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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 77

Não consegui evitar. Desabei e caí na gargalhada outra vez, jogando a cabeça para trás. O Theo era simplesmente impossível, um ícone incompreendido.

- Meu Deus... Eu daria absolutamente qualquer coisa para ter visto a cara de desespero e o colapso mental daquelas professoras puritanas...

- Eu posso lhe contar em detalhes o que aconteceu, sua irresponsável do caralho - a voz de Cael ecoou baixa, rouca, e a fúria incandescente nos seus olhos escuros começou a se transformar em algo muito mais denso e perigoso. - Eu fui arrancado de uma reunião multimilionária, senhorita Brooks. Fui obrigado a ir até lá para levar uma advertência verbal de uma diretora moralista como se eu fosse um maldito adolescente delinquente. E agora, presumo que metade dos funcionários daquela instituição de elite tenha a absoluta certeza de que eu sou a porra de um pervertido aristocrata que anda por aí ostentando um pau de borracha verde-limão.

- Olha, o que eu posso dizer? - comentei com uma calma ultrajante, ajeitando-me no colchão enquanto continuava a encará-lo com deboche. - O Theo deve ter entrado no meu closet e pego o Damon enquanto eu estava no banho, e depois escondeu na bolsa de rodinhas. Além do mais, eu achei que você tivesse verificado os pertences dele antes de saírem.

- Esse é o seu trabalho! - ele disparou, gesticulando com o brinquedo erótico como se aquela negligência fosse o crime mais absurdo já registrado na história da humanidade.

- E seria, se você não tivesse bancado o pai controlador e tomado a frente de tudo essa manhã - retruquei calmamente.

Levantei-me da cama com movimentos deliberadamente lentos e sinuosos, encurtando a distância entre nós em poucos passos até parar bem diante dele.

- Cada um com os seus problemas, chefinho. Agora, se você puder me devolver o meu brinquedo, eu agradeço... Ele tem um valor sentimental inestimável para mim.

Deixei um breve riso provador escapar entre os lábios, e os olhos de Cael se estreitaram tanto que se transformaram em duas fendas sombrias. O ar entre nós pareceu perder o oxigênio em um piscar de olhos.

- Você realmente acha, de verdade, que eu vou deixar barato a humilhação pública que passei por sua causa, senhorita Brooks? - a voz dele ressoou absurdamente baixa, arrastada, quase como uma ameaça velada que reverberou direto no meu estômago.

Antes que eu pudesse formular qualquer resposta sarcástica, Cael eliminou o último centímetro de distância que nos separava.

Em um movimento rápido e preciso de puro reflexo dominador, o braço livre dele envolveu a minha cintura com força, puxando-me sem o menor rastro de sutileza contra a rigidez do seu corpo coberto pelo tecido caro do terno.

- Eu quero algo em troca, garota... - ele murmurou, a voz grave vibrando contra o meu ouvido enquanto seus lábios deslizavam perigosamente perto da pele exposta do meu pescoço, deixando um rastro quente de tensão pura.

Revirei os olhos, soltando um suspiro audível. Sério, eu não estava com a menor paciência para aqueles joguinhos psicológicos e flertes carregados de ameaças corporativas bem na hora em que o bicho estava pegando em The Originals.

Merda, eu estava perdendo a melhor parte da minha série.

- Tá bom, Cael, eu deixo, que saco - cedi, afetando uma total falta de paciência e batendo de leve no peito dele. - Você pode ficar com o Damon para você, ok? Não precisa me devolver. Pode guardar de recordação, mas eu vou querer outro idêntico na minha mesa até amanhã.

O magnetismo agressivo dele quebrou na hora. Cael piscou algumas vezes, paralisado, como se o cérebro dele tivesse entrado em curto-circuito e ele não fosse capaz de processar a magnitude do descaramento da frase que eu havia acabado de proferir.

Observei de perto quando ele puxou o ar lentamente pelo nariz, tentando manter a sanidade. Seus olhos gélidos e cortantes focaram fixamente nos meus...

Havia uma intensidade absurda e sufocante brilhando naquelas pupilas escuras, uma eletricidade perigosa que, pela primeira vez no dia, eu não saberia discernir se era puro desejo de me esganar ou de me prender de vez contra aquela cama.

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