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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 37

Hannah Brooks.

Se alguém puder me explicar como diabos se faz uma criança de três anos comer — quando, claramente, nem você mesma quer chegar perto do que tem dentro da geladeira ou dos armários — por favor, me avisa. Sério. Eu aceito manual, tutorial, intervenção divina… qualquer coisa.

Porque, sejamos sinceros, isso aqui não é alimentação. Isso aqui é tortura psicológica com apresentação gourmet.

Quem, em sã consciência, vive igual a um maldito coelho? Não tem um chocolate, um doce, não tem um mísero pão pra fazer um sanduíche decente… nada. O que há na geladeira é simplesmente queijo. Queijo. E folhas — muitas folhas — digo, vegetais de todos os tipos possíveis, como se alguém realmente acordasse animado pra mastigar isso. E água. Muita água.

Como diabos alguém com tanto dinheiro escolhe viver à base disso?

Ele deve achar que eu faço milagres. Só pode.

— Naná… tô com fome. — a voz do pequeno ser humano ao meu lado ecoa, me arrancando do meu transe indignado como um puxão suave de realidade.

— Eu também, anjinho. — respondo, afagando os cabelos dele, macios e levemente bagunçados. — Mas, pelo que parece, seu pai acha que a gente é coelho e só deixou esse monte de folha pra gente sobreviver.

— Eu não sou coelho. — ele declara, cruzando os bracinhos e fazendo um bico tão perfeito que daria orgulho a qualquer criança birrenta profissional.

— Eu também não, meu amor. — digo, segurando o riso. — O que acha da gente pedir uma pizza?

Os olhos dele se arregalam na mesma hora, como se eu tivesse acabado de anunciar o maior evento do ano. Um brilho travesso acende naqueles olhos azuis intensos, vivos, cheios de expectativa.

— O Theo quer pizza, Naná! — ele diz, já sorrindo, já vibrando, já começando a saltitar pela cozinha como se tivesse ganhado na loteria.

E pronto. Decisão tomada.

Sem pensar duas vezes, pego meu celular e disco o número da pizzaria mais próxima, pedindo uma média de calabresa — porque aqui a gente não brinca em serviço — e um refrigerante pra acompanhar, porque, honestamente, depois de encarar aquela geladeira, eu mereço. Nós merecemos.

Assim que o pedido é confirmado, seguro a mãozinha do Theo, pequena e quente na minha, e subimos de volta pro meu quarto. Missão cumprida com sucesso. Agora é só aguardar o banquete chegar.

E, enquanto isso, já temos um plano muito melhor.

Meu estoque secreto de doces.

E Phineas e Ferb na TV enorme que ocupa boa parte da parede — um dos poucos televisores dessa casa inteira, diga-se de passagem. Porque, aparentemente, o senhor ranzinza acredita que telas fazem mal para o desenvolvimento das crianças.

Mas fazê-lo viver como um mini adulto, isso pode. Isso tá liberado. Isso é saudável.

Me poupe.

Entramos no quarto e nos jogamos na cama sem a menor cerimônia, o colchão afundando sob o nosso peso enquanto o Theo já se ajeita todo animado. Abro uma barra de chocolate com aquele estalo satisfatório e entrego um pedaço pra ele, ficando com outro pra mim.

Dou play no episódio, e a música de abertura começa a preencher o ambiente.

E, por alguns minutos… só existem risadas, chocolate e a leve sensação de que, talvez, eu esteja fazendo um trabalho melhor do que o esperado.

Cael Sterling.

Estaciono o carro na garagem de casa sentindo minha cabeça latejar de um jeito insistente, quase cruel, enquanto meu corpo inteiro clama por descanso como se fosse a única coisa que ainda faz sentido no mundo. O dia havia sido infernal — e isso ainda é um eufemismo generoso.

Começou no escritório pela manhã, seguiu direto pra escola do Theo à tarde — com tudo o que aconteceu lá —, voltou pro escritório como se eu não tivesse direito a pausa… e terminou com um jantar com investidores que parecia não ter fim.

Três horas.

Três longas horas ouvindo homens adultos conversarem em francês como se aquilo fosse uma necessidade vital, mesmo todos falando inglês perfeitamente. Segundo um deles, era porque se sentiam mais à vontade discutindo negócios em sua língua natal.

Conveniente.

E eu que me fodo pra acompanhar.

Não é como se eu não falasse francês. Eu falo. E falo muito bem, diga-se de passagem. É um dos idiomas que eu domino completamente.

O problema não é capacidade.

O problema é estar com a cabeça quente, o humor no limite e só querer que aquela merda acabe logo. Porque não existe nada pior do que ser obrigado a pensar, raciocinar e negociar em outro idioma quando tudo o que você quer é silêncio.

Silêncio e um banho quente.

Desligo o carro, passo a mão pelo rosto numa tentativa inútil de espantar o cansaço e pego meu blazer no banco do passageiro. Saio do veículo, travo a porta e me arrasto — literalmente — em direção à porta que dá acesso à cozinha.

Meus pés parecem pesar o dobro, sustentando um corpo completamente exausto, cada passo sendo mais automático do que consciente.

Abro a porta da cozinha esperando o silêncio habitual — afinal, são quase 20h e meu filho já deveria estar na cama.

Mas o que encontro…

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