Cael Sterling.
O brilho do celular sobre a mesa de mogno era como um farol de insônia.
Eu tentava focar nos números, nos gráficos de desempenho das filiais europeias, em qualquer coisa que justificasse o título de CEO que carrego.
Mas ela não permitia. Maldita garota parece não conhecia a palavra "limites"
"Queria tanto um daqueles chocolates importados."- Babá do Theo.
Eu ignorei. Apertei a caneta entre os dedos, sentindo a ponta de metal quase ceder.
"Chefinho, se eu te der um beijo... você me adianta duzentos dólares?"- Babá do Theo.
Meus dentes se trancaram. O sarcasmo dela era uma navalha afiada, cortando minha autoridade camada por camada.
"Que tédio... 😏🔥"-Babá do Theo.
"Será que eu fico bem de preto ?🤔🤔" - Babá do Theo.
A última notificação não veio sozinha.
O arquivo de visualização única estava lá, esperando para ser o estopim do meu desastre pessoal. Quando meus dedos tocaram a tela, o mundo ao redor sumiu. Era uma foto.
Uma daquelas lingeries minúsculas, uma renda preta tão fina que parecia uma afronta, criando um contraste obsceno contra a sua pele pálida. Os cabelos caíam soltos, como cascatas escuras moldando o corpo que eu vinha tentando, inutilmente, apagar da minha memória.
Um calor violento tomou conta de mim imediatamente. Como era possível? Como alguém conseguia a proeza de ficar tão absurdamente gostosa vestindo quase nada?
Engulo em seco, observando aquela imagem, era como está tão perto do prêmio que se deseja e tão longe ao mesmo tempo.
Arranco minha gravata com um movimento brusco, jogando-a em algum lugar sobre a papelada inútil.
Minha paciência já tinha ido pelo ralo há séculos, bem antes da minha sanidade.
E essa também já me abandonou.
Minha mesa esta um caos - relatórios, contratos, decisões de milhões de dólares que precisavam da minha atenção. Mas como diabos eu vou prestar atenção em números quando o sinônimo da tentação encarnada decidiu que o esporte favorito dela hoje seria testar meus limites?
Essa garota quer me enlouquecer, porra. E o pior é que ela está conseguindo com uma facilidade assustadora.
"Te mando mil dólares se me deixar dormir no seu quarto essa noite, ou se topar dormir no meu... Eu estou exausto, garota. Só preciso descansar." - Cael.
Digitei com uma urgência que odiei admitir.
Bloqueio a tela, tentando respirar o ar condicionado gelado do escritório. Volto meus olhos para os documentos, mas as letras parecem dançar, zombando da minha falta de foco. Eu sei por que ainda estou aqui.
Se eu chegasse em casa agora e tivesse que me dopar de comprimidos para tentar silenciar o barulho que ela faz na minha cabeça, seria mais frustrante do que eu poderia suportar.
O celular vibrou novamente.

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