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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 183

Dois meses depois.

Narradora.

Dois meses se passaram desde aquela manhã fria de janeiro em que Amelie desabou no hall de entrada. O inverno rigoroso de Toronto começava a dar seus últimos suspiros, dando espaço para o ar claro do início de março.

No hospital da família Voss, o quarto de Amelie era mantida sob uma penumbra serena. O som dos monitores havia sido ajustado para o menor volume possível, reduzindo a estática do ambiente a um sussurro calmo.

O tratamento paliativo liderado por Andrew Voss garantira que a dor física fosse praticamente nula, mas a medula de Amelie já não respondia mais. Ela estava no limite de suas forças, dormindo a maior parte do dia.

Nas poucas horas em que permanecia consciente, o quarto deixara de ser o cenário de uma tragédia solitária.

Adelaide Voss, cuja própria história fora marcada pelo isolamento e pela perda, passava longos períodos sentada ao lado do leito da jovem. Sem julgamentos ou cobranças pelo passado, a mãe de Hannah segurava a mão trêmula de Amelie, oferecendo a presença e o aconchego que a garota não tivera nos últimos meses de sua vida.

Hannah acompanhava tudo à distância justa - presente o suficiente para garantir que nada faltasse, mas respeitando o espaço de despedida.

Cael permaneceu ao seu lado durante todo o processo, sendo o pilar silencioso que a sustentava nos momentos em que o peso de ver a irmã definhar se tornava denso demais.

E havia Mia.

Nas últimas semanas de vida de Amelie, Mia visitava o quarto todos os dias carregando os gêmeos - que já apresentavam bochechas coradas, dobrinhas saudáveis nos braços e um ganho de peso impressionante graças aos cuidados intensivos da UTI neonatal.

Numa tarde ensolarada, a poucos dias do fim, Amelie abriu os olhos lentamente.

Ela observou Mia em pé ao lado da janela, ninando suavemente o menininho, enquanto David, sentado no sofá do quarto, segurava a menininha com um cuidado quase sagrado, completamente rendido à paternidade.

O pequeno Henry estava encostado nos joelhos do pai, olhando fascinado para a irmãzinha que acabara de ganhar.

Amelie encarou a cena com lágrimas silenciosas escorrendo por seu rosto encovado.

- Eles... eles combinam com vocês - a voz de Amelie saiu num sopro fraco, rasgado.

Mia aproximou-se da cama devagar, abaixando-se para que Amelie pudesse tocar o rosto do filho uma última vez..

- Eles são o nosso milagre, Amelie - sussurrou Mia, a voz embargada pela emoção, cobrindo a mão fraca de Amelie sobre a bochecha do bebê. - O David e eu amamos essas crianças desde o primeiro segundo no hall. Nós vamos dar a eles o mundo inteiro. Eles vão crescer sabendo exatamente quem você foi e o sacrifício que fez por eles.

Amelie esboçou um sorriso fraco, em paz.

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