Hannah Brooks.
Cael me encara por alguns segundos que parecem horas.
O silêncio no quarto é tão espesso que eu quase posso ouvir o som da fumaça saindo pelos ouvidos dele.
Seus olhos estão negros, duas fendas de puro ódio e desejo contido, e a mandíbula está tão travada que eu me pergunto se ele não vai acabar quebrando um dente.
Ele está queimando, e o cheiro de testosterona e fúria que emana dele é melhor do que qualquer incenso caro.
- Eu te deixei chateado, chefinho? - Minha voz sai como mel envenenado, doce e letal. Eu me delicio com a forma como ele estremece ao som do apelido. - Tudo isso porque eu não quero te emprestar minha lingerie?
- Maldita hora que eu fui te contratar, garota - ele rosna, levantando-se da cama com uma energia cinética que faz o ar vibrar.
Ele passa as mãos pelos cabelos, desgrenhando ainda mais os fios escuros em um gesto de pura frustração.
- Se continuar arrancando os cabelos desse jeito, vai acabar careca, Sterling - digo em um tom melódico, quase infantil, enquanto um riso sádico dança nos meus lábios. - Além do mais, seu filho não está reclamando de me ter como babá... eu até acho que o Theo gosta mais de mim do que de você.
Dou de ombros, deixando meu corpo cair para trás nos lençóis de mil fios. O luxo dessa cama é um pecado, mas a forma como Cael me olha agora é um
sacrilégio ainda maior.
- Ele gosta de qualquer pessoa que lhe dê atenção - ele rebate rápido demais. O veneno escorrendo nas palavras dele é música para os meus ouvidos.
Ah, Cael. Você está tentando usar minhas próprias armas contra mim? Que fofo.
- Então isso significa que ele não gosta de você? - Pergunto, inclinando a cabeça para o lado. Minha mão sobe, lenta como uma serpente, e começa a brincar com a alça de renda azul do meu sutiã, puxando-a e soltando-a contra a pele. - Porque, até onde eu sei, ele não é seu maior fã... e você definitivamente não dá a mínima atenção a ele.
- CALA A PORRA DA BOCA, BROOKS, OU EU VOU SER OBRIGADO A TE AMARRAR!
O grito dele ecoa pelas paredes, autoritário, bruto. Mas ele não entende que o tom de comando dele não me assusta. Ele me incendeia.
- Uhhh... isso é uma ameaça ou uma promessa? - Minha voz cai para um sussurro rouco. Deslizo minha mão direita para baixo, passando pelo meu ventre até que a ponta dos meus dedos pousem exatamente sobre o meu clitóris, sentindo a textura áspera e deliciosa da renda contra a minha carne sensível. - Eu sempre tive curiosidade de saber como seria transar amarrada... dizem que é bastante... prazeroso.
- Foda-se, Brooks. Eu estou fora desse circo.
Ele gira nos calcanhares, caminhando em direção à porta com a firmeza de um homem que está fugindo para salvar a própria alma. Ele toca a maçaneta, mas eu não deixo.
Eu solto um gemido baixo, longo e gutural que corta o silêncio do quarto como uma lâmina quente.
Ele paralisa. As costas dele ficam rígidas, os ombros tensos sob o tecido caro da
camisa.
Minha mão esquerda sobe até o meu seio, apertando a carne contra o bojo do sutiã, sentindo o bico do peito endurecer instantaneamente sob a renda. A imagem de Cael, de costas para mim, imóvel, me deixa em um estado de excitação que beira a loucura. Eu quero que ele veja. Eu quero que ele sangre de desejo.
- Cael... - O nome dele escapa num suspiro manho, úmido.
Eu começo. Aplico pressão com a ponta dos dedos, subindo e descendo sobre o meu centro. O atrito da renda azul contra a minha pele ultra-sensível faz meu corpo arquear.
Eu fecho os olhos por um segundo, sentindo o calor começar a se acumular, aquela pressão deliciosa que começa a latejar entre minhas pernas.
- Cael... olha para mim.
Ele se vira. Devagar. Como se estivesse sendo puxado por correntes invisíveis. Os olhos dele encontram os meus e o que vejo ali é a ruína de um homem. A luxúria é uma máscara grotesca e magnífica em sua face.
Aumento a velocidade. Meus dedos trabalham de forma frenética, pressionando, girando, enquanto eu rebolo suavemente contra a minha própria mão. O som da minha respiração ficando curta, entrecortada, preenche o quarto.

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