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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 32

E, no meu caso, não havia absolutamente nada. Exceto, é claro, por aquele vídeo onde Amelie e Ryan protagonizam uma performance digna de atores pornô de quinta categoria... mas, bem, não há um único rastro digital que aponte o meu dedo como o autor do upload.

- Você deu um belo show lá dentro, garota - a voz de David ecoou ao meu lado enquanto atravessávamos o estacionamento. - Cael me mostrou os vídeos... é realmente satisfatório ver a justiça sendo feita de forma tão... visceral.

- Bote satisfatório nisso - respondi, deixando escapar uma risada curta e ácida. O alívio finalmente começando a pesar nos meus ombros. - Ainda mais a parte em que eu não vou ser arrastada para trás das grades por causa disso. Agradeço por me representar, Dr. Mackenzie. De verdade.

- Não precisa agradecer, Senhorita Brooks. Eu apenas fiz o meu trabalho - ele disse, com uma modéstia falsa que combinava perfeitamente com o corte caro do seu terno. Paramos ao lado de um carro que reluzia sob o sol.

- Eu duvido muito que o seu contrato de trabalho inclua mentir com tanta criatividade para uma autoridade - provoquei, arqueando uma sobrancelha.

David parou com a mão na maçaneta, um sorriso de canto surgindo em seu rosto.

- Eu não menti. Apenas fui firme no argumento técnico de que não existem acusações fundamentadas sem provas materiais. Além disso, facilitei o caminho ao mencionar o fato de que seu ex-namorado deve quantias astronômicas a pessoas... digamos... pouco amigáveis. O vício dele em jogos de azar cresceu exponencialmente no último ano, e isso cria um cenário perfeito de "ajuste de contas" por terceiros.

A calma com que ele expunha a ruína de Ryan não foi o que me chocou. Foi o conteúdo. Senti o chão oscilar levemente. David me olhou por um instante, captando a transição rápida da minha curiosidade para o espanto puro.

- Você não sabia, não é? - Ele fez uma pausa dramática, um riso seco e breve escapando de seus lábios. - Cael é o tipo de homem que gosta de se preparar para o que ele chama de "o inevitável". Acontece que ele tinha tanta convicção de que você aceitaria ser a babá do Theo que decidiu encurtar o caminho. Ele contratou um detetive para investigar sua vida, sua rotina, suas finanças... e sabe-se lá mais o quê. Conhecendo o Cael, ele deve ter sido bem específico ao dizer que "investigar tudo" significava literalmente cada detalhe sombrio do seu passado e presente. Achei que você já estivesse a par do nível de loucura dele.

- Sobre o seu amigo ser um completo maluco? Sim, eu já tinha uma leve suspeita - respondi, dando de ombros enquanto recomeçávamos a caminhar. - Descobri isso no momento em que ele resolveu me seguir por semanas sem nem saber meu nome, tudo baseado em uma obsessão que ele alimentou sozinho. Mas a parte do Ryan... eu realmente não fazia ideia. Dívidas de jogo? Envolvido com gente perigosa? Eu nunca notei nenhum sinal.

David abriu a porta do passageiro para mim, lançando um olhar de soslaio.

- Pessoas apaixonadas costumam desenvolver uma cegueira seletiva conveniente. - Estreitei os olhos para ele, sentindo a alfinetada. - Não me olhe assim, falo por experiência própria - ele acrescentou rapidamente, levantando as mãos em sinal de rendição.

- Você passou por algo do tipo? - perguntei, minha curiosidade agora genuinamente fisgada.

- Não diretamente comigo, mas como advogado, já vi carcaças de casamentos sendo devoradas por segredos assim. Principalmente em processos de divórcio onde a máscara cai - ele explicou enquanto entrava no carro e dava a partida. - Mas vamos lá, nova protegida do Cael. Ele me deu ordens estritas para te deixar na lanchonete primeiro. Você precisa resolver as pendências com seu antigo chefe antes de irmos buscar o Theo e o Henry.

- Henry? - o interrompi, franzindo a testa. - Achei que ele só tivesse um filho. Quero dizer, ele nunca levou nenhum outro garoto à lanchonete além do Theo. Quem é Henry?

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