Hannah Brooks
Theo está sentado na cama, pequeno demais para carregar aquele desespero todo, agarrado com força a um dos meus bonecos de pelúcia — um que eu trouxe da minha coleção justamente porque ele não consegue dormir sozinho.
O choro é alto. Descompassado.
As bochechas estão vermelhas, encharcadas, e as lágrimas descem sem parar, como se ele não conseguisse encontrar um ponto de equilíbrio para respirar.
É o tipo de choro que não é só birra.
É exaustão. Confusão. Medo.
E o pai?
Cael Sterling anda de um lado para o outro no meio do quarto, passando as mãos pelos cabelos, completamente perdido, como se aquilo fosse um problema corporativo sem solução lógica.
E vê-lo ali, completamente incapaz de lidar com algo tão simples… só reforça tudo o que eu já pensei sobre ele.
Ele é um idiota.
Respiro fundo uma vez.
E entro.
— Chega. — minha voz não é alta. Mas é firme o suficiente para cortar o ambiente como uma lâmina limpa.
Caminho direto até a cama, ignorando completamente a presença dele, e me abaixo na frente do Theo.
— Ei… ei, anjinho… — minha voz muda instantaneamente, suave, calma, como se eu estivesse falando com algo frágil demais para suportar qualquer peso. — A Naná tá aqui… olha pra mim…
Ele demora um segundo, mas olha.
Os olhos marejados, perdidos… procurando alguma coisa que faça sentido no meio do caos. E eu estou ali.
Abro os braços devagar.
— Vem cá amor...
Ele se j**a praticamente contra mim, enterrando o rosto no meu pescoço, ainda soluçando. Eu o seguro firme, uma mão nos cabelos, outra nas costas, balançando levemente, num ritmo que não é pensado — é instintivo.
— Shhh… tá tudo bem… tá tudo bem… — murmuro, repetindo baixinho, como um mantra.
Atrás de mim, o silêncio muda.
Eu sei que Cael está olhando.
Mas não me viro. Não ainda.
Porque, naquele momento…
Apenas o Theo é a prioridade.
》☆☆☆☆ 《
Cael Sterling.
Observo com atenção, em silêncio quase irritante, a forma como ela simplesmente surgiu no meio do caos — como se sempre tivesse estado ali — e, sem esforço aparente, conseguiu acalmar toda a bagunça que eu mesmo criei. Não há hesitação nos movimentos dela, não há dúvida. É natural. Preciso. Como se soubesse exatamente onde tocar, o que dizer, quando respirar.
E então há Theo.
A forma como meu filho se apoia nela… como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Como se aquilo fosse certo. Seguro. Como se ele nunca tivesse aprendido a se proteger de ninguém.
Confiança.

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