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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 39

Cael Sterling

— Onde diabos eu estava com a cabeça quando resolvi te contratar… — bufo, revirando os olhos enquanto viro as costas, decidido a ignorá-la e finalmente pegar a maldita jarra de água na geladeira.

— Desesperado, eu acho. — ela diz, casual, como se estivesse comentando o clima. — Porque, sejamos sinceros… ninguém em sã consciência persegue alguém como você se dedicou a me perseguir, chefinho.

Eu paro.

Lentamente.

Viro-me para encará-la de novo, abandonando completamente a ideia da água, da paz, do fim da noite.

Dou alguns passos na direção dela, cada movimento mais pesado que o anterior.

Minha paciência… está perigosamente perto do fim.

》☆☆☆☆《

Hannah Brooks.

Eu nunca pensei que pudesse me divertir tanto quanto estou fazendo nesse exato momento. Porque sim… se alguém tivesse me dito semanas atrás que eu ia achar incrível tirar meu novo chefe do sério, eu teria rido e chamado a pessoa de maluca com toda a convicção do mundo.

E, no entanto… aqui estou.

Sentada na cozinha da propriedade Sterling, tomando meu belo chá de camomila como se fosse a coisa mais normal do planeta, enquanto o homem atrás de mim parece prestes a ter um colapso por não aceitar uma verdade simples e inconveniente: ele me perseguiu por semanas como se eu fosse a última gota de água no deserto.

Cael começa a falar. Muito. E rápido. E irritado.

Sinceramente? Eu não estou prestando atenção em praticamente nada.

Tomo um gole do chá. O líquido quente desce pela garganta, espalhando um conforto preguiçoso pelo corpo inteiro, como um pequeno ato de paz em meio ao caos particular que eu mesma estou alimentando. Lá fora, o frio da noite tenta entrar pelas janelas, mas aqui dentro… eu estou bem. Até demais.

— …Você está me ouvindo? — a voz dele vem de trás de mim, mais perto do que eu esperava.

Engraçado. Ele fala como se distância fosse um conceito opcional quando se trata de intimidação.

Com toda a calma que habita em mim — e eu gosto de pensar que é uma quantidade considerável — deixo a xícara sobre a bancada com cuidado, sem pressa alguma, como se o mundo não estivesse girando em torno de um quase-surto masculino a poucos centímetros.

Então me viro.

E abro meu melhor sorriso desafiador.

— Sinto muito, senhor Sterling… eu acabei não ouvindo. Poderia repetir? — minha voz sai suave, educada… irritantemente calma.

O tipo de calma que provoca mais do que qualquer grito.

Ele se aproxima mais um passo.

Agora está perto demais para alguém que claramente não gosta de perder controle sobre nada. Consigo sentir o cheiro dele — banho recém tomado, limpo, masculino, com aquela presença que não tenta ser agradável… mas inevitavelmente é.

Meus olhos sustentam os dele sem hesitar.

Azuis. Gelados. Firmes. Daqueles que não pedem licença pra nada — só entram.

— Vamos deixar uma coisa bem clara aqui, garota… — ele começa, a voz baixa, mas carregada de uma ameaça controlada, polida, quase educada… o que torna tudo ainda mais perigoso. — Você trabalha pra mim. Eu a contratei pra cuidar do meu filho segundo as minhas regras, na minha casa. E eu já estou sendo generoso o suficiente em lhe pagar não apenas o dobro do que você ganharia trabalhando pra qualquer outro… como também bancando todos os seus estudos. Então eu sugiro que você pare com essa palhaçada de dizer aos quatro ventos que fui eu quem te perseguiu porque…

Ele continua falando.

Mas eu paro de ouvir exatamente ali.

Porque esse é o momento em que eu entendo perfeitamente uma coisa sobre Cael Sterling.

Ele não está só irritado.

Ele está… ofendido.

E isso, honestamente, é ainda mais divertido do que eu imaginava.

— Senhor Sterling… — minha voz sai baixa, mas ainda carregada daquele desafio teimoso que já parece automático entre nós. — Eu já entendi que espaço pessoal é algo que o senhor não conhece. Mas se importaria de recuar alguns passos? Está perto demais para o meu gosto… e, sinceramente, sua colônia me causa náuseas.

Foi isso.

Simples. Direto. Fatal.

O suficiente para quebrar o raciocínio inteiro do homem à minha frente.

Eu vejo.

Vejo no instante exato em que algo muda. Os olhos dele escurecem de um jeito perigoso, a mandíbula trava como se estivesse segurando palavras que não deveriam sair, e, antes que eu consiga sequer processar a reação… eu já estou presa.

Bancada atrás de mim.

Braços dele de cada lado.

Cael Sterling me encurralando com uma precisão quase irritante.

Ele me encara.

Não é só raiva. Não é só irritação. É algo mais denso, mais controlado… e exatamente por isso mais difícil de decifrar.

Um sorriso mínimo brinca nos meus lábios, quase automático.

É um jogo perigoso esse de falar exatamente o que se pensa sem considerar as consequências. Palavras não são leves como parecem — elas têm peso, têm corte, têm impacto. E eu estou mais do que disposta a deixar que o senhor Sterling sinta um pouco do próprio veneno.

— Senhor Sterling… — começo, sem desviar o olhar. — Se me permite a pergunta… quantas horas tem o dia?

Minha voz sai baixa, calculada. Quase suave demais para o que está sendo dito.

— Vinte e quatro horas, senhorita Brooks. — ele responde de imediato, a voz grave, controlada… mas os olhos traem. Estão baixos por um segundo a mais do que deveriam, presos em mim como se eu fosse uma distração inconveniente.

— E quantas dessas horas o senhor passou com seu filho hoje?

Silêncio.

Eu vejo o impacto antes mesmo da resposta vir.

O semblante dele muda sutilmente, não de forma explosiva… mas como quem leva um golpe que não esperava.

— Eu não—

— Exatamente, senhor Sterling. — corto, firme. Sem elevar o tom, mas sem dar espaço. — Das vinte e quatro horas do dia, o senhor não passou sequer uma hora com o próprio filho.

O ar entre nós pesa.

Eu continuo.

— Você não quer uma babá, Cael Sterling. Você quer alguém que assuma o papel que deveria ser seu. Alguém que crie o seu filho enquanto a sua vida continua normalmente. Como se nada estivesse acontecendo… como se aquele garotinho de três anos não tivesse ficado sentado em frente à porta por quase duas horas esperando o pai chegar para mostrar um desenho que ele fez na escola.

Agora sou eu quem dá um passo à frente.

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