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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 38

Cael Sterling

Mas porque, de repente, sinto uma fatia daquela… coisa sendo empurrada diretamente contra a minha boca, sem aviso, sem preparo, sem absolutamente nenhuma chance de reação.

Meus olhos se arregalam no mesmo instante, o corpo inteiro travando por um segundo, enquanto viro o rosto para encarar o responsável pelo atentado.

Theo.

De pé em cima da cadeira, completamente sujo, completamente concentrado… e com um sorriso torto, quase travesso, estampado no rosto. Um sorriso que mistura orgulho e expectativa, como se ele estivesse prestes a provar algo muito importante.

— Papai é super-herói… — a voz dele ecoa animada, vibrante demais para alguém que claramente acabou de cometer um pequeno crime contra mim. — Come, papai, come, papai… a Naná disse que super-heróis precisam comer…

Claro que disse.

Sem saída — e, principalmente, sem coragem de ser o responsável por apagar aquele sorriso do rosto dele — eu cedo. Contra a minha própria vontade, contra todo o bom senso… eu cedo.

Dou uma mordida naquela bomba calórica que meu filho praticamente força contra mim, sentindo o gosto forte invadir minha boca enquanto mastigo com uma resignação silenciosa.

E, enquanto faço isso… meus olhos se erguem.

Direto para ela.

Hannah Brooks.

A figura insolente à minha frente me encara de volta sem o menor traço de arrependimento. Pelo contrário. Os olhos verdes sustentam os meus com uma firmeza irritante, e há um sorriso nos lábios dela — um sorriso pequeno, contido… mas carregado de desafio.

Como se ela soubesse exatamente o que fez.

Como se tivesse acabado de ganhar uma disputa que eu nem percebi que estava acontecendo.

— Viu, anjinho… eu disse que o papai era um super-herói… — ela murmura, inclinando-se levemente na direção do Theo, como se compartilhasse um segredo precioso. — Super-heróis comem pizza.

Perfeito.

Simplesmente perfeito.

Moral da história: eu, que só queria chegar em casa, tomar um banho quente e esquecer que o dia existiu… agora estou preso aqui. Sentado à mesa da cozinha, sendo coagido — emocionalmente, diga-se de passagem — a comer pizza porque, aparentemente, fui promovido a super-herói.

E super-heróis… comem pizza.

Engulo mais um pedaço, ainda sentindo o olhar dela sobre mim, e respiro fundo pelo nariz, tentando manter o mínimo de controle.

Mas, por dentro…

Eu juro pelos céus.

Eu vou esganar essa garota.

》☆☆☆☆☆《

Saio do banheiro secando os cabelos com a toalha após o banho quente tão esperado. A água ainda parece morar na minha pele, e, por alguns minutos, meus músculos finalmente cedem, relaxando como se também estivessem exaustos de sustentar tudo o que eu carrego durante o dia. Existe um breve, quase ilusório, momento em que penso que poderia simplesmente me jogar na cama… e dormir. Dormir de verdade. A noite inteira. Sem interrupções.

Mas é claro que isso seria um eufemismo.

Porque, no instante exato em que minha cabeça toca o travesseiro, o sono desaparece como se nunca tivesse existido. A cama deixa de ser descanso e se transforma naquela velha conhecida — uma maldita sala de tortura. E eu me vejo, mais uma vez, revirando de um lado para o outro, encarando o teto no escuro, contando segundos que parecem horas… sem conseguir sequer fechar os olhos de verdade.

É sempre assim.

Essa maldita insônia começou há alguns anos e, desde então, dormir deixou de ser algo natural e passou a ser uma negociação. Um acordo forçado mediado por comprimidos. Eu preciso me dopar com remédios para, no mínimo, conseguir algumas horas de descanso — o suficiente para não perder completamente o controle e sair demitindo metade da empresa no dia seguinte.

Visto algo confortável, sem pressa, como se prolongar cada pequeno gesto pudesse adiar o inevitável. Meus olhos se voltam para o relógio sobre o móvel ao lado da cama.

22h48.

Passei mais tempo do que pretendia no banho… mas, sem dúvida, foi necessário. Foi o único momento do dia em que o peso nos meus ombros pareceu diminuir, ainda que só por algumas horas.

Saio do quarto, e o silêncio da casa me atinge quase imediatamente.

É um silêncio denso.

As noites aqui sempre foram assim — silenciosas demais, organizadas demais… quase opressivas. Como se a própria casa estivesse em constante vigilância.

Caminho até o quarto do Theo. A porta está entreaberta, permitindo que a luz baixa do abajur escape para o corredor. Empurro levemente, o suficiente para vê-lo.

Ele está dormindo.

Sereno.

🥀 Capitulo 38 🥀 1

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