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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 27

Cael Sterling.

São quase 23 horas, e a cidade parece respirar de forma diferente nesse horário, como se estivesse cansada demais para manter o ritmo frenético do dia.

A garoa cai constante, delicada, banhando o asfalto e refletindo as luzes dos postes em tons dourados e difusos. Ligo o som do carro em uma rádio aleatória, deixando que uma música qualquer preencha o espaço entre nós, ocupando o silêncio que se instala — pesado, denso, carregado de coisas não ditas.

Eu poderia falar alguma coisa.

Qualquer coisa.

Uma frase ensaiada, uma tentativa de conforto, talvez até um comentário banal só para quebrar a tensão. Mas eu não sou esse tipo de pessoa.

Nunca fui. Não sou o tipo que consola alguém depois de um término difícil, que oferece palavras vazias embrulhadas em gentileza. Isso não faz parte de mim.

Não... talvez a Mia fosse esse tipo de pessoa.

Sem dúvidas, ela é.

Quanto a mim, eu sou o oposto exato. Eu resolvo problemas. De forma prática, direta, sem rodeios. E se existe uma maneira de resolver algo com dinheiro, então a situação já está, essencialmente, resolvida. Como aconteceu minutos atrás. Simples, rápido, eficiente. Do jeito que deve ser.

Sofrer pelo que foi perdido... isso nunca me atraiu. Nunca fez sentido para mim. Se algo — ou alguém — foi embora, é porque nunca deveria ter permanecido. É uma lógica fria, talvez até cruel para alguns, mas funcional. E é tudo o que importa. Claro, não me refiro a partidas trágicas, inevitáveis... isso é diferente. Mas escolhas? Decisões? Essas sempre carregam um propósito, mesmo que as pessoas insistam em ignorá-lo.

E pensar que ainda preciso limpar toda a bagunça causada essa noite.

Um riso seco escapa de meus labios, enquanto observo a estrada a frente. Não se trata apenas dos vídeos e fotos — dela arrastando a irmã nua para fora do prédio, uma cena que, em poucas horas, poderia se tornar um espetáculo público. Trata-se de eliminar qualquer vestígio, qualquer acusação que ouse surgir, qualquer coisa que possa prejudicá-la.

Será uma longa noite.

Sem dúvida alguma.

Mas isso não importa.

— Esse não é o caminho para a minha casa. — a voz dela corta o silêncio de forma súbita, firme o suficiente para denunciar que, apesar do silêncio anterior, ela não está tão alheia quanto parecia.

— Você está certa. — respondo, com a mesma calma de sempre, sem desviar os olhos da estrada molhada à minha frente.

— Para onde está me levando? — ela pergunta, e dessa vez sinto o peso do olhar dela sobre mim.

Aquelas orbes esverdeadas, agora mais alertas, mais vivas, fixas no meu rosto como se tentassem arrancar uma resposta antes mesmo que eu a pronuncie.

— Minha casa.

O silêncio que se segue dura apenas um segundo — o suficiente para que a reação venha.

— Você é maluco. — ela bufa, revirando os olhos antes de se encolher levemente no banco, cruzando os braços como se criasse uma barreira invisível entre nós. — Qual o sentido de levar uma desconhecida para a própria casa?

Permaneço em silêncio. Não porque não tenha uma resposta... mas porque qualquer resposta que eu dê não seria suficiente.

Ou talvez eu apenas não saiba exatamente como responder.

A garoa fina lá fora havia se transformado em tempestade, borrando as luzes da cidade a nossa volta.

— Tudo que estava no contrato... — a voz dela surge novamente, mais baixa, carregando uma hesitação que não estava ali antes. — você realmente vai pagar todos os meus estudos se eu começar a trabalhar para você?

Há uma pausa. Pequena, mas suficiente para que o peso da pergunta se instale.

Desvio o olhar da estrada por um breve segundo, apenas o bastante para observá-la. Pela primeira vez desde que entrou no carro, há algo diferente nela. Não é raiva. Não é ironia.

É incerteza.

E isso... isso é novo.

— Eu sou um homem de palavra, garota. — digo com firmeza, mantendo a atenção na estrada à nossa frente.

— Sua imagem será limpa ainda nessa madrugada. Vídeos, fotos... qualquer coisa que possa te comprometer vai desaparecer. E qualquer denúncia — do seu ex, da sua irmã ou de quem quer que seja — não vai sequer ter tempo de existir.

Minhas palavras ecoam precisas.

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