Cael Sterling
Eu tenho quase certeza de que já posso começar a cogitar, seriamente, a possibilidade de me jogar do topo da CN Tower.
Talvez a queda livre de mais de quinhentos metros seja a única forma eficaz de aplacar a vergonha avassaladora que está ameaçando implodir o meu peito neste exato momento.
Porque, sejamos honestos: nada, absolutamente nada no mundo te prepara para receber uma ligação da secretaria da escola do seu filho, em plenas dez horas da manhã, informando que o garoto havia levado a porra de um vibrador para a sala de aula.
E o pior? Ele não apenas levou o objeto, como passou o recreio inteiro correndo atrás dos colegas, brandindo aquele troço no ar e gritando a plenos pulmões que havia encontrado uma maldita "espada especial".
Porra.
O meu chão sumiu bem ali, no meio daquela sala de reuniões corporativas, diante de acionistas que fingiam não prestar atenção ao meu colapso silencioso.
E como humilhação pouca é bobagem para o meu histórico recente, cá estou eu. Sentado na cadeira desconfortável do escritório da diretoria, tolerando um sermão moralista como se eu fosse um adolescente pego fazendo merda na esquina, e não um dos homens mais poderosos e temidos do país.
Tudo pelo fato imperdoável de ter "permitido" que meu filho de apenas três anos tivesse contato com um objeto tão escandalosamente inapropriado.
- Entendo perfeitamente a sua preocupação, senhorita Abernathy, e torno a reforçar que tomarei as medidas cabíveis para que tal... incidente jamais volte a se repetir - digo, modulando a voz com a firmeza gélida de quem negocia impérios multimilionários. - Estou disposto, inclusive, a fazer uma doação extremamente generosa para esta instituição, para que possamos enterrar esse assunto de uma vez por todas. Garanto que medidas serão tomadas.
A menção a uma quantia de dígitos expressivos parece ser o santo remédio para aplacar a fúria puritana da mulher à minha frente. Até porque, no fim das contas, o dinheiro move o mundo, e a moralidade dessa escola particular de elite não seria uma exceção à regra.
- Pois bem, senhor Sterling. Mediante a sua postura tão... generosa e compreensiva, iremos dar este acontecimento por encerrado - ela responde, os olhos brilhando sutilmente com a satisfação do suborno legalizado. - Apenas peço que o senhor esteja mais atento ao pequeno Theodore. Ele é um garoto inteligente demais para a própria idade, e certos estímulos podem ser prejudiciais ao seu desenvolvimento a longo prazo.
Ela continua a despejar mais algumas recomendações pedagógicas, mas eu simplesmente desligo.
Não dou a mínima para o que ela está dizendo, pois minha mente já viajou para bem longe dali. Mais especificamente, para aquela maldita garota irresponsável que tem a audácia de deixar esse tipo de... obscenidade espalhada pelo quarto.
A raiva que ferve no meu sangue, ditando o ritmo acelerado dos meus batimentos, me diz que sou plenamente capaz de cometer um assassinato antes do meio-dia.
E a vítima, com toda a certeza, será a babá do meu filho.
- Já que resolvemos o impasse, preciso retornar urgentemente à minha empresa - anuncio, levantando-me em um movimento fluido e ajustando as lapelas do meu blazer sob medida. - Até breve, senhorita Abernathy.
Estendo a mão em um cumprimento puramente formal. Apertamos as mãos, viro-me de costas e dou o primeiro passo em direção à liberdade. Estou a centímetros de cruzar o portal daquela sala quando a voz da diretora ecoa, cortando o ar antes que eu consiga escapar.
- Eu creio que o senhor se esqueceu de algo, senhor Sterling - a voz dela ressoa, dessa vez carregada de um constrangimento palpável. - Este... objeto não pode permanecer nas dependências da escola. Sugiro que o leve consigo.
Respiro fundo, fechando os olhos por um segundo inteiro para controlar o mistério de fúria e humilhação que ameaça quebrar minha máscara de frieza. Eu me viro devagar, encarando a diretora e, em seguida, fixando os olhos naquele troço repousado sobre a mesa de madeira maciça.
- É claro, senhorita Abernathy. Irei levá-lo e farei questão de entregá-lo pessoalmente às mãos da dona - respondo, forçando cada corda vocal a soar sob absoluto controle.
Avanço, agarro o objeto com mais força do que o necessário, dou meia-volta e saio da sala, batendo a porta atrás de mim com um estrondo seco.
Enquanto queimo o piso dos corredores da escola com passos largos, sinto os olhares curiosos queimando minhas costas. Pior do que os olhares são os sussurros e as risadas mal disfarçadas de alguns professores e funcionários que cruzam o meu caminho.
E, sinceramente? Eu não tiro a razão deles.
Afinal de contas, não é todo dia que se testemunha um dos magnatas mais influentes do país caminhando pelo corredor de uma escola infantil, ostentando a porra de um consolo de borracha verde-limão em uma das mãos como se fosse um troféu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo