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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 26

Hannah Brooks.

Quando finalmente atravessamos as portas de vidro do prédio, o vento frio da noite de Toronto nos atinge de uma vez, cortando a pele, trazendo um contraste quase cruel com o calor da raiva que ainda ferve dentro de mim. Arrasto Amelie até o meio da rua, onde seus gritos agora se espalham livremente, chamando ainda mais atenção.

Mais gente.

Mais olhos.

Mais plateia.

Paro.

Finalmente paro.

— Você queria um palco, irmãzinha… — digo, sorrindo, a voz baixa, mas firme o suficiente para atravessar o burburinho ao redor. — Então pronto.

Inclino levemente a cabeça, observando a cena como quem admira uma obra finalizada.

— Com direito à plateia.

Solto os cabelos dela com um empurrão seco, fazendo seu corpo cambalear alguns passos para frente. O desespero toma conta de Amelie de forma quase imediata, as mãos tremendo enquanto ela tenta, sem sucesso, se cobrir, se esconder, desaparecer. Mas não há para onde ir. Não mais.

— Filmem à vontade. — digo, fria, erguendo um pouco o queixo enquanto lanço o olhar para todos ao redor. — Essa vagabunda é minha irmã.

Minha voz corta o burburinho com facilidade.

— Eu acabei de chegar do trabalho, cansada pra caralho depois de um dia exaustivo… só pra encontrar ela na cama com o meu noivo. — continuo, cada palavra carregada de um peso que eu faço questão de deixar claro. — Depois de tudo que eu fiz por ela… TUDO… ela teve a audácia de dormir com ele e ainda tentar me humilhar.

Puxo o ar devagar, sentindo o peito subir e descer, forçando qualquer resto de tremor a desaparecer antes de voltar minha atenção exclusivamente para ela.

— E aí? — pergunto, inclinando levemente a cabeça, um sorriso sincero — quase leve — surgindo nos meus lábios. — Como é provar do próprio veneno, maninha?

O silêncio dura pouco.

O som de aplausos corta o ar.

Alto. Ritmado. Inesperado.

Minha atenção se desloca automaticamente, assim como a de todos ao redor. Os rostos curiosos se abrem, criando um pequeno corredor improvisado, e é então que eu vejo.

Sterling.

Parado à beira da multidão, os olhos azuis fixos em mim com uma intensidade sufocante, quase palpável. Há algo naquele olhar… algo que não combina com o caos ao redor. Algo frio. Calculista. Fascinado.

Meu coração falha por um segundo.

Só um.

Ele começa a andar na minha direção, abrindo espaço entre as pessoas com uma facilidade absurda, como um predador atravessando um bando que simplesmente… cede.

E todos cedem.

— Você foi brilhante, garota. — ele diz ao parar na minha frente, a voz rouca, baixa demais para o cenário, mas ainda assim perfeitamente audível.

Os olhos dele não saem dos meus.

— Simplesmente brilhante.

Engulo seco, mas sustento o olhar.

— Eu fui… — confirmo, quase automática, sentindo um estranho orgulho se instalar no meu peito.

E isso… isso é perigoso.

— Onde está o traidor? — ele pergunta, e há um desprezo tão claro na forma como ele se refere a Ryan que chega a ser quase físico.

— Lá em cima… — respondo, sem desviar os olhos. — Apanhou demais pra conseguir levantar sozinho.

Um canto dos lábios dele se ergue, satisfeito.

— Estou orgulhoso de você.

As palavras são simples. Diretas.

E ainda assim fazem meu estômago revirar de um jeito estranho.

Ele então desvia o olhar para a multidão ao redor, um sorriso de puro escárnio surgindo nos lábios.

— Dou dez mil dólares… — começa, a voz firme, cortando qualquer som ao redor. — pra quem tiver a gentileza de subir lá em cima e arrastar aquele traidor pra fora.

Uma pausa.

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