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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 23

Hannah Brooks.

A mensagem de Cael é tudo o que eu precisava — o estalo frio, preciso, que empurra qualquer resquício de histeria para um canto escuro da minha mente. Meu lado racional assume o controle como um general entrando em campo de batalha.

Sem pressa, sem tremor. Apenas propósito. Abro a câmera do celular enquanto caminho em direção à porta entreaberta, cada passo medido, cada respiração pesada demais para caber no peito. Posiciono o aparelho na fresta, ajustando o ângulo com um cuidado quase clínico, até ter a visão perfeita.

E lá estão eles.

Amelie. Minha irmã. Aquela vadia desgraçada.

Comparando nossos corpos com um sorriso venenoso nos lábios enquanto Ryan a fodia como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Meu mundo não quebra — ele apodrece. A cena é repugnante, grotesca, suja de um jeito que faz meu estômago revirar violentamente, como se meu próprio corpo rejeitasse aquilo. Ainda assim, eu não desvio o olhar. Não. Eu registro. Cada segundo. Cada gemido. Cada maldita expressão. Fotos. Vídeos. Provas.

Porque se eles queriam fazer disso um espetáculo, então eu faria questão de dar uma plateia.

Recuo para a sala com a mesma calma assustadora, como se não tivesse acabado de assistir minha vida ser rasgada ao meio. Pego minha cópia da chave e calmamente tranco a porta da frente, para evitar que um dos dois tente fugir.

Por quê, sejamos sinceros, qual seria a graça da situação se eu apenas me vinga-se de um e deixasse o outro sair ileso ? Guardo a chave no bolso da calça, e volto para o meu celular com toda a calma do mundo.

Sem hesitar, abro as redes sociais de Ryan — todas conectadas ao meu celular, ironicamente por escolha dele. Que conveniente.

Posto tudo.

Sem filtro. Sem censura. Sem misericórdia.

A legenda é simples, direta, uma sentença:

“Casamento cancelado.”

E não paro por aí. Entro nos grupos do bairro, no grupo da família dele, no da minha família estendida… qualquer lugar onde o nome dele tenha algum peso. Onde a reputação dele respire. E então eu asfixio tudo isso com imagens e vídeos que vão grudar nele como uma praga.

Não penso nas consequências. Não penso no caos.

Eu quero o caos.

O celular começa a vibrar quase imediatamente, uma avalanche de notificações explodindo na palma da minha mão. Mensagens. Ligações. Reações. O circo pegando fogo — exatamente como deveria ser.

Mas eu não olho.

Bloqueio a tela, enfio o celular no bolso da calça e deixo o silêncio da sala tomar conta. Meus olhos vagam pelo espaço bagunçado, absorvendo cada detalhe: roupas jogadas, almofadas no chão, sinais claros de que eles começaram aquela merda ali mesmo, sem nem o mínimo de decência.

Animais.

É quando eu vejo.

O taco de beisebol no canto da sala.

Ryan sempre foi obcecado por aquela merda. Um taco autografado, tratado como uma relíquia sagrada, exibido com orgulho irritante para qualquer um que cruzasse a porta desse apartamento. Um símbolo do ego inflado dele.

Sem pensar duas vezes, eu pego o objeto.

O peso encaixa perfeitamente nas minhas mãos.

Firme. Sólido. Promissor.

Testo o movimento no ar, sentindo o equilíbrio, a força que ele carrega. E então, sem aviso, eu giro o corpo e acerto.

A TV na parede explode com o impacto.

O som é alto, estilhaçando o silêncio como um trovão. Eu bato de novo. E de novo. E de novo. Cada golpe carregado de uma fúria que eu nem sabia que cabia dentro de mim. Plástico, vidro, metal — tudo cedendo sob a força bruta.

Respiro fundo.

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