Hannah Brooks.
Vocês estão preparadas para chorar mais um pouco... ?
》》》》☆☆《《《《
》》》》☆☆《《《《
Escuto a revelação sem qualquer sobressalto. Não havia surpresa. O homem que traíra a confiança de anos por um capricho fútil agira exatamente como o covarde que sempre foi.
- Ele te deixou na rua ?
- Eu estive morando com nossos pais até eles também sumirem meses atrás. - a voz dela falha. - Passei os ultimos meses vivendo de favor, pois a casa foi a leilão... dormindo em abrigos e tentando sobreviver de migalhas.
- E mesmo assim você teve a audácia de bater na porta da mansão dos Sterling - pontuei, inclinando o corpo para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. - Você sabia o quanto eu te odiava. Sabia o que você fez comigo.
- Eu não fui lá por mim! - Amelie elevou a voz num fio desesperado, a dor no peito fazendo-a franzir o rosto. - Eu juro pela vida dos meus filhos, Hannah! Eu não fui até lá pedir dinheiro para a minha doença, nem pedi para ser salva... Eu sei que não tenho salvação! Eu sei que vou morrer em breve! Mas eu sabia que você... por mais que me odiasse com toda a sua alma... você não deixaria dois bebês inocentes morrerem de fome no inverno. Você é a única pessoa no mundo que tem humanidade suficiente para não deixar os meus filhos jogados num abrigo qualquer.
A confissão crua e sem filtros de Amelie ecoou no quarto de hospital como um eco doloroso. Ela não estava ali bancando a vítima para conseguir perdão fácil; estava ali como uma mãe desesperada que reconhecia a própria insignificância e a iminência da própria morte.
Respiro fundo e me ponho de pé devagar.
O som dos meus passos quebra a estática do ambiente enquanto caminho até a lateral da cama dela, parando a poucos centímetros do leito.
- Você achou que lhe devia algo, Amelie - disse, olhando-a de cima com uma firmeza. Mas sentindo algo dentro de mim, por que independente de tudo, ela ainda era a garota que cresceu comigo. Brincando de casinha e dividindo doces.- Achou que poderia ferrar com a minha vida e simplesmente sair impune, infelizmente o carma não dorme quando a questão é dar o troco.
Amelie fechou os olhos, encolhendo os ombros, esperando a tempestade.
- Ver você assim... - continuei, a voz carregada de uma paz que não sabia explicar. - Ver você definhando nessa cama, me mostrou que a vida já cobrou a sua conta. E a cobrança foi mais cruel do que qualquer coisa que eu poderia ter planejado.
Ela abriu os olhos devagar, encarando-me através do choro.
- Eu não vou te jogar na rua, Amelie. E não vou deixar os seus filhos passarem fome - declarei, sustentando seu olhar. - O meu tio Andrew vai garantir que você tenha o melhor tratamento paliativo possível para não sentir dor. Você vai ter dignidade nos seus últimos dias. E quanto aos gêmeos... eles vão ter uma vida que você jamais poderia proporcionar.
Amelie soltou um arfar trêmulo, a boca aberta num choque de gratidão incerta.
- Você... você me perdoa, Hannah? - sussurrou ela, a palavra saindo como o pedido final de um condenado.
Olhei para a folha de exames dobrada em minhas mãos e depois para o rosto abatido da minha irmã.
- Eu não te perdoo porque você merece, Amelie - respondi, o tom de voz calmo, definitivo e livre de qualquer rancor. - Eu te perdoo porque a sua traição me tirou de um relacionamento podre e me jogou nos braços do homem da minha vida, da minha mãe e da minha verdadeira família. Eu te perdoo por mim, para não carregar o peso do seu cadáver nas minhas costas.
Viro-me de costas, caminhando em direção à porta do quarto, sabendo que todas as contas do passado haviam sido officially encerradas ali.
Caminho até a porta, mas antes que minha mão toque a maçaneta de aço escovado, a voz de Amelie me faz parar.
- Hannah... - ela sussurra, o som quase se perdendo no bipe ritmado dos aparelhos. - O nome deles... Eu não tive coragem de registrar. Não queria que o nome dele estivesse na certidão de nascimento dos meus filhos.
Continuo de costas por alguns segundos, absorvendo a gravidade daquele detalhe. A solidão e o desespero de dar à luz no escuro, sem sequer ter a coragem de dar uma identidade aos próprios filhos por pavor de vinculá-los ao homem que os abandonou.
- Eles vão ser registrados no tempo certo - respondo, sem me virar. - E vão ter nomes dignos da vida que merecem ter.
Giro a maçaneta e saio do quarto, deixando o silêncio da suíte e a figura trágica da minha irmã para trás.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo