Hannah Brooks.
Volto minha atenção para Ryan como se Amelie sequer estivesse ali. Ele se contorce no chão, a respiração curta, irregular, gemendo de dor enquanto mantém a mão pressionada contra a lateral do corpo. O desespero nos olhos dele é quase… satisfatório. Eu me abaixo ao lado dele, apoiando o taco de beisebol no chão, observando cada contração, cada tentativa falha de recuperar o controle.
Ele me encara como se não me reconhecesse.
E talvez não reconheça mesmo.
— Eu te dei três anos da minha vida, Ryan… — começo, a voz carregada de um cinismo tão ácido que quase queima minha língua. — Três anos. Eu realmente achei que a gente fosse casar, construir uma família… acredita nisso?
Inclino levemente a cabeça, analisando a expressão dele como se fosse um experimento fracassado.
— E pensar que, enquanto eu planejava um futuro com você, você estava por aí fodendo a minha irmã… — solto uma risada curta, sem humor algum. — Que ironia do caralho, não acha?
— Hannah… — ele tenta, a voz falhando, presa entre a dor e o pânico. — Eu… não…
— Shii… — interrompo, levando o dedo aos lábios em um gesto quase carinhoso, completamente deslocado. — Não se esforça muito, amor. Eu ainda não terminei com você.
Sorrio.
E não é um sorriso bonito.
Me levanto devagar, com uma tranquilidade que não sei de onde tirei, e me viro para o desperdício de DNA encostado no canto do quarto. Amelie está paralisada, os olhos arregalados, como se estivesse encarando um fantasma. O horror estampado no rosto dela é quase artístico.
Quase.
— Há quanto tempo? — pergunto, simplesmente. Sem elevar o tom, sem pressa. — Há quanto tempo vocês estão dormindo juntos?
Por um segundo, ela hesita. Mas então o orgulho fala mais alto.
— Dois meses… — responde, a voz carregada de uma raiva mal disfarçada.
Dou um leve aceno de cabeça, como se estivesse processando a informação.
— Dois meses que seu noivo perfeito está me fodendo, irmãzinha… — ela continua, agora com um sorriso venenoso tomando forma. — Dois meses que ele me procura pra ter o prazer que você não consegue dar.
E então ela ri.
Gargalha, na verdade.
Alto. Escancarado. Cheio de sarcasmo e crueldade, como se cada palavra fosse um golpe calculado.
— Você é uma inútil, sempre foi… — ela dispara, sem freio. — Nossos pais sempre te desprezaram, não importa o quanto você tentasse dar orgulho pra eles… e sabe por quê? Porque você é insignificante. Não passa de uma idiota que se mata de trabalhar enquanto eles pegavam o seu dinheiro.
Sinto algo dentro de mim se mexer.
Mas não quebra.
Não mais.
— E você sabe pra que era aquela “ajuda” com as contas, irmãzinha… — ela faz uma careta de escárnio, saboreando cada palavra. — Era pra mim. Todos esses anos. Cada centavo indo direto pro meu bolso. Porque papai e mamãe preferiam te ver se matando de trabalhar do que me ver fazer qualquer esforço. Porque, no fim das contas… eu sempre fui a filha favorita.
O silêncio que se segue é pesado.
Denso.
E então eu rio.
Um riso verdadeiro.
Daqueles que escapam sem permissão, que sacodem o corpo e fazem o ar faltar por um segundo. Levo a mão ao abdômen, quase sentindo dor de tanto rir, porque aquilo — aquilo é simplesmente patético.
— E você realmente acha que eu tô ligando pra isso? — minha voz sai carregada de um sarcasmo tão afiado que poderia cortar. — Nossos pais te mimaram a vida inteira… e pra quê?
Dou um passo à frente, analisando ela de cima a baixo, sem esconder o desprezo.
— Pra você virar amante de um músico medíocre que vive de meio salário, mal paga as próprias contas e mora num apartamento fodido em um dos piores bairros da cidade?

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