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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 42

Cael Sterling

— Eu estou dizendo, Sebastian… eu ainda vou jogá-la da janela do segundo andar. — minha voz sai firme, carregada de uma irritação que já não cabe mais em mim, enquanto bato o copo contra a mesa de mogno com força suficiente para o som ecoar pelo ambiente. — Maldita hora em que eu decidi contratá-la. Ela sequer tem por mim o respeito que um funcionário deveria ter pelo próprio patrão.

Dou uma longa tragada no charuto, deixando a fumaça preencher meus pulmões numa tentativa inútil de acalmar o que ferve dentro de mim. A nicotina deveria ajudar. Sempre ajudou. Mas, dessa vez, é como jogar água em óleo quente — não apaga, só espalha ainda mais o caos.

— Neandertal, porra… ela me chamou de neandertal. — acrescento, soltando a fumaça devagar, como se pudesse levar junto um pouco da minha irritação. Não leva. — Como se eu fosse um maldito homem das cavernas, sem cérebro, batendo pedra por aí.

Sebastian me encara por alguns segundos, em silêncio, como se estivesse tentando decidir se eu estou falando sério ou se enlouqueci de vez. A expressão dele… é quase analítica. E isso, por algum motivo, só me irrita mais.

Então eu vejo.

O maldito meio sorriso começando a se formar nos lábios dele.

Ele está achando graça.

Eu aqui, à beira de cometer um homicídio qualificado se aquela garota ousar abrir a boca mais uma vez para me dar outro apelido ridículo… e o meu irmão, que teoricamente deveria me ajudar, me aconselhar, ou no mínimo fingir solidariedade… está se divertindo às minhas custas.

— Deixe-me ver se eu entendi… — ele começa, e a diversão na voz dele é impossível de esconder. — Você passou um mês inteiro perseguindo a garota, investigando, observando, decidindo se ela era ou não adequada… e não percebeu que ela tem uma personalidade tão complicada quanto a sua?

— Eu percebi, sim… mas eu não—

Ele me interrompe antes que eu consiga terminar, levantando uma das mãos como se minha tentativa de explicação fosse completamente irrelevante.

— Aí ela finalmente aceita o trabalho, começa a cuidar do seu filho… e você acha ruim a forma como ela está fazendo isso? — a descrença nas palavras dele me faz levar o copo aos lábios e virar o whisky de uma vez, sem nem sentir o gosto. — Eu realmente não sei onde você está querendo chegar, irmão. Sua lógica está… no mínimo, questionável.

Questionável.

Ele escolheu essa palavra com cuidado demais para alguém que está claramente se segurando para não rir.

E então ele não se segura.

Ele olha para mim — direto, sem qualquer piedade — e simplesmente gargalha. Sem filtro, sem contenção, como se eu fosse uma maldita piada particularmente boa.

— Porra, irmão… — ele consegue dizer entre uma risada e outra. — Você está com ciúmes da forma como aquela garota trata o seu filho… porque queria estar no lugar dele.

As palavras dele caem como um soco.

Secas. Diretas. Incômodas demais.

E o pior… é o jeito como ele diz. Como se fosse óbvio. Como se estivesse simplesmente apontando algo que está bem na minha cara e eu me recusasse a enxergar.

Fecho os olhos por um segundo, respirando fundo, tentando não atravessar a mesa e calar aquela risada do jeito mais eficiente possível.

Bem feito.

Vai lá, Cael… pede ajuda ao irmão mais velho achando que ele vai te oferecer algum conselho útil, alguma solução brilhante… e no fim das contas você vira entretenimento de fim de noite.

Passo as mãos pelos cabelos, puxando os fios com mais força do que deveria, sentindo a frustração e a raiva se misturarem em algo denso, pesado, quase sufocante. Eu só queria um conselho. Só isso. Uma mísera direção.

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