Hannah Brooks.
Abro a boca para falar.
— E quanto ao incidente de hoje à noite, eu—
— Meu advogado já está cuidando de tudo — ele corta, sem sequer olhar para mim. — Tenho hackers vasculhando a internet atrás de qualquer coisa que possa te incriminar. E, caso algum imprevisto surja… tenho pessoas para lidar com isso.
Ele diz aquilo com uma naturalidade absurda.
Como se estivesse falando sobre o clima.
Como se manipular situações inteiras fosse apenas mais um item da lista do dia.
— Vá para a sala enquanto eu guardo isso.
E, com isso, ele praticamente me dispensa.
Fico olhando por um segundo, observando enquanto ele organiza tudo com uma eficiência irritante, como se nada daquela noite tivesse saído do controle.
Como se ele nunca perdesse o controle.
Reviro os olhos mais uma vez e desço do banco, seguindo em direção à sala.
E, quando me jogo em um dos enormes sofás…
Céus.
É como afundar em uma nuvem.
Macio demais. Confortável demais. Silencioso demais.
Meu corpo cede quase instantaneamente, cada músculo finalmente relaxando depois de horas em alerta constante. A cabeça pesa, os olhos ardem, e, pela primeira vez desde que tudo começou…
O cansaço vence.
Talvez… só talvez… eu feche os olhos por um segundo.
Só um.
Antes de ir embora.
》《
Cael Sterling.
Aquilo tinha sido um erro.
Eu soube disso no exato momento em que aceitei a ideia — ou melhor, no exato momento em que permiti que aquilo sequer se tornasse uma ideia. E, ainda assim, aqui estou eu, subindo as escadas da minha própria casa como se estivesse fugindo dela, passando a mão pelo rosto enquanto tento, inutilmente, organizar os pensamentos.
Aquela garota.
Irresponsável, irritante, boca afiada e completamente desprovida de qualquer instinto de autopreservação. Quem, em sã consciência, responde daquela forma? Quem encara alguém como eu daquela maneira, como se não houvesse consequência alguma?
Solto um riso baixo, sem humor.
— Eu devo ter perdido completamente o juízo…
Murmuro para mim mesmo enquanto entro no quarto, já afrouxando os botões da camisa com movimentos impacientes. Caminho direto para o closet — amplo, organizado, cada peça no lugar exato — e puxo outra camisa qualquer, sem nem me dar ao trabalho de escolher direito.
Tudo isso… por causa dela.
Eu poderia ter contratado qualquer profissional qualificado, alguém discreto, eficiente, silencioso. Alguém que soubesse o próprio lugar. Mas não. Eu fui atrás daquela garota, com aquele temperamento impossível, aquela língua afiada e aquela tendência absurda de se meter em situações que claramente não consegue controlar.
E o pior?
Ela ainda tem coragem de me enfrentar.
Fecho os olhos por um breve instante, soltando o ar devagar enquanto passo a nova camisa pelos ombros.
— Isso precisa valer a pena…
Porque, no fim das contas, tudo isso tem um único motivo.
Theo.
A imagem do meu filho surge na minha mente com uma clareza irritante. O sorriso dele. A forma como se apega rápido demais às pessoas erradas. A forma como… precisa de alguém que esteja ali de verdade.
E, por mais absurdo que seja admitir… aquela garota conseguiu algo.
Mesmo no meio do caos.
Mesmo sendo completamente inadequada.
Ela conseguiu fazer Theo sorrir.

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