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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 52

Hannah Brooks.

Meus cabelos estão completamente desgrenhados, grudando na minha pele por causa do suor que escorre pelo meu rosto em pequenas trilhas quentes. Minha respiração sai pesada, irregular, como se eu tivesse acabado de atravessar quilômetros sem parar — e, por um segundo, eu quase acredito que fiz exatamente isso.

Talvez tenha mesmo.

Não... não foi uma maratona.

Foram alguns quarteirões apenas. Mas rápidos o suficiente, intensos o suficiente para silenciar o caos na minha cabeça. E, surpreendentemente... funcionou. Pelo menos por alguns minutos, meu cérebro finalmente se calou.

E isso já é mais do que eu consegui a noite inteira.

Quando retorno para a casa, os seguranças me encaram com uma curiosidade nada discreta. Não posso culpá-los. Eu devo estar parecendo alguém que fugiu de alguma coisa — ou pior, de alguém.

— Apenas me mantendo em forma — digo, tentando soar casual, mesmo que minha voz ainda esteja levemente ofegante.

Um deles solta um "compreendo", acompanhado de um meio sorriso que deixa claro que ele não acredita totalmente em mim. Ótimo. Perfeito. Exatamente o que eu precisava.

Desvio o olhar e entro rapidamente na casa, sem dar espaço para mais comentários. Subo as escadas direto, focada, decidida. Eu quero — não, eu preciso — evitar qualquer tipo de contato até...

Meus passos param no meio do caminho.

Não é uma decisão consciente. É puro instinto.

Instinto de sobrevivência.

Porque no exato momento em que levanto os olhos, tudo em mim grita para dar meia-volta e sair correndo outra vez.

Ele está lá.

Parado no topo da escada como se já estivesse me esperando, mesmo que eu saiba que não. Vestindo uma calça de moletom e uma camisa de manga longa que... sinceramente, marca mais do que deveria ser permitido. O tecido se ajusta ao corpo dele de um jeito quase ofensivo, e o pior é que eu percebo isso antes mesmo de conseguir evitar.

Seus cabelos estão levemente bagunçados, como se ele tivesse passado as mãos por eles vezes demais.

E por que diabos eu estou reparando nisso?

Balanço a cabeça em um gesto rápido, como se pudesse expulsar aquele tipo de pensamento à força, e volto a subir as escadas. Um degrau. Depois outro.

Seus olhos desviam para mim.

Eu sinto.

Sinto como um toque invisível, pesado, demorado demais para ser ignorado. Mas eu não retribuo. Não posso. Não agora.

Não depois de ontem.

Passo por ele sem dizer nada, mantendo o olhar fixo à frente, como se ele não estivesse ali. Como se aquilo — nós — não existisse. Meu coração acelera de um jeito irritante, traidor, mas eu não paro.

Não hesito.

Sigo direto para o meu quarto.

Entro.

Tranco a porta.

E só então o ar volta aos meus pulmões.

Me livro das roupas como se elas queimassem minha pele, como se carregassem vestígios demais do que eu estou tentando esquecer. Cada peça é descartada sem cuidado, sem cerimônia. Caminho rápido até o banheiro e entro no box quase no automático, abrindo o chuveiro na temperatura mais fria possível.

A água gelada atinge minha pele como um choque.

Mas é exatamente disso que eu preciso.

De algo que apague.

Que leve embora.

Que lave não só o suor, mas também o caos, a confusão, o resquício dele que ainda insiste em ficar.

Fecho os olhos, deixando a água escorrer, tentando me convencer — mais uma vez — de que consigo controlar isso.

Que consigo ignorar.

Que consigo esquecer.

》☆☆☆☆《

Cael Sterling.

Eu não dormi.

Ou melhor... até dormi por alguns minutos, talvez. Mas não foi descanso. Foi um campo de batalha. Cada vez que fechava os olhos, as imagens voltavam como ondas insistentes, se quebrando contra a minha consciência sem dar trégua.

O gosto dela ainda está na minha boca.

E isso me irrita mais do que deveria.

Os sons... os malditos sons... continuam ecoando na minha mente como uma sintonia da qual eu não consigo me livrar, não importa o quanto tente.

Nem um banho gelado.

Nem dois.

Nada foi suficiente para tirá-la da minha cabeça.

Eu sei que estou exagerando.

Tenho plena consciência disso.

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