Entrar Via

A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 68

Cael Sterling.

Ao passar pela mesa, meus olhos bateram na pilha de documentos que eu deveria assinar até meia-noite. Em um acesso de fúria cega, passei o braço com força pela superfície de mogno, jogando pastas, relatórios e canetas direto no chão. O som dos papéis se espalhando pela sala foi o único aviso de que o Cael Sterling controlado e frio havia deixado o prédio.

​Cruzei a porta dupla do meu escritório como um predador encurralado. Os corredores do andar da diretoria já estavam na penumbra, mas a minha secretária executiva ainda revisava algo na mesa dela.

Ao me ver passar como um furacão, ela se sobressaltou, ajeitando os óculos, assustada com a energia caótica que eu emanava.

​- Senhor Sterling? O a reunião com a filial em New York é em alguns minutoa e os contratos da... - Ela começou, a voz trêmula cortando o silêncio.

​- Cancele tudo. - Rosnei, sequer diminuindo o passo a caminho do elevador privativo. - Não estou para ninguém pelas próximas vinte e quatro horas. Se alguém me ligar, diga que eu morri.

​- Mas senhor, a fusão...

​A porta de metal do elevador se fechou antes que ela pudesse terminar, engolindo a voz dela e me deixando sozinho com o meu próprio inferno. O espelho do elevador devolvia a imagem de um homem que eu mal reconhecia: cabelo desalinhado, os primeiros botões da camisa social abertos, as pupilas dilatadas de puro ódio.

​Eu ia para casa. E se aquela diaba estivesse cruzando a porta daquela mansão, eu a trancaria naquele quarto nem que fosse a última coisa que eu fizesse na porra da minha vida.

》☆☆☆☆《

O elevador privativo não abriu rápido o suficiente. As portas de metal pareceram levar uma eternidade para se arrastarem no subsolo do prédio, e o som dos meus sapatos ecoando pelo concreto do estacionamento era o único ritmo que minha mente caótica conseguia processar.

Eu joguei o paletó no banco do passageiro da Mercedes e ligo o motor. O ronco potente costuma me acalmar em dias comuns, mas hoje ele só serve de trilha sonora para a irritação que cresce dentro de mim.

Volto o olhar para o relogio no painel.

17h50

Inferno.

Eu conheço Toronto o suficiente para saber que cruzar a cidade a essa hora é como cometer um suicídio logístico, mas a fúria me cega.

Manobrei com brutalidade, os pneus cantando no piso polido do estacionamento, e embiquei em direção à saída, direto para a Gardiner Expressway.

O impacto com a realidade veio em menos de dois minutos.

Assim que as rodas tocaram a avenida, fui obrigado a parar. Literalmente aparei.

Um mar de luzes vermelhas de freio se estendia até onde a vista alcançava, uma massa compacta de metal, fumaça e trabalhadores exaustos que pareciam se arrastar na velocidade de um rastejo fúnebre.

A velocidade média no centro não passava dos 15 km/h, e cada segundo preso atrás de um maldito táxi ou de um bonde da TTC que bloqueava o cruzamento fazia meu estômago revirar.

- Anda, porra! - esmurrei o volante, a buzina ecoando estridente dentro do SUV isolado acusticamente.

Ninguém andou. O trânsito de Toronto às cinco da tarde não se importa com quem eu sou, com quantos milhões eu tenho na conta ou com a urgência da minha possessividade. Para a Gardiner, eu era apenas mais um idiota preso no gargalo.

O ar-condicionado estava no máximo, mas o suor frio descia pela minha nuca. Abri mais um botão da camisa, sentindo o tecido sufocar meu pescoço.

Olhei pelo vidro lateral: os pedestres caminhavam mais rápido na calçada do que o meu carro de mais de cem mil dólares. Um bando de engravatados com copos de café na mão, alheios ao fato de que, a poucos quilômetros dali, uma garota de vinte e poucos anos estava prestes a arruinar a minha vida.

Minha mente projetava a foto daquela calcinha preta contra o para-brisa. O contraste da renda na pele pálida dela parecia gravado a ferro quente nas minhas retinas.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo