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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 70

Boa leitura gente, e não esqueçam de comentar. 😍😍

Hannah Brooks.

Respirei fundo, sentindo o peso da ansiedade se instalar exatamente por saber o que viria a seguir. Mas, antes que eu pudesse esboçar qualquer reação ou comando, Theo saltou do sofá como uma mola.

Suas perninhas rápidas correram em direção à cozinha, apontando direto para a porta interna que dava acesso à garagem.

- Theo, espera! - exclamei, sem pensar muito.

Joguei a manta pesada de lado de qualquer jeito e disparei atrás dele, impulsionada por um instinto puramente defensivo, tentando evitar um choque de realidade que nem eu mesma saberia descrever.

Meus passos foram rápidos, as pantufas derrapando levemente no piso. No exato milésimo de segundo em que alcancei os limites da cozinha, a porta pesada da garagem foi empurrada.

A figura que surgiu diante de mim me fez travar no lugar.

Era Cael Sterling. Mas não o robô corporativo de sempre.

Ele parecia completamente desgrenhado. Estava sem a gravata de seda, o blazer caro de alfaiataria havia sumido e os dois primeiros botões de sua camisa social branca estavam abertos, revelando a base do pescoço e uma postura exausta.

Mas o que me sobressaltou foram seus olhos. Eles estavam injetados de uma intensidade crua, algo que eu facilmente classificaria como uma raiva contida, ou talvez pura frustração.

Aquelas órbitas gélidas passearam por mim imediatamente, varrendo cada centímetro do meu corpo em um escaneamento rápido e possessivo, como quem buscava desesperadamente por qualquer indício de que eu estivesse vestida para sair, de que eu estivesse prestes a ir a algum lugar longe dele.

Contudo, tudo o que o grande CEO encontrou foi a visão mais doméstica possível: eu, usando um suéter de lã verde-musgo absurdamente largo, calças xadrez confortáveis e pantufas de coelho nos pés. Para completar o visual "alta costura", meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo frouxo e bagunçado.

- Papaiiii! - A vozinha aguda e repleta de uma animação pura ecoou no silêncio tenso da cozinha, quebrando instantaneamente o transe magnético entre nós e atraindo a atenção de ambos.

Theo correu até ele, os olhinhos brilhando.

- Olha, Nana, o papai chegou!... Ele chegou!... Ele veio, Nana, ele veio!

A euforia genuína e transbordante na voz do Theo me fez segurar a respiração. Meu coração se apertou tanto que doeu. Lentamente, meus olhos se voltaram para Cael de maneira quase suplicante.

Eu estava, sem palavras, implorando para que o homem de gelo não partisse o coração do próprio filho naquele momento. Implorando para que o cansaço do trabalho não o fizesse ser frio com a única pessoa que o via como um herói.

- Ei, campeão - Cael se recuperou com uma rapidez impressionante. A dureza em sua expressão derreteu em um segundo enquanto ele se abaixava, pegando Theo no colo e o erguendo com facilidade em um abraço firme. - Desculpa a demora... O papai estava salvando o mundo hoje.

Ele usou um tom muito mais doce, uma oitava abaixo de sua voz firme de negócios. Uma de suas mãos grandes e bem-cuidadas subiu para bagunçar os cachinhos loiros e limpos do Theo.

Soltei lentamente o ar que eu nem sabia que estava prendendo. Fiquei apenas ali, estática, encarando a cena do Theo agarrando o pescoço do pai com toda a força do mundo, radiante, esbanjando a felicidade que eu tanto havia tentado proteger.

De repente, por cima do ombro do filho, os olhos azuis e gélidos de Cael cravaram nos meus. Foi um segundo.

Um único segundo suspenso no tempo que pareceu queimar, carregado de um significado que ia muito além do que suas palavras orgulhosas jamais lhe permitiriam admitir.

Um agradecimento silencioso? Ou algo mais?

Recuei um passo, me mantendo discretamente no canto da cozinha enquanto observava a dinâmica deles. Theo deslizou dos braços do pai, pousando os pés no chão, e imediatamente agarrou a mão dele, puxando-o com insistência em direção à porta de inox da geladeira.

Ele começou a tagarelar sem parar, apontando para o desenho com asas que havíamos pendurado ali mais cedo, explicando com detalhes a "missão" que o pai tinha acabado de cumprir.

Com uma animação contagiante, o garotinho arrastou Cael pela mão direto para a sala de estar, apontando para os gizes de cera espalhados e pedindo de joelhos para que o pai desenhasse com ele ali, perto do fogo. Eu observei tudo de longe.

Vi o exato momento em que Cael hesitou, o peso do cansaço parecendo puxar seus ombros.

Mas ele olhou para o Theo. E concordou logo em seguida. Cael deu um meio sorriso e disse ao menino que iria apenas subir até sua suíte para tomar um banho rápido, tirar a roupa de trabalho e que voltaria correndo para sentar no chão e desenhar com ele.

Antes de dar as costas e subir as escadas, os olhos dele me buscaram mais uma vez. Um último olhar firme, intenso, que deixou um rastro de eletricidade no ar antes que sua figura sumisse no andar de cima.

Aproveitei a brecha para respirar e focar no meu trabalho. Fui até a cozinha e comecei a servir o jantar quentinho que Mia havia mandado para o Theo.

Meu pequeno batia os pés na cadeira, absolutamente eufórico, transbordando uma felicidade pura só porque, finalmente, passaria a noite brincando com o pai.

》☆☆☆☆☆《

22h00.

Saio do banheiro já vestindo o pijama que separei. Theo pegou no sono há algum tempo, por volta das oito ou nove da noite, o que me permitiu deixar o quarto dele e retornar para o meu.

Passei praticamente a última hora imersa na banheira aquecida, permitindo que meu corpo relaxasse e esquecesse, nem que fosse por um instante, a correria do dia de hoje.

Meus olhos focam na figura de Cael, sentado à beira da minha cama.

Ele usa uma calça de moletom e uma camisa de algodão cinza. Os cabelos estão bagunçados e o semblante é abatido, mas os ombros continuam rígidos, imponentes, apesar do cansaço. Seu olhar foca em mim de maneira quase automática.

Banhado pela meia-luz do quarto, ele consegue parecer ainda mais... atraente.

Mas eu estaria mentindo se dissesse que estou a fim de fazer qualquer coisa hoje que não seja me enterrar debaixo dos lençóis e simplesmente apagar.

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