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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 74

Hannah Brooks

Sejamos sinceramente honestos: eu conheço o muito bem o minihumano que eu cuido. Eu não preciso - e definitivamente não quero - que ele decida vasculhar ali e acabe pegando algo que não deveria, gerando uma situação que me faria querer cavar um buraco até o Japão.

Sigo a passos largos para o closet, separo a primeira muda de roupa decente que encontro pela frente e me tranco no banheiro.

Faço a minha rotina matinal literalmente correndo. Escovo os dentes como se estivesse competindo nas Olimpíadas da higiene bucal, jogo água gelada no rosto para ver se o resto do meu cérebro finalmente acorda e me visto em tempo recorde.

Mas, no segundo exato em que coloco os pés para fora do banheiro, o quarto está em um silêncio sepulcral.

O canto mais limpo do mundo. Nenhum som de risada, nenhuma agitação na cama. Apenas a TV ligada.

Sabe quando b**e aquele pequeno desespero cego? Aquele frio na espinha que toda babá ou mãe conhece muito bem porque você se lembra, tarde demais, do quão perigosamente curiosas as crianças conseguem ser... e percebe que cometeu o erro crasso de deixar a porta do closet escancarada.

Pronto. O cenário do desastre estava desenhado na minha mente.

Senti meu corpo congelar instantaneamente, o sangue sumindo do meu rosto.

Corro para dentro do pequeno cômodo com o coração na boca, esperando encontrar minhas maquiagens destruídas ou meus sapatos espalhados, mas... tudo parece perfeitamente no lugar. Theo não está ali. Solto o ar que nem sabia que estava prendendo, dou uma passada rápida de pente nos cabelos para aplacar o visual de quem sobreviveu a um naufrágio e saio do quarto de uma vez, puxando o garotinho pela mão.

Tranco a porta atrás de mim e começamos a descer as escadas. Enquanto seguro seus dedinhos firmes nos meus, faço um lembrete mental urgente: eu preciso seriamente conversar com o pai desse minihumano e avisá-lo de que não é uma boa ideia - sob hipótese alguma - deixá-lo subindo e descendo esses degraus sozinho, sem a menor supervisão.

Qualquer cuidado é pouco quando se tem um pequeno furacão categoria cinco morando dentro de casa.

No andar de baixo, o aroma acolhedor e perfeitamente adocicado de panquecas recém-feitas, misturado ao chiado de algo mais ainda no fogo, age como um imã, me atraindo diretamente para a cozinha. Paro bem na entrada, segurando o ímpeto de entrar com tudo, e apenas me encosto na divisória de madeira do cômodo, tentando processar a visão.

Observo a cena com uma atenção quase científica. Ali está o grande, o temido, o implacável Cael Sterling. Mas ele não está usando aquele maldito terno sob medida, perfeitamente ajustado e blindado que ele exibe no escritório.

Em vez disso, ele veste roupas absurdamente casuais - uma camisa polo que molda seus ombros largos e calças escuras -, tudo isso devidamente protegido por um avental de cozinha enquanto ele mexe em uma panela.

Certo. É uma cena completamente inesperada.

Um choque cultural para o meu sistema.

E, por que diabos, em nome de tudo o que é sagrado, aquela calça casual consegue deixar a bunda do meu chefe parecer tão absurdamente atraente logo cedo?

Sacudo a cabeça com força, tentando espantar aquele emaranhado de pensamentos "inadequados " que insistia em se instalar logo de manhã.

Respiro fundo, ajeito a postura e finalmente cruzo o batente da cozinha.

A primeira cena que me depara é quase cômica.

Theo está perfeitamente encaixado em sua cadeirinha de alimentação, diante de um prato transbordando de panquecas que parece ser cinematicamente maior do que ele.

O meu mini humano favorito, ignora solenemente os talheres, usando as próprias mãozinhas para devorar o café da manhã. Há calda de chocolate por toda parte: nas bochechas, no nariz e lambuzando o rosto inteiro em uma pintura de pura satisfação infantil.

- Eu, no seu lugar, teria deixado ele comer primeiro antes de colocá-lo no uniforme escolar - comento em um tom falsamente casual, cruzando o piso frio em direção à geladeira. - Você realmente vai ter uma bela surpresa quando ele terminar de comer.

- Bom dia para você também, senhorita Brooks - a voz grave dele ressoa pelo ambiente. Cael continua de costas para mim, perfeitamente postado em frente ao fogão, concentrado em alguma alquimia culinária que ainda não consigo identificar, mas cujo aroma já está absolutamente divino, impregnando o ar. - Para sua informação, meu filho é inteligente o suficiente para saber se limpar sem...

- Eu não tenho dúvidas de que ele é inteligente, senhor Sterling - interrompo, deslizando pelo espaço com um meio sorriso. - Eu só estou dizendo que vesti-lo com a farda da escola, impecavelmente branca, antes de um café da manhã regado a panquecas e calda escorrendo, é pedir por um desastre de proporções épicas.

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