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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 24

Hannah Brooks.

Volto minha atenção para Ryan como se Amelie sequer estivesse ali. Ele se contorce no chão, a respiração curta, irregular, gemendo de dor enquanto mantém a mão pressionada contra a lateral do corpo. O desespero nos olhos dele é quase… satisfatório. Eu me abaixo ao lado dele, apoiando o taco de beisebol no chão, observando cada contração, cada tentativa falha de recuperar o controle.

Ele me encara como se não me reconhecesse.

E talvez não reconheça mesmo.

— Eu te dei três anos da minha vida, Ryan… — começo, a voz carregada de um cinismo tão ácido que quase queima minha língua. — Três anos. Eu realmente achei que a gente fosse casar, construir uma família… acredita nisso?

Inclino levemente a cabeça, analisando a expressão dele como se fosse um experimento fracassado.

— E pensar que, enquanto eu planejava um futuro com você, você estava por aí fodendo a minha irmã… — solto uma risada curta, sem humor algum. — Que ironia do caralho, não acha?

— Hannah… — ele tenta, a voz falhando, presa entre a dor e o pânico. — Eu… não…

— Shii… — interrompo, levando o dedo aos lábios em um gesto quase carinhoso, completamente deslocado. — Não se esforça muito, amor. Eu ainda não terminei com você.

Sorrio.

E não é um sorriso bonito.

Me levanto devagar, com uma tranquilidade que não sei de onde tirei, e me viro para o desperdício de DNA encostado no canto do quarto. Amelie está paralisada, os olhos arregalados, como se estivesse encarando um fantasma. O horror estampado no rosto dela é quase artístico.

Quase.

— Há quanto tempo? — pergunto, simplesmente. Sem elevar o tom, sem pressa. — Há quanto tempo vocês estão dormindo juntos?

Por um segundo, ela hesita. Mas então o orgulho fala mais alto.

— Dois meses… — responde, a voz carregada de uma raiva mal disfarçada.

Dou um leve aceno de cabeça, como se estivesse processando a informação.

— Dois meses que seu noivo perfeito está me fodendo, irmãzinha… — ela continua, agora com um sorriso venenoso tomando forma. — Dois meses que ele me procura pra ter o prazer que você não consegue dar.

E então ela ri.

Gargalha, na verdade.

Alto. Escancarado. Cheio de sarcasmo e crueldade, como se cada palavra fosse um golpe calculado.

— Você é uma inútil, sempre foi… — ela dispara, sem freio. — Nossos pais sempre te desprezaram, não importa o quanto você tentasse dar orgulho pra eles… e sabe por quê? Porque você é insignificante. Não passa de uma idiota que se mata de trabalhar enquanto eles pegavam o seu dinheiro.

Sinto algo dentro de mim se mexer.

Mas não quebra.

Não mais.

— E você sabe pra que era aquela “ajuda” com as contas, irmãzinha… — ela faz uma careta de escárnio, saboreando cada palavra. — Era pra mim. Todos esses anos. Cada centavo indo direto pro meu bolso. Porque papai e mamãe preferiam te ver se matando de trabalhar do que me ver fazer qualquer esforço. Porque, no fim das contas… eu sempre fui a filha favorita.

O silêncio que se segue é pesado.

Denso.

E então eu rio.

Um riso verdadeiro.

Daqueles que escapam sem permissão, que sacodem o corpo e fazem o ar faltar por um segundo. Levo a mão ao abdômen, quase sentindo dor de tanto rir, porque aquilo — aquilo é simplesmente patético.

— E você realmente acha que eu tô ligando pra isso? — minha voz sai carregada de um sarcasmo tão afiado que poderia cortar. — Nossos pais te mimaram a vida inteira… e pra quê?

Dou um passo à frente, analisando ela de cima a baixo, sem esconder o desprezo.

— Pra você virar amante de um músico medíocre que vive de meio salário, mal paga as próprias contas e mora num apartamento fodido em um dos piores bairros da cidade?

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