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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 187

Hannah Brooks.

Dias depois.

O sol forte de março começa a rasgar o nevoeiro do inverno de Toronto, banhando a suíte com uma luz dourada e acolhedora. O relógio na parede marca pouco mais de sete e meia da manhã, e a mansão já respira uma energia diferente, vibrante. Hoje é o aniversário do Cael, mas antes que a casa seja tomada pela comemoração da tarde, a minha missão mais importante do dia está acontecendo bem aqui, no meio do quarto do Theo.

- Theo, meu amor, para de morder a meia! Pelo amor de Deus, fica em pé dois minutinhos! - peço entre risos, tentando equilibrar o tênis azul nos pés do garoto enquanto ele gargalha, se contorcendo sobre a cama.

Ao nosso lado, uma massa de pelos cinzentos e patas desengonçadas decide que é o momento perfeito para intervir. Duke, o nosso filhote de Dogue Alemão de apenas cinco meses - que de pequeno não tem absolutamente nada e já parece um bezerro solto pela casa -, solta um latido grave e abafado, abanando o rabo com tanta força que faz a luminária do criado-mudo tremer. Ele enfia o fucinho enorme debaixo do braço do Theo, lambendo a bochecha do garoto e fazendo-o soltar uma gargalhada aguda.

- Nana! O Duke tá me lambendo! Ele tá me fazendo cócegas! - Theo protesta, rindo tanto que fica com o rosto corado.

- Duke, sai, garoto! Deixa eu arrumar o seu irmão... quer dizer, deixa eu arrumar o Theo - me corrijo rapidamente, sentindo um solavanco no peito ao quase deixar a palavra escapar.

Cael já desceu para o escritório do primeiro andar há cerca de vinte minutos para resolver uma conferência de emergência com a diretoria da Sterling Corp antes que os convidados comecem a chegar para o almoço. É o nosso momento. O momento perfeito.

Termino de amarrar o cadarço do tênis do Theo, puxo a barra da sua camiseta de dinossauros e me ajoelho no tapete felpudo, ficando exatamente na altura dele. Seguro as suas mãozinhas miúdas e quentes entre as minhas. Duke senta ao nosso lado, ajeitando a cabeça enorme sobre as minhas coxas, como se soubesse que algo grande está prestes a acontecer.

- Theo, olha pra Nana - digo, baixando o tom de voz para um sussurro conspiratório.

Ele para de se mexer imediatamente. Os olhos grandes e de um azul incrivelmente intenso - idênticos aos do pai - se fixam nos meus com uma curiosidade pura, cristalina. Ele pende a cabeça para o lado, ajeitando a franja escura com a mãozinha.

- O que foi, Nana? É sobre o bolo do papai? Eu não comi o brigadeiro, eu juro! Foi o Duke!

- Não é sobre o bolo, seu sapeca - dou uma risada curta, sentindo a minha garganta arranhar por causa do nervosismo e da emoção que já começam a subir. Passo os dedos pelo rosto dele, alisando a pele macia. - A Nana precisa te contar uma coisa muito importante. Um presente de aniversário pro papai, mas que também é um presente pra você.

Theo arregala os olhos azuis, a boca pequena se abrindo em um "O" perfeito.

- Um presente pra mim também? É um dinossauro de verdade?

- Não - sorrio, sentindo as primeiras lágrimas queimarem o fundo dos meus olhos, mas me segurando para não assustá-lo. Respiro fundo, buscando as palavras certas para a mente de quatro anos dele. - Sabe quando você pede pra Papai do Céu pra não brincar mais sozinho? Quando você fala que quer alguém bem pequenininho pra ensinar a jogar bola e mostrar seus brinquedos?

Ele pisca devagar, processando as palavras. A expressão inocente vai mudando aos poucos, a inteligência afiada que ele herdou do Cael trabalhando rapidamente.

- Sei... - ele sussurra, os olhos fixos nos meus.

- Pois é. A sementinha do Papai do Céu cresceu... e a Nana tá guardando um bebê na barriga. Daqui a alguns meses, você vai ganhar um irmãozinho de verdade.

O silêncio reina no quarto por dois segundos inteiros.

Theo congela na minha frente. Os olhos azuis parecem se expandir até o limite, encarando a minha barriga coberta pelo suéter leve e depois voltando para o meu rosto. A boquinha dele continua aberta, mostrando os dentes de leite perfeitamente alinhados, em um choque puro de criança.

- Um... um bebê? De verdade? Igual os gêmeos da titia Mia? - ele pergunta num fio de voz, a incredulidade estampada na cara.

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