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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 59

Hannah Brooks.

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Ele está vestindo roupas que eu consideraria "normais", ou o mais próximo que um bilionário ranzinza consegue chegar da normalidade. Parece distraído... ou talvez esteja apenas fingindo muito bem que não notou minha entrada triunfal mais de quinze horas depois de ter saído sem olhar para trás.

O cheiro está divino. Certo, eu admito: foi o aroma da comida que me arrastou até aqui como um desenho animado sendo puxado pelo nariz. Entro no cômodo com passos medidos, mantendo uma distância segura, e me apoio nos cotovelos contra a bancada de mármore.

Fico ali, em silêncio, observando a forma como ele se move com uma fluidez inesperada enquanto lava alguns vegetais e os organiza sobre a bancada com uma precisão quase cirúrgica.

A pergunta que paira no ar é: ele vai explodir agora ou vai esperar eu dar o primeiro passo?

Esse pensamento me faz soltar um riso seco, um som curto que ecoa de forma quase cínica no silêncio da cozinha.

Eu preciso de alguma coisa agora? Não. Mas eu quero algo? Com toda a certeza.

O que eu realmente quero é tirá-lo do sério.

Quero arrancar o Cael Sterling daquela zona de conforto inabalável antes de finalmente girar os calcanhares e sumir de novo, retornando apenas quando a Mia estiver de volta à noite.

Meu objetivo é simples: triturar essa maldita sensação de controle que ele jura ter conquistado sobre mim nos últimos dois dias.

- O que você quer, garota? - A voz dele corta o ar, ríspida, mais cortante do que o normal.

É o sinal verde que eu precisava. Ele está possesso. A forma como eu o deixei falando sozinho no hall na noite passada, na frente do irmão, deve ter ferido o ego colossal dele de uma maneira que um "não" comum jamais faria.

- Boa tarde para o senhor também, Senhor Sterling - respondo, injetando na voz toda a doçura que consigo fingir. É quase nada, admito, mas o sarcasmo pinga em cada sílaba.

- Perdoe-me por interrompê-lo na sua... atividade culinária, mas gostaria de saber a que horas a Senhorita Mia retorna com as crianças - digo calmamente, observando cada movimento tenso das costas dele. - Eu sei que meu horário de trabalho só recomeça amanhã, mas queria dar um beijo no Theo antes dele dormir. E, como vou passar a tarde e a noite fora...

- Não faço a menor ideia do horário em que minha irmã retorna - ele me corta, a voz vibrando com uma rispidez perigosa. - Você tem o número dela no seu celular. Ligue para ela e não me aborreça com perguntas estúpidas, Brooks.

Fico em silêncio por alguns segundos, apenas absorvendo a energia pesada que emana dele. Ele está mais puto do que eu imaginava, o que significa que o golpe da porta trancada e do sumiço de vinte horas atingiu exatamente o centro do alvo.

- Certo, Senhor Sterling - digo com uma calma quase irritante. - Agradeço a informação de qualquer maneira. Tenha uma excelente tarde.

Viro-me para sair da cozinha, sentindo o olhar dele como brasa nas minhas costas. Não consigo dar dois passos antes que a voz dele ecoe pelo cômodo, preenchendo cada canto com um misto denso de raiva e algo que, se eu não conhecesse bem o tipo, chamaria de mágoa contida.

- Onde você passou a porra da noite?

Paro no lugar, mas não me viro. Apenas olho por cima do ombro, sustentando aquele ar de indiferença que sei que o enlouquece.

- Creio que isso não seja da sua conta, Senhor Sterling - dou de ombros, sentindo a liberdade de dizer exatamente o que quero. - O que o senhor precisa saber é que estou inteira. E que a noite foi... deverás interessante.

Saio da cozinha antes que ele tenha a chance de retrucar ou de lançar uma faca de legumes na minha direção.

Sigo o caminho até o meu quarto com o coração batendo um pouco mais rápido, uma mistura de adrenalina e triunfo. Entro e, desta vez, não tranco a porta; apenas a mantenho fechada, como se fosse um convite silencioso para o perigo que decidi ignorar por enquanto.

Prontamente me desfaço das minhas roupas, jogando-as sobre qualquer lugar. Observo o quarto ao redor, que mais parece ter sido atingido por um furacão de categoria cinco - um reflexo perfeito do caos que foi a minha última semana. Arrumo essa bagunça quando eu voltar, decido.

Entro no banheiro e ligo o chuveiro no máximo. Enquanto o vapor começa a embaçar o espelho, fecho os olhos sob a água quente. Tudo o que eu preciso agora é renovar minha disposição.

Afinal, a tarde está apenas começando e eu ainda pretendo enlouquecer meu chefe antes de finalmente sair em algumas horas.

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Saio do banheiro em meio a uma nuvem de vapor, com os cabelos úmidos pesando nos ombros e apenas uma toalha felpuda protegendo o que restava da minha dignidade.

E, como eu havia previsto com uma precisão quase irritante, lá estava ele.

Cael não estava apenas no meu quarto; ele estava sentado à beira da minha cama, ocupando o espaço como se fosse o dono não só da casa, mas de cada batida do meu coração.

Seus olhos azuis, agora intensos e sombrios como uma tempestade em alto-mar, traçaram o contorno do meu corpo sob a toalha com uma lentidão deliberada.

Mandíbula travada, ombros tensos e aquele ar perigoso de quem está prestes a fazer uma merda monumental.

- Você errou o quarto, Senhor Sterling - digo, minha voz saindo tão estável e casual quanto se eu estivesse comentando sobre a previsão do tempo.

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