhas ações e todas as minhas péssimas escolhas de vida.

Porque, sinceramente, eu já não tenho mais tanta certeza se vale a pena continuar mantendo esse...

- Tá na cara que você não queria tá aqui, irmão. Mas poderia ao menos disfarçar a cara de bunda.

- A voz arrastada de David corta abruptamente o fluxo dos meus devaneios.

Pisco algumas vezes, forçando a minha mente a voltar para a realidade hostil da mesa de plástico. Sinto minhas feições endurecerem ainda mais e fecho o semblante, encarando-o com os olhos semicerrados, transbordando o mais puro sarcasmo.

- Por que eu disfarçaria? É muito divertido sentar nessas cadeiras milimetricamente desconfortáveis, tomando esse lixo industrializado e comendo essa porcaria que eles chamam de lanche, já que ninguém aqui parece saber fazer algo que preste - digo com a voz firme, cortante, enquanto encaro com profundo desprezo o copo de limonada aguada à minha frente. - Por que diabos esse lugar não vende a porcaria de uma bebida alcoólica?

- Talvez por ser um estabelecimento voltado estritamente ao público infantil - David responde, soltando uma risadinha exasperada e falando como se estivesse explicando o alfabeto para uma criança, como se aquela fosse a coisa mais óbvia do mundo. - Além do mais, não sei por que você está tão frustrado. Foi você quem insistiu que queria acompanhar a mim e ao Henry hoje.

Ele faz uma pausa dramática. Seus olhos se estreitam brevemente enquanto ele analisa o meu rosto, escaneando minhas expressões como se estivesse buscando uma peça que faltava em um quebra-cabeça.

- E por falar nisso... o que diabos deu em você para tirar uma tarde inteira de folga do seu precioso escritório? E onde está a babá do Theo? - ele pergunta, a curiosidade brilhando em seu olhar de forma quase irritante. - Não me diga que já demitiu a garota? Eu sei que você repetia que ela era meio irritante, palavras suas, mas...

- Está doente - o interrompo bruscamente, cortando a frase dele no meio antes que ele comece a criar suas próprias teorias mirabolantes. - A garota simplesmente decidiu adoecer no pior momento possível e me deixou com toda a responsabilidade pelo Theo.

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