Hannah Brooks.
- Deixa eu ver se entendi... - Jane faz uma pausa longa, quase dramática, como se estivesse organizando mentalmente cada pedaço do caos que acabei de despejar sobre ela. Seus olhos percorrem meu rosto com uma intensidade quase cômica, como se a palavra maluca estivesse realmente gravada na minha testa, brilhando em neon. - Você pegou seu noivo e a sua irmã te traindo, filmou, vazou o vídeo, depois bateu nos dois, expôs ambos ao ridículo... - outra pausa, dessa vez mais curta, mas carregada de julgamento - e, como se não fosse o suficiente, aceitou um novo emprego justamente com o cara que estava te perseguindo há semanas?
O silêncio que se segue pesa no ar, denso, quase palpável.
E, sendo completamente ÿúúm voz alta, organizado em sequência lógica, parece mesmo uma tremenda loucura. Uma daquelas histórias que você escuta sobre outra pessoa e pensa: isso só pode dar errado.
- Colocando dessa forma... - começo, deixando escapar um pequeno suspiro, enquanto um meio sorriso teima em surgir nos meus lábios - faz parecer que foi uma decisão impulsiva e irresponsável da minha parte.
Inclino levemente a cabeça, cruzando os braços por um instante, como se estivesse analisando a mim mesma de fora.
- Bem... talvez tenha sido. - admito, com uma honestidade quase despreocupada. - Mas, ei... eu descontei toda a raiva que eu estava sentindo nos dois. - dou de ombros, tentando soar mais leve do que realmente me sinto. - No fim, deu certo.
Jane solta um pequeno riso, daqueles que vêm mais do absurdo da situação do que de qualquer outra coisa.
- Você se vingou deles, isso eu até entendo. - ela diz, erguendo uma sobrancelha, cruzando os braços agora como se estivesse assumindo o papel da voz da razão. - E, sinceramente, eu faria o mesmo se o Levi ousasse me trair... - sua voz diminui um pouco, mas o olhar continua fixo em mim, afiado. - Mas aceitar trabalhar como babá para o cara que estava te perseguindo? Isso... - ela balança a cabeça devagar - isso é loucura, Hannah.
Eu me viro de volta para a mala aberta sobre a cama, tentando manter as mãos ocupadas enquanto minha mente corre mais rápido do que eu gostaria de admitir. Dobro uma blusa com cuidado exagerado, alisando o tecido como se aquilo pudesse organizar também os meus pensamentos.
- Ele vai me pagar três vezes mais do que a gente ganha atualmente. - respondo, mantendo o tom firme, quase automático. - E ainda vai custear os meus estudos.
As palavras saem com mais peso dessa vez. Mais verdade.
Paro por um segundo, os dedos ainda segurando o tecido, antes de continuar.
- Esse é o motivo principal, Jane. - acrescento, mais baixo. - Você sabe... - engulo em seco, respirando fundo - você sabe que eu estava me afogando nas dívidas.
O quarto parece menor por um instante.
Respiro fundo novamente, dessa vez mais devagar, e prendo o cabelo de qualquer jeito, como se precisasse desse gesto simples para me recompor. Quando volto a encará-la, tento sustentar um olhar mais firme, mais seguro do que me sinto por dentro.
- São só alguns anos... - digo, escolhendo cada palavra com cuidado. - O suficiente para terminar a faculdade. Ou, quem sabe, até conseguir uma residência em algum hospital da região.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo