Hannah Brooks.
- Algumas horas é tudo que eu peço, senhorita Brooks... - ele sussurra em meu ouvido, antes de morder o lóbulo da minha orelha com uma pressão castigadora e lenta. - Fique... e eu deixo que me peça o que você quiser. Qualquer coisa. Não importa o valor, apenas peça.
- Qualquer coisa? - Minha voz soa baixa, perigosa.
Sinto o peito dele tremer contra o meu antes de ouvir o som. Não era um escárnio, nem aquele tom ácido de quem está acostumado a comprar o mundo. Era um riso leve, genuíno. Cael Sterling estava rindo de verdade, e a surpresa disso me atingiu como um choque elétrico.
- O que você quiser - ele repete, apoiando-se sobre os cotovelos para me encarar novamente.
O sorriso divertido em seus lábios suaviza as linhas duras de seu rosto, tornando-o perigosamente atraente.
- Até mesmo aquele notebook de última geração? Aquele que custa praticamente um rim e que eu venho namorando há meses? - pergunto, fingindo uma ponderação séria.
O riso dele ecoa novamente, mais alto desta vez, preenchendo o espaço entre nós.
- Sim, garota. Até o maldito notebook - ele diz, acariciando meu rosto com o polegar.
- Você tem certeza de que não tem interesse em ser meu sugar daddy além de meu patrão, senhor Sterling? - As palavras escapam antes que eu consiga filtrá-las. - Porque, sabe... eu tenho uma pequena lista de desejos que faria seu contador ter um ataque cardíaco e também preciso de...
Ele não me deixa terminar.
Seus lábios tomam os meus em um beijo que começa lento, quase exploratório, mas que rapidamente evolui para algo intenso e possessivo. Levo minhas mãos à sua nuca, enterrando os dedos em seus cabelos e puxando seu corpo para mais perto, querendo fundir nossas peles.
O beijo dura segundos que parecem horas, uma intensidade que me assusta por ser tão visceral.
Quando nos separamos, seus olhos azuis estão em uma temperatura que eu descreveria como um incêndio controlado. O riso leve ainda brinca em seus lábios.
- Isso foi um "sim" ou um "vamos pensar no assunto" sobre você ser oficialmente meu sugar daddy ? - provoco, saboreando a satisfação de vê-lo desarmado.
- Você fala demais, garota...
Ele me envolve pela cintura com firmeza e volta a esconder o rosto em minha nuca. Sinto seus beijos úmidos contra minha pele e, por um momento, decido ignorar o bom senso. Fecho os olhos e apenas me permito aproveitar o calor.
Mesmo que minha cabeça pareça um painel de controle prestes a explodir com alertas vermelhos, gritando sobre o tamanho da enrascada em que estou me metendo.
"Você é completamente maluca, Hannah Brooks", o pensamento martela em minha mente. E, honestamente? Talvez eu seja mesmo. Ou talvez eu só esteja disposta a ver o circo pegar fogo e, pela primeira vez, dançar alegremente em meio às chamas.
》☆☆☆☆☆《
Abro os olhos devagar, sentindo aquela névoa densa de quem foi tragada pelo sono profundo se dissipar aos poucos. Tento me mover, mas um peso extra - sólido, quente e possessivo - sobre o meu corpo impede qualquer tipo de movimento mais ousado.
Minha pele ainda formiga, um eco dos eventos que nos trouxeram até aqui.
Aos poucos, minha consciência começa a clarear e as memórias das últimas horas inundam minha mente como uma onda gelada. Nós adormecemos.
Eu, literalmente, apaguei.
Na minha cama. Com o meu chefe.
"Porra, Hannah, você está perdendo o juízo completamente."
Viro o rosto em direção às janelas, onde as cortinas finas não conseguem barrar o espetáculo lá fora: os raios de sol já começavam a se despedir no horizonte, pintando o quarto com tons de laranja e púrpura. O fim do dia não traz paz, traz pânico.
Tento me mover novamente, devagar no início, mas logo com uma urgência sem cerimônia. Não faço ideia de que horas são, mas tenho um interesse vital em garantir que Mia não chegue de viagem e me encontre enrolada nos lençóis com o irmão dela.
E há o Theo.
Nas últimas semanas, ele pegou a mania de chegar da escola e praticamente invadir meu quarto - que, na maioria das vezes, fica destrancado já que chegamos em horários parecidos.
Sim, Mia tem ido buscá-lo.
Ela insiste que é o trabalho dela, e eu não questiono, mas agora essa eficiência dela é a minha maior ameaça.
Sinto o braço de Cael ao redor da minha cintura se retesar. Ele aperta o abraço, mantendo o rosto escondido na curva do meu pescoço. Sua respiração é ritmada, suave, quase terna... um contraste absurdo com o homem que comanda reuniões com mão de ferro.

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