Hannah Brooks.
E definitivamente não é uma sensação boa.
— Entenda uma coisa de uma vez por todas, garota… — a voz dele desce um tom, ficando baixa, afiada, perigosa de um jeito que arrepia a pele. — Eu não preciso de jogos para conseguir o que eu quero.
Meu corpo enrijece, mas eu não recuo.
— Isso significa que, se eu quisesse algo mais de você além de ser babá do meu filho — ele continua, cada palavra medida, calculada —, o que claramente não vai acontecer… eu conseguiria sem muito esforço.
O silêncio pesa.
— E você sabe disso.
A fúria sobe quente dentro de mim, queimando rápido, alimentada pela forma como ele me encara — como se tivesse certeza de cada palavra que acabou de dizer.
— Sabe por quê? — ele dá mais um passo, diminuindo ainda mais o espaço entre nós.
Agora estamos perto demais.
— Porque são as mulheres que se jogam aos meus pés… e não o contrário.
Meu maxilar trava.
— Não importa quem sejam. Todas são interesseiras. Todas querem um homem bem-sucedido para bancar seus luxos… — ele inclina levemente a cabeça, como se estivesse analisando algo em mim — e, acredite quando eu digo… você estaria na minha cama até o amanhecer, se eu quisesse.
Ele não termina.
Não precisa.
O som do tapa ecoa antes que qualquer outra palavra possa existir.
Minha mão encontra o rosto dele com toda a força que eu tenho — e, por um segundo, o mundo parece parar. O impacto reverbera pelo meu braço, mas o que toma conta de mim não é dor.
É outra coisa.
Algo quase… satisfatório.
Ele leva a mão ao rosto imediatamente, tocando o lugar onde acabei de acertá-lo. O semblante muda na mesma hora — fecha, endurece. E os olhos… os olhos escurecem, perigosos de um jeito que faria qualquer pessoa dar um passo para trás.
Qualquer pessoa.
Mas não eu.
Eu sustento o olhar.
E ainda avanço.
— Nunca mais ouse me insultar dessa forma, Sterling — digo, cada palavra firme, sem espaço para dúvida. — Vou deixar três coisas bem claras senhor Sterling, só para o caso de que um dia você de esqueça. Primeiro, eu não quero o seu dinheiro. Segundo, é você quem está me perseguindo e não o contrario. E terceiro, se algum dia eu for para a cama com você Cael Sterling, pode ter certeza que o inferno congelou e o diabo tirou ferias.
Ele arqueia levemente a sobrancelha, como se estivesse surpreso — ou talvez apenas intrigado. Não me importo em descobrir qual dos dois.
— Preciso te informar uma coisa — continuo, sem quebrar o contato visual. — Você não é o último homem da face da Terra, vossa majestade. E mesmo que fosse, não faria o meu tipo, sabe como é certo eu não gosto de... velhos.
Dou mais um passo.
Agora somos praticamente uma linha tênue prestes a romper.
Os olhos dele ficam ainda mais escuros, mais intensos — como se estivesse se segurando. Como se qualquer movimento em falso pudesse virar outra coisa completamente diferente.
— Mas isso nem vem ao caso agora certo. — deixo um pequeno sorriso se formar em meus labios. — Não é porque você vai ser meu chefe que isso significa que eu vou aceitar desrespeito — minha voz sai mais baixa, mas não menos firme. — Você me respeita, eu te respeito. Simples assim.
Inclino levemente a cabeça.
— Agora, fala outra merda dessas… e eu toco fogo nessa casa com você dentro.
Uma pausa.
— E ainda faço parecer acidente.
O silêncio que se segue é quase palpável.
Pesado. Denso. Vivo.
— Você não é maluca, garota — ele diz por fim, os olhos ainda presos nos meus.
A diferença de altura entre nós é evidente agora. Ele poderia facilmente me intimidar.
Mas não intimida.
— Quer mesmo pagar pra ver? — arqueio uma sobrancelha, deixando um meio sorriso surgir nos meus lábios.
Um desafio.

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