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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 36

Mia Sterling.

Sento-me em frente do computador, a tigela de sopa ainda fumegando sobre a mesa, soltando aquele vapor preguiçoso que se mistura com o ar frio do quarto, enquanto a chuva cai com ímpeto lá fora, batendo contra a janela do quarto.

Eu estou longe de casa há mais de um mês, coisas do trabalho, sempre o trabalho, é uma rotina exaustiva, escolhida por mim mesma. Mas ainda sim, exaustiva.

Eu não vejo a hora de voltar para casa.

Tenho restaurantes espalhados por todo o país, o que me obriga a viver com uma mala semi-pronta e o coração dividido entre cidades. Estou quase sempre viajando de uma cidade a outra, para atender demandas, resolver problemas, garantir que tudo esteja funcionando como deveria. E, principalmente, ver com meus próprios olhos.

Mesmo que eu tenha funcionários de confiança à frente de cada unidade, pessoas que eu escolhi a dedo…não é demais checar pessoalmente.

— Tia Mia! — meu amorzinho grita do outro lado da tela assim que me vê, sua voz atravessando a distância com uma facilidade que aperta o peito.

Um sorriso lindo surge em seus lábios, daqueles que fazem qualquer dia ruim parecer menor.

— Tia Mia, Henry tá com saudade da tia Mia.

Sorrio automaticamente ao ouvir aquelas palavras, um sorriso que vem fácil, natural, quase inevitável.

Porque, sejamos sinceros, eu também amo aquele pingo de gente com uma intensidade absurda, tanto quanto amo meus sobrinhos — talvez até um pouco mais do que seria prudente admitir em voz alta.

— A tia também tá com saudade de você, meu amor. — digo, inclinando levemente o rosto, como se isso pudesse diminuir a distância entre nós. — Como foi na escola hoje? Você, o Theo e o Davi conseguiram montar aquele prédio gigante até a lua?

Observo os olhos verdes de Henry brilharem instantaneamente, como pequenas lanternas acesas de empolgação, antes mesmo dele começar a falar.

Ele se ajeita no colo do pai, e então dispara uma explicação animada sobre como ele e os outros dois começaram a construir um prédio de Lego muito, muito alto — tão alto que quase alcançava o teto — e como tiveram a ajuda da Naná do Theo, que aparentemente virou engenheira-chefe da operação.

Arqueio as sobrancelhas em pura descrença, segurando um riso enquanto meu afilhado continua, cada vez mais envolvido na propria narrativa

Mas algo me incomoda, uma pulga atrás da orelhe, sobre a tal “Naná do Theo”.

Automaticamente, desvio os olhos para David, que está sentado logo atrás de Henry. Ele não diz nada, mas não precisa.

Seu semblante exibe aquele maldito sorriso zombeteiro, discreto e provocativo na medida certa — o tipo de sorriso de quem sabe exatamente que eu vou querer respostas… e que ele está mais do que disposto a me entregá-las, uma a uma, como quem aprecia o espetáculo.

— Filho, que tal ir buscar aquele boneco do Homem-Aranha que você ganhou pra mostrar à tia Mia? — diz David, usando aquele tom caloroso, suave, quase ensaiado, que ele sempre usa com Henry quando não quer que o pequeno escute uma conversa de adultos.

Eu nem posso julgá-lo. Porque, por trás daqueles olhos verdes vibrantes, existe basicamente um gravador humano em miniatura — uma criança que absorve tudo, guarda tudo… e depois sai distribuindo informações como se fosse um jornal ambulante.

Os olhos de Henry brilham ainda mais, se isso for possível, e ele não hesita. Sem dizer mais nada, desce do colo do pai com a urgência típica da idade e sai correndo, os passinhos rápidos ecoando antes de desaparecer completamente da frente da câmera.

Assim que ele some, o ambiente muda. É sutil, mas é imediato.

David me encara por um segundo — só um — mas é o suficiente. Eu consigo sentir a intensidade do olhar dele mesmo através da tela, como se a distância entre nós fosse apenas um detalhe técnico, irrelevante diante do que realmente está sendo dito naquele silêncio.

— O Henry tá com saudades, sabia… — ele fala, a voz baixa, quase cúmplice, como quem me entrega o segredo do século e espera ver o efeito disso em mim.

— Só o Henry? — provoco, deixando um sorriso brincar nos meus lábios, leve, mas cheio de intenção.

— Você sabe que não. — ele responde no mesmo tom de antes, sem desviar, sem recuar. — Não vejo a hora de te ver, sabia? Um mês é muito tempo.

— Dramático. — retruco, um riso curto escapando, suave, mas sincero. — Eu também tô com saudades de vocês dois… — acrescento, e por um segundo a leveza vacila. — Eu andei pensando em muitas coisas… e a gente precisa conversar quando eu voltar.

— Uma conversa boa ou ruim? — ele pergunta, e dessa vez não tem provocação. Só hesitação. Pequena, quase imperceptível… mas eu conheço o suficiente pra notar.

🥀 Capitulo 36 🥀 1

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