Hannah Brooks.
E então, o mundo lá fora decidiu invadir.
O toque do meu celular estraçalhou o silêncio do hall como uma martelada em vidro. O som eletrônico ecoou nas paredes altas, vibrando dentro da minha bolsa e colidindo com a névoa de luxúria que me envolvia.
Cael parou.
Abruptamente.
O choque da imobilidade foi quase físico. Eu soltei um ganido de protesto, um som patético e faminto que morreu contra a madeira da porta. O vazio que a falta de movimento dele deixou dentro de mim foi uma agonia pura, um abismo de necessidade que me fez tremer violentamente.
Meus pulmões ardiam, o suor escorrendo pelas minhas têmporas, colando meus fios de cabelo na nuca enquanto eu tentava, inutilmente, recuperar o fôlego.
Ele não se afastou. Pelo contrário. Senti o peso do seu corpo me prensar ainda mais contra a porta, o calor que emanava dele era sufocante. Ele inclinou o rosto, depositando um beijo lento, úmido bem em cima da marca de dentes que havia deixado no meu pescoço.
— Atenda — ele ordenou. A voz não era alta, mas tinha a frieza de um veredito final.
— Não... eu não vou... — eu choraminguei, minha cabeça pendendo para frente. O prazer interrompido era uma tortura que eu não desejava ao meu pior inimigo.
Senti o riso dele vibrar contra as minha nuca, um som sombrio e vitorioso.
Sem aviso, ele ameaçou retirar a mão, deslizando os dedos para fora. O medo de ficar naquele estado de excitação incompleta foi maior que a minha dignidade.
— Você vai atender, senhorita Brooks — ele sussurrou, a voz roçando minha orelha, baixa e perigosa como um predador encurralando a presa. — Vai fingir normalidade enquanto goza nos meus dedos. Eu vou fazer questão de levá-la ao limite absoluto, garota. Para que você aprenda a nunca mais me desafiar em um jogo que não pode vencer.
— desgraçado... — murmuro sem forças para retrucar.
Meu corpo treme de excitação e desejo, tanto que mal consego coordenar meus movimentos.
Com os dedos trêmulos, puxo a alça da bolsa que ainda pesava no meu ombro, retiro o celular e a deixei escorregar. Ela cai no chão com um baque surdo, definitivo, espalhando meu mundo ali no tapete.
O visor brilha com o nome de Jane.
No exato segundo em que deslizo o dedo para aceitar a chamada, Cael avançou.
Ele me penetrou com dois, de uma vez só, um golpe profundo, seco e impiedoso que me fez arquear as costas e abafar um grito contra o meu próprio punho.
— Hannah? Oi! — A voz de Jane soou vibrante, absurdamente normal no alto-falante. — Amiga, você já entro certo, está tudo bem por ai ? Esqueci de te perguntar se vai realmente querer ir ao shopping amanhã, eu...
Os dedos dele continuam entrando e saindo de mim, de forma rápida, rítmica e contínua. Sento o polegar dele encontrar meu clitóris com uma pressão esmagadora, circulando-o sem parar, enquanto os outros dois dedos trabalham dentro de mim com uma agilidade que quase ver estrelas.
— O-oi... Jane... — Minha voz sai em um fio, instável, cada sílaba lutando contra o gemido que subia pela minha garganta.
— Hannah? Tá tudo bem? — Jane perguntou, o tom mudando para uma leve preocupação. — Você tá estranha... tá ofegante?
Com a mão livre eu cravo minhas unhas contra o ombro dele. O som do meu de seu gemido contra minha nuca parecendo alto demais para mim.
Ele afasta seu rosto o suficiente para me encarar, mas sem nunca se afastar de mim. Um sorriso predatório e sádico brinca em seus lábios, deliciando-se com a minha luta para não quebrar.
Ele aumenta a intensidade, suas estocadas atingindo o fundo, fazendo meu corpo inteiro entrar em colapso.
— Eu... eu só estou... cansada... — Menti, a voz falhando enquanto sentia meu útero se contrair de forma violenta. — O dia... foi longo...
— Ah, imagino! Mas e aí, você... — Jane continuava falando, mas as palavras dela se tornaram um borrão.
O prazer era violento demais.
Era uma detonação silenciosa que começava na base da minha coluna e se espalhava por cada nervo. Cael não para. A fricção era intensa, o som úmido do toque dele contra a minha pele era a única coisa que eu conseguia ouvir.
Eu não aguentei mais.
A pressão acumulada explodiu.
— Jane... eu preciso... desligar... — Eu mal consegui terminar a frase.
Deslizo o dedo na tela para encerrar com um movimento frenético — ou ao menos tento.
O celular escorrega da minha mão suada e cai no chão, mas eu não me importo. Eu não posso mais me importar. No segundo seguinte, o prazer me atinge como um tsunami.

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