Cael Sterling.
O silêncio na sala de reuniões do quadragésimo andar da Sterling Corp era o tipo de silêncio que custava caro.
Olhei ao redor da mesa de mogno, observando os rostos pálidos e suados dos diretores da nossa nova filial europeia.
Eles sabiam que eu não tolerava mediocridade. E o relatório de expansão que haviam acabado de me apresentar era a definição exata de medíocre.
Ajustei as abotoaduras de platina do meu terno sob medida, recostando-me na cadeira de couro. As paredes de vidro revelando o horizonte cinzento de Toronto, mas toda a minha atenção estava focada no homem trêmulo na ponta da mesa, tentando justificar uma projeção de lucros patética para o próximo trimestre.
- Então, o que você está me dizendo, Collins... - comecei, minha voz saindo baixa, fria, cortante como uma lâmina de gelo. O homem engoliu em seco. - É que os analistas da Sterling Corp em Londres foram incapazes de prever uma oscilação óbvia de mercado? E você espera que eu assine um cheque de cinquenta milhões de dólares para financiar essa incompetência?
- Senhor Sterling, nós... nós fomos surpreendidos pelas novas taxas alfandegárias e...
Levantei uma única mão, e Collins calou-se imediatamente. O poder da Sterling Corp não havia sido construído com base em desculpas.
Eu gerenciava aquele império com lógica implacável, sem espaço para falhas. Ninguém me desobedecia. Ninguém quebrava minhas regras.
Bem, quase ninguém.
Involuntariamente, uma imagem incômoda invadiu minha mente. Uma garota de cabelos rebeldes, vestindo um pijama ridículo e confortável, sentada na bancada da minha cozinha poucas horas atrás, me chamando de "animal" e "velho ranzinza" enquanto comia do bacon que eu preparei me fazia de palhaço com um golpe mental sobre cartões de crédito.
A irritação misturada a uma tensão perigosa e familiar se acendeu no meu peito. Hannah Brooks era uma anomalia no meu sistema perfeito. Uma pirralha atrevida que eu precisava urgentemente colocar em seu devido lugar.
Sacudi sutilmente a cabeça, espantando a distração. Eu estava no meio de uma fusão internacional, pelo amor de Deus. Não era o momento de pensar no cheiro de rosas do sabonete da babá do meu filho.
- Vocês têm até o final do dia para refazer toda a estrutura de risco da filial de Londres - ordenei, fixando meus olhos nos de Collins até que ele desviasse o olhar, intimidado. - Caso contrário, farei questão de pessoalmente assinar a demissão de cada um de vocês nesta mesa. Estamos entendidos?
Uma onda de acenos de cabeça frenéticos respondeu ao meu comando. Satisfeito com o controle absoluto que eu exercia naquele lugar, voltei meus olhos para a tela do meu notebook.
Foi exatamente nesse milésimo de segundo que o meu celular particular, posicionado ao lado do teclado, começou a vibrar contra a mesa.
Franzi o cenho. O visor brilhava com o nome da prestigiada escola particular de Toronto onde eu deixara Theo pela manhã.
Normalmente, eu ignoraria qualquer interrupção em horário de reuniões de alta liderança, mas quando se tratava do meu filho, eu não corria riscos. Meu peito se apertou com um vislumbre sutil de preocupação.
Será que ele havia caído no parquinho?
Alguma febre repentina como a de meses atrás?
- Com licença - anunciei de forma seca, estendendo a mão e pegando o aparelho.
A mesa inteira permaneceu imóvel, segurando a respiração enquanto eu deslizava o dedo pela tela e levava o celular ao ouvido, mantendo minha melhor postura imperial e a voz firme de um bilionário intocável.
- Cael Sterling falando.
- Senhor Sterling? Graças a Deus conseguir falar com o senhor. - a voz da diretora pedagógica, a senhora Abernathy, do outro lado da linha, não parecia preocupada.
Parecia... completamente horrorizada e terrivelmente constrangida.
- Aqui é da coordenação da St. Jude. Peço desculpas por interromper seu dia de trabalho, tentamos contato com o número da babá do Theo em nossos arquivos, mas não obtivemos sucesso... a pouco, houve uma uma situação delicada envolvendo o pequeno Theodore.
Minhas costas se ergueram instantaneamente na cadeira, os músculos do meu pescoço tensionando.
- O que aconteceu? - perguntei, minha voz endurecendo, atraindo os olhares assustados dos diretores na sala. - Theo está bem? Ele se machucou?

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