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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 43

Hannah Brooks

Semanas depois

Encaro meu reflexo no espelho de corpo inteiro, analisando cada detalhe como se estivesse prestes a subir em um palco — quando, na verdade, só vou atravessar a cidade.

O vestido preto, simples, abraça meu corpo do jeito certo. A jaqueta repousa sobre os ombros, uma tentativa meio teimosa de driblar o frio. Nos pés, tênis — porque, sinceramente, eu me conheço bem demais pra arriscar salto e acabar beijando o chão antes mesmo de chegar na porta. A maquiagem é leve, o suficiente pra me fazer sentir pronta… ou pelo menos convincente.

Cabelos presos em um rabo de cavalo alto, com alguns fios soltos, o penteado mais rapido que ja fiz e sem duvidas o mais eficaz.

É sexta-feira à noite. Jane e eu combinamos de sair — um pub do outro lado da cidade, música ao vivo, luz baixa e a promessa silenciosa de algumas horas sem pensar em absolutamente nada. Um respiro. Porque a última semana na faculdade foi o mais perto que já cheguei de um manicômio funcional.

Eu deveria estar trabalhando agora. Sexta à noite normalmente não é luxo que eu posso me dar. Mas, milagrosamente, estou livre. Graças à irmã do meu querido chefe — o próprio retrato da arrogância — que praticamente sequestrou Theo para passar o fim de semana com ela e, de quebra, me concedeu uma noite de liberdade.

E, honestamente, ainda me custa acreditar que aqueles dois compartilham o mesmo sangue.

A senhorita Sterling — ou Mia, como ela praticamente me obrigou a chamá-la — é o completo oposto dele. Onde ele é controle, rigidez e uma planilha ambulante, ela é caos bem-humorado e coração aberto.

A forma como cuida do Theo… como fala, como se faz entender… tudo nela é leve. Mia ri fácil, fala o que pensa sem rodeios e — talvez o detalhe mais fascinante de todos — não hesita em colocar o irmão no devido lugar.

E, sinceramente?

Isso é simplesmente magnífico.

Passo mais uma camada de gloss, espalhando com cuidado antes de pressionar os lábios devagar. Inclino levemente o rosto, observando o reflexo sob outra perspectiva, como se isso fosse revelar algum detalhe oculto que eu ainda não tivesse notado.

Não revela.

Porque, honestamente?

Não tem muito o que melhorar.

Dou um meio sorriso para mim mesma, apoiando uma das mãos na cintura enquanto me encaro por mais um segundo, absorvendo a imagem como se precisasse gravar aquilo na memória.

Pelos deuses… eu estou uma tremenda gostosa.

E não, isso não é arrogância.

É constatação.

Respiro fundo, satisfeita, antes de me afastar do espelho. Pego minha bolsa em cima da cama, conferindo automaticamente se está tudo ali dentro, e logo em seguida alcanço o celular. A tela acende quase no mesmo instante, iluminando o nome de Jane com uma mensagem curta avisando que já está a caminho.

Pontual. Milagre moderno.

Guardo o celular na bolsa e sigo até a porta, destrancando-a antes de sair e girar a chave pelo lado de fora. O clique seco ecoa no corredor, familiar.

Sim, meu quarto tem chave.

E, nesse quesito específico, eu sou obrigada a reconhecer: o senhor ranzinza tem seus momentos de utilidade.

Guardo a chave na bolsa e começo a caminhar pelo corredor, meus passos abafados pelo carpete. A casa está silenciosa demais para uma sexta-feira à noite — um tipo de silêncio que não é exatamente confortável.

Eu ainda não me acostumei com isso.

Com esse vazio sonoro que parece engolir tudo.

É quieto demais.

Controlado demais.

Opressivo demais para o meu gosto.

Desço as escadas com calma, segurando o corrimão por hábito, meus olhos percorrendo o andar de baixo assim que chego. Nenhum sinal de vida. Nenhum som além do eco discreto dos meus próprios movimentos.

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